I. INTRODUÇÃO
Há muitos e muitos anos, numa época menos científica que a nossa, a astrologia era um tipo de investigação bastante respeitada, que se baseava em princípios muito antigos e empiricamente compilados, sendo utilizada pelos sábios com o
fim de propiciar uma maior compreensão não só do futuro mas também da alma humana. Com o advento do Iluminismo e o aumento do conhecimento humano com referência ao universo material, a astrologia (juntamente com outros
estudos voltados para o mapeamento simbólico do cosmo) passou a ser vista como um anacronismo - como se não passasse de bobagens supersticiosas que refletiam uma era mais ignorante e sujeita a crendices. Surpreendentemente, no
entanto, a astrologia não teve o mesmo destino de outras crenças tais como: a Terra era plana, os demônios podiam ser conjurados e o chumbo podia transformar-se em ouro. Os estudos astrológicos crescem e se desenvolvem, ganhando
mais popularidade a cada dia, merecendo outra vez o respeito de pessoas inteligentes, pois foi trazida para a era moderna por meio do crescente conhecimento acerca da psicologia e da natureza humana. Submetida a séculos de repressão e
ridicularização, a astrologia terminou por desmentir e sobreviver a seus opositores, demonstrando com toda eloqüência o grande valor de sua contribuição para o homem moderno em sua busca de autoconhecimento.
Nesta análise astrológica, através dos conhecimentos da astrologia e psicologia combinados com a avançada tecnologia dos computadores, foi nosso objetivo oferecer-lhe um perfil astrológico exclusivo e individual, que lhe permita desenvolver um
maior autoconhecimento. Esta análise não consiste de previsões ou adivinhação do futuro, mas, em vez disso, é baseada nos princípios da astrologia psicológica, e foi desenvolvida ao nível máximo de profundidade e sofisticação possível dentro dos
limites de uma interpretação feita através de um computador. Uma máquina jamais poderá substituir toda a experiência de um astrólogo, mas achamos que você se surpreenderá com a profundidade e com a sutileza da interpretação que esta análise
faz do complexo dinamismo em ação dentro de você.
Shakespeare certa vez disse que o mundo é um palco e as pessoas não passam de simples atores. De certa forma, sua carta astrológica é uma metáfora de uma peça teatral - com cenário, elenco e enredo - que se desenrola ao longo de sua jornada.
Será bastante útil que mantenha na mente essa metáfora do teatro enquanto lê as várias partes que compõem sua análise astrológica, pois, assim, poderá entender melhor o verdadeiro significado do destino, isto é da forma como ele é visto pela
astrologia. O destino não é uma submissão do indivíduo a fatos pré-ordenados pelo acaso. Ele está vinculado ao elenco de personagens que representam as necessidades, tensões e aspirações mais profundas que existem dentro de você. Ninguém pode
deixar de ser aquilo que realmente é: toda experiência de vida, por mais irrelevante e transitória ou significativa e transformadora que possa ser, reflete de algum modo o caráter de cada indivíduo.
II. SEU TIPO PSICOLÓGICO
Os diversos atributos individuais existentes na sua carta astrológica manifestam-se (como aliás ocorre com todas as pessoas) contra um pano de fundo de certas tendências introduzidas pelo temperamento. Essas tendências poderiam ser
chamadas de "tipo" psicológico, pois são o modo típico e característico de alguém reagir diante das situações que aparecem na vida. Ninguém começa a vida já perfeito e acabado. Todo indivíduo tem determinadas fontes de força -
personagens interiores desenvolvidos e bem adaptados - que o auxiliam a resolver ou enfrentar desafios, conflitos e problemas. Da mesma forma, todos nós temos também certas áreas de fraqueza - personagens interiores negligenciados,
pouco desenvolvidos e problemáticos.
Seu tipo psicológico não permanece estático e imutável durante toda a vida. Existe algo dentro de cada um de nós - não importa que nome tenha: inconsciente, "Self" ou alma - que luta continuamente para que alcancemos o equilíbrio e a integração.
Essa força interior tenta trazer para nossas vidas as qualidades ou personagens que negligenciamos ou subestimamos. Em certos momentos críticos da vida, é como se algum núcleo interior - mais profundo e sábio que o "eu" consciente - nos
conduzisse a determinados conflitos que acabam fortalecendo nossos pontos mais fracos, de forma que possamos nos tornar mais completos enquanto seres humanos. Desse modo, você verá que foram incluídas nos parágrafos seguintes algumas
sugestões sobre como facilitar esse movimento interior em direção a uma perspectiva mais equilibrada da vida. Mais cedo ou mais tarde, a vida sempre acaba fazendo isso para nós. Porém, às vezes, é mais gratificante e menos problemático se
cooperarmos com o processo.
Reações sensíveis às necessidades alheias
O universo dos relacionamentos humanos representa tudo para você, e os sentimentos alheios vêm em primeiro lugar na sua escala de valores. Não obstante, você se vê com freqüência num dilema entre sua necessidade de calor humano e
de intimidade com as pessoas e sua necessidade de privacidade, espaço e liberdade para cuidar de seus próprios interesses, os quais em geral envolvem conceitos abstratos bem distantes da realidade humana. Você tem muita solidariedade
diante dos problemas alheios, podendo muitas vezes ver-se fazendo o papel de mãe ou pai extremoso para amigos ou pessoas queridas que precisam de um ombro cheio de compreensão para chorar. Mas os juízos e impressões que os
outros lhe provocam são sempre mais contundentes e críticos do que as reações de seu coração, fazendo-o oscilar da empatia à irritação. Algumas vezes você fala antes de ter tido a oportunidade de temperar suas palavras com seu tato e
gentileza característicos, deixando transparecer uma inequívoca, embora não declarada, necessidade de que o deixem em paz. Você adora sentir-se indispensável e detesta magoar os outros, além de ser capaz de muita lealdade e muita
dedicação às pessoas que lhe são próximas. Ao lado disso, possui o raro dom de deixar as pessoas à vontade e pressentir-lhes as necessidades mais importantes sem que nada seja dito. Não obstante, você mesmo freqüentemente se
surpreende - às vezes mais generoso do que deve; às vezes crítico e dogmático em relação à mesma pessoa. Sua maior realização na vida decorre da sensação de haver oferecido alguma coisa aos outros e de pertencer à grande família
humana, na qual ocupa um lugar de destaque. No entanto, há um espírito desinteressado e errante dentro de você que se deixa atrair por pessoas distantes e indiferentes e se aborrece com as responsabilidades emocionais que você assume
pelos outros com tão boa vontade.
A luta pela objetividade e auto-suficiência
Às vezes você enfatiza demais os relacionamentos, temendo ficar sozinho e isolado. Na verdade, porém, a complexa mistura de qualidades que possui o leva a precisar recolher-se ocasionalmente para procurar seu próprio apoio e seu
sentido interior. Você tende a permitir-se uma dependência demasiada da parceira ou de amigos e professores para o direcionamento e estruturação de sua vida, em detrimento de sua necessidade de cuidar de interesses que não tenham
relação com seus entes queridos. Você tem medo de ser visto como egoísta, mas a definição que tem para essa palavra é suspeita, originando-se talvez de certas atitudes de sua família durante sua infância, onde "egoísta" significava não
fazer o que alguém achava que você devia. É necessário que tenha mais confiança em seu direito de ter seus pontos de vista e suas próprias opiniões e que acredite mais nos relacionamentos aos quais dedica tanto tempo, amor e carinho.
Do contrário, ignorando sua própria necessidade de espaço, liberdade e sinceridade, não poderá evitar o ressentimento e o despeito dos outros quando vierem a requisitar para si tal liberdade. Como preza tanto a harmonia, talvez esqueça
que também você precisa às vezes de conflitos e distanciamento para poder crescer.
Um dilema na comunicação com os outros
Outra área em que seu conflito entre necessidades sentimentais e distanciamento pode se manifestar é na questão da comunicação de suas idéias. Certamente não lhe falta inteligência; muito pelo contrário, você pode ser dotado de idéias e
percepções profundas, altamente originais e procedentes, que valem a pena ser expressas. Porém, você tende a sentir-se inadequado diante do mundo intelectual, achando que os outros são mais inteligentes apenas porque você precisa de
mais tempo para formular e expressar suas idéias. Você precisa ter cuidado para não supercompensar isso com uma espécie de falsa intelectualidade nem cultivar um raivoso desprezo pelas inquirições intelectuais, que na verdade
constituem uma defesa contra sentimentos de despeito e inadequação. A dedicação a interesses e estudos, talvez até a uma carreira, que desafiem e ponham sua mente à prova será recompensante e lhe trará muita gratificação. Mas é
preciso estar preparado para viajar sozinho no universo mental - em outras palavras, para definir e manifestar seus próprios pontos de vista. Quando conseguir expor-se ao risco de discussões e confrontos em nome de seus valores
individuais, poderá trazer um espírito genuinamente original e independente para os relacionamentos que tanto valoriza. A segurança e calor humano do mundo pessoal que você se dedica tão aplicadamente a estimular podem servir como
uma base estável para suas emocionantes viagens aos reinos do conhecimento e da auto-expressão.
III. CARÁTER E SOMBRA
Uma das mais importantes revelações da psicologia profunda é que as pessoas são, por natureza, duais, abrigando em si uma polaridade básica entre um "self" consciente e outro inconsciente. De um lado, existe o indivíduo com o qual você
está familiarizado - o "eu" que pensa, sente e age da forma com a qual você se identifica. Do outro lado, existe um outro "eu", um indivíduo oculto - o lado sombra - que contém os aspectos de sua personalidade menos desenvolvidos e mais
difíceis de aceitar. Esse lado sombra luta por espaço e valorização e, ao mesmo tempo, perturba a sua auto-imagem complacente. A interação entre seus lados consciente e inconsciente é uma dança que muda de ritmo conforme os
diferentes estágios de vida que você atravessa e as pressões e desafios que encontra. Nos parágrafos seguintes é descrita a tensão entre os personagens primordiais que existem em seu drama interior, fontes de energia que geram as
mudanças, objetivos, conflitos e crescimentos em sua vida. Existem ainda outros personagens dentro de você - atores coadjuvantes que se misturam e entram em choque com os protagonistas principais, tornando-o a pessoa singular que
você é. Quando tais personagens secundários tiverem uma presença marcante na sua carta astrológica, serão descritos, na medida do possível, tão detalhadamente quanto os personagens principais. A história assim retratada, com sua
complexa interação de luz e sombra, representa aquilo que realmente significa o destino individual.
No âmago da vida, uma poética visão da alma
O poeta austríaco von Hoffmannsthal disse certa vez que a realidade é o maior dos encantamentos que alguém já experimentou. Sua realidade é, sem dúvida, um reino encantado, que tem em seu rico reservatório interior de imagens e de
sonhos como sustentar-se e que vem de sua profunda convicção não racional de que algum poder numinoso se encontra em progresso, afetando não apenas seus impulsos criativos pessoais como também a vida como um todo. Isso não quer
dizer que o universo da imaginação lhe desperte algum tipo de sentimento religioso, ou mesmo místico, no sentido convencional, pois ele é por demais caótico, turbulento e às vezes sombrio para que você consiga adorá-lo com aquela
humildade característica da devoção espiritual. Mas tudo que representa uma possibilidade de experiência exterior a você - pessoas, lugares, situações - está, em última análise, subordinado a sua visão interior que do sentido e da essência
que eles possam ter.
A vida só lhe parece digna de interesse quando se assemelha ao máximo àquele drama mítico que você suspeita desenrolar-se dentro de si e que constitui a principal razão de sua luta por um meio de expressão pessoal. Se a escolha desse
meio recair sobre as palavras, elas serão apenas lentes, destinadas a invocar impressões mais profundas em quem as lê ou escuta. Você se ressente quando precisa dar explicações simplistas sobre si próprio e sua singular visão a certas
criaturas mais literais, para as quais um objeto é apenas um objeto e um símbolo, um caminho ou um veículo. Graças à força de sua aliança com o mundo da imaginação, sua adesão às convenções da vida é apenas esporádica. Muitas
pessoas o julgam meio esquisito ou excêntrico porque o que importa para você não faz sentido algum para eles; e o que importa para eles em geral lhe parece simplesmente banal ou aborrecido. Você dá uma atenção tão absoluta a uma
certa voz interior que, para algum relacionamento seu dar certo, sua parceira teria de entender e adaptar-se a isso. Você tende a transformar até mesmo as pessoas que lhe são mais caras em símbolos que o inspirem e reluzam como
estrelas em seu mundo interior de sonhos e imagens. Ou, dito de outra forma, para você o mundo prático e as mínimas ações das pessoas estão impregnados de algo mágico e cheio de sentido, que constitui um infinito combustível para sua
imaginação.
O apelo do mundo transcendental
Mesmo que você dê a impressão de ser uma pessoa responsável e certinha, só metade de sua cabeça - se tanto - vive aqui neste mundo. A outra metade possui cidadania num reino mágico e desconhecido, pois você passa pela vida como se
estivesse com um pé fora, só esperando a hora de voltar correndo para casa. Se você ainda não assistiu ao filme "ET", deve fazê-lo o mais rápido possível, pois às vezes a impressão que você dá é justamente a de ter caído na Terra por acaso
e de só ter-se materializado em virtude de algum desígnio cósmico impenetrável, do qual sem dúvida tomará conhecimento posteriormente. Todas as ações em sua vida cotidiana estão contaminadas por um vago distanciamento, como se
você fosse um bom budista e achasse que tudo aqui não passa mesmo de ilusão. Você está claramente conectado a um divino e misterioso mundo interior, e se tiver o mínimo de bom senso, levará isso muito a sério e não tentará passar por
uma criatura lógica e racional, pois essa conexão é a fonte de sua criatividade e de sua realização potencial. Você sente uma necessidade imperativa de pôr-se a serviço de alguma coisa maior que você mesmo. Só que é muito improvável
que consiga encontrá-la sobre a face da Terra, não importa o quanto você possa adorar e idealizar alguém: é ao reino transcendental que você deve aliar-se em primeiro lugar, não a um amor ou à família. Se você organizar corretamente
sua lista de prioridades, não há por que, apesar de sua disposição mental e emocional tender mais para o melancólico, deixar de realizar-se em sua vida pessoal ou em algum trabalho criativo.
Quando você era criança, é provável que um de seus genitores -principalmente seu pai - tenha estado física ou psicologicamente ausente ou que tenha arrastado consigo uma aura de desgosto e de sacrifício. Isso deixou em você uma espécie
de sentimento de orfandade, o que não é tão negativo como parece a princípio. Como você se sentiu psicologicamente órfão, hoje procura um pai simbólico mais profundo, e isso o conduz ao mundo interior da imaginação e do espírito. O
único problema dessa ligação tão forte a uma fonte mística é que você também precisa saber administrar sua vida prática, pois ela se imporá a você de qualquer modo, independente do insondável de sua visão e da grandeza de sua devoção
interior. Você tem de estabelecer limites claros e desenvolver a capacidade de ater-se ao momento, pois isso lhe permitirá utilizar sua visão criativa sem exaurir-se nem acumular problemas materiais que dificultem sua vida.
A identificação com um papel mítico
Há algo bastante heróico e mítico em sua compreensão da vida. Como, boa parte do tempo, você está se identificando com alguma das personagens que cria, a simples expressão criativa de seu mundo interior não lhe basta. Você possui
também a veia do missionário heróico, que o impele a tentar mudar o mundo para fazê-lo marchar ao som do mesmo hino mágico que o conduz. Você tende a apoiar causas universais que são um reflexo de seus conflitos interiores,
personalizando assim os fatos exteriores para criar um senso de envolvimento, ao tempo em que transforma problemas pessoais em dilemas arquetípicos. Qualquer que seja o modo com que se expresse, com certeza ele contém algum tipo
de mensagem, pois você está absolutamente convicto de que a visão que tanto significa para você poderia aliviar de alguma forma as mazelas do mundo. Assim, no fundo você se identifica com o herói arquetípico - o trovador solitário, o
destemido cavaleiro andante, o profeta de olhos voltados para o futuro cuja voz anuncia a necessidade de mudanças. Se você não tiver uma válvula de escape qualquer - e precisa ter -, deve tomar muito cuidado para não se transformar no
Pigmalião de sua família, amigos e amores: sua necessidade de transpor seu mundo imaginário para a vida real é tão absoluta que pode torná-lo intransigente para com as particularidades individuais, além de obcecado por reformas.
Você não duvida de que está com a razão porque acredita ter sido bafejado pelos deuses. O problema não é você estar errado, mas sim a possibilidade das pessoas terem outros deuses, mais tangíveis que os seus. Embora não possua uma
natureza agressiva, pois é sonhador demais para isso, você tem algo do incendiário, do poeta que almeja mudar o mundo com sonhos e visões. Essa é sua mais importante virtude, e se você puder encontrar o meio certo, é bem provável que
ao fim consiga tocar profundamente muitas pessoas, incutindo-lhes, com seu empenho criativo, uma maior receptividade ao mundo interior. Mas você precisa cultivar a tolerância (nunca uma característica forte entre aqueles que têm
algum tipo de identificação com arquétipos) e a paciência - e talvez ainda um pouco mais de senso de humor em relação a si próprio de vez em quando, para não se comportar de modo tão heróico o tempo todo.
Um amor platônico exagerado
Para você, o amor quase nada tem que ver com a personalidade cotidiana e real nem com os atributos físicos de quem você ama: em sua opinião, o amor tem muito mais afinidade com um quê divino, cujo brilho você vê resplandecer
através da pessoa em questão. Você tende a idealizar demais o amor e a pessoa amada, a ponto de transformá-la numa espécie de musa, num catalisador para a inspiração criadora. Às vezes isso é tão forte que torna a presença física dessa
pessoa um empecilho para a adoração do lado espiritual dela. Você é incrivelmente sensível à infelicidade e ao sofrimento, considerando-os a condição inevitável daqueles que se abrem para outros mundos mais sublimes, mas estão presos
à existência terrena. Sua imagem do amor é matizada por uma pungente melancolia, a qual, em si, não é negativa nem destrutiva, mas faz do sacrifício um ideal. Em sua opinião, abrir mão de gratificações imediatas significa abrir as portas a
um tipo de amor mais profundo e universal, e isso o aproxima muito dos poetas da Idade Média: cultivando o amor cortês, eles adoravam suas amadas à distância.
Por conseguinte, é bem provável que você se disponha a fazer grandes sacrifícios em suas relações pessoais (amando uma pessoa que o rejeita, que já seja casada ou que more em outra cidade ou país, por exemplo). Ou que se deixe atrair
por alguém que já tenha sofrido muito na vida e ostente as cicatrizes desse sofrimento com uma suave dignidade. Existe um certo sabor de mater dolorosa em sua maneira de amar, como se todo tipo de amor fosse intrinsecamente trágico
graças à fatalidade dos seres humanos serem mortais e do tempo e a idade destruírem tudo o que um dia foi belo e cheio de promessa. Esse sentimento, que é a um só tempo pungente e delicado, contribui para conferir muita compaixão,
bondade e beleza tanto a sua personalidade quanto a suas criações. Entretanto, de vez em quando você deveria impedi-lo de ofuscar seus outros sentimentos; do contrário, arrisca-se a perder completamente seu senso de humor e a ignorar
os gestos de carinho das pessoas que gostam de você e querem fazê-lo feliz.
Uma criatividade exacerbada
Por conseguinte, você tem a alma de um profeta e de um trovador, mesmo que nunca tenha tentado expressar sua visão pessoal e mesmo que sua imaginação e seus talentos criativos tenham permanecido intocados até agora. É
extremamente necessário que você encontre algum meio de exteriorizar sua criatividade, pois seu rico mundo interior não tem limites. Inclusive, em última análise, esse mundo é muito mais importante para você do que qualquer opinião
acerca do verdadeiro sentido da vida que possam lhe dar a sociedade ou mesmo as pessoas de quem você gosta. O dinheiro pode ser ótimo; a segurança, desejável; os prazeres do dia-a-dia, tentadores, mas você abriria mão de tudo isso, ou
de quase tudo, em favor da realização de sua prioridade número um, que é encontrar a linguagem certa - verbal, visual ou física - para glorificar o reino espiritual, sua verdadeira realidade. As estranhas situações dos mitos e dos contos de
fadas encontram em você terreno para sobrevivência e crescimento, pois tudo que lhe acontece na vida é traduzido em linguagem simbólica: você acha que se não pode transformar uma orelha de porco numa bolsa de seda, então nem vale
a pena levá-la em consideração. Pode ser que você deixe todos a seu redor loucos de raiva por recusar-se a dar a menor atenção às coisas que eles julgam importantes, mas ninguém põe em dúvida a sinceridade de sua visão, a riqueza de sua
imaginação nem seu inconfundível anseio por algo maior, mais profundo e mais significativo que a própria vida.
Ceticismo e materialismo ocultos
Existe um outro protagonista em seu drama psíquico interior, o qual se opõe a sua poética visão da vida e ao colorido e à dramaticidade com que você costuma carregá-la. Essa personagem inclui em si todas aquelas características mais
mundanas, práticas e triviais que você teve de excluir de seu estilo de vida e de seu sistema de valores, a fim de preservar o contato com seu rico mundo interior. Embora de hábito você alimente em seu íntimo um certo desprezo por todas
as pessoas sem imaginação, por não conseguirem alçar-se ao reino transcendental nem reconhecer intuitivamente o sentido escondido atrás de cada experiência, você também tem um lado simples, comum e materialista. O mais provável,
todavia, é que você reprima esse aspecto de sua personalidade e o projete inconscientemente em criaturas menos dotadas ou de visão mais curta, as quais depois poderão fazê-lo sentir-se superior e deliciosamente incompreendido. Essa
outra personagem vive no mundo das sombras do inconsciente, e seu encontro com ela provavelmente o deixará embaraçado, intimidado e inseguro. Não obstante, você necessita relacionar-se melhor com esse seu lado sombra pouco
conhecido, não apenas para conseguir lidar satisfatoriamente com as limitações impostas pela vida cotidiana, mas também para manter-se dentro de fronteiras humanamente aceitáveis, para que não crie asas e se identifique de tal modo
com suas figuras míticas interiores a ponto de impossibilitar a comunicação com as pessoas que o rodeiam.
O pavor de parecer inconveniente
Existe uma estranha espécie de veneziana que às vezes obstrui a passagem entre sua mente e o rico mundo imaginário que é seu alimento essencial. Pode ser que ela lhe pareça um bloqueio criativo de algum tipo - uma súbita perda de
inspiração - ou que se manifeste como um incômodo sentimento de inadequação e de inferioridade, que o faça duvidar do valor de sua criatividade. As origens dessa dificuldade estão na precária relação que você estabelece com o dia-a-dia
e com as pessoas comuns. É como se seu lado sombra, que está interessado principalmente nas ocorrências diárias de seu ambiente mais imediato, de repente não suportasse mais essa prisão perpétua nos porões da psique e se levantasse
em rebelião. Em curioso contraste com a confiança - e até arrogância - com que você caminha por terrenos míticos e comunga com as divinas criaturas de sua imaginação, está sua falta de jeito para a mais simples comunicação humana, que
às vezes o faz achar difícil manter mesmo a mais elementar das conversas se o assunto não for a Essência ou o Sentido da Vida. Apesar de você conseguir mascarar com perfeição esses lapsos abruptos recorrendo a um ar de extrema
superioridade - por que se deveria perder tempo falando bobagens, de qualquer modo? -, seria mais sincero reconhecer que tem medo de entabular qualquer diálogo, por menor que seja, e que no fundo receia parecer um bobo ou tornar-se
inconveniente. Você costuma adotar uma postura defensivamente dogmática, insistindo na relevância exclusiva de sua realidade interior, o que acaba por fazê-lo sentir-se um estranho, perdido no universo ancestral dos "olás" e dos "como
vais". Pode ser que você se horrorize ao descobrir que quando começa a falar de coisas banais, torna-se muito banal mesmo - e até lento, pedante e sem imaginação.
Isso tudo pode parecer desagradável e até ofensivo, mas seria uma pena que você usasse sua grande imaginação e seus poderes de expressão só para defender-se do fato de ser um simples mortal. Se você se permitir relaxar um pouco e ser
apenas tolamente humano de vez em quando, descobrirá que em seu lado sombra há muitas qualidades positivas e até necessárias para contrabalançar a riqueza de seu espírito poético. Entre elas está a capacidade de aceitar sua sina
humana, o que significa que sua linguagem criativa pode realmente atingir os outros - afinal de contas, seus presumíveis destinatários. Esse lado sombra pragmático, lento e pedante, que se manifesta principalmente através de uma
preguiçosa espécie de concreticidade de raciocínio, pode dar-lhe também a paciência necessária para trabalhar melhor os arroubos de sua imaginação, de modo que deixem de ser simplesmente esotéricos e obscuros e passem a ser
compreensíveis. Além disso, apesar de aparentemente sem graça e destituído de imaginação, esse lado sombra tem um humor finamente irônico e sarcástico que pode operar maravilhas para controlar um pouco essa sua ocasional
presunção intelectual, mantendo-o realista quanto ao que você realmente pode alcançar em termos de mercado.
O dilema de aceitar um lado sombra simples e banal
Desse modo, há em você um lado oculto bem mais sisudo, convencional, pragmático e lento, que contrabalança seu espírito poético e apaixonado. Por mais aborrecido que você possa achá-lo e por mais irritante que considere esta descrição
dele, seu lado sombra pode contribuir para um enriquecimento significativo de sua vida. Ele pode dar-lhe um senso mais realista de limites, que desbaste o excedente de suas aspirações criativas e as reduza a proporções administráveis e
aceitáveis; pode dar-lhe a chance de ser simplesmente humano quando sua inspiração tirar férias, permitindo-lhe que aprecie a si próprio e aos outros mesmo quando não estiver possuído de qualquer visão ou arrebatamento interior; pode
preservar seu senso de humor diante da vida e de você mesmo. Essas qualidades devem ser integradas a seus valores e a seu universo, pois a psique se ressente de todo tipo de excesso. O excesso de identificação com as criaturas que
povoam suas fantasias pode resultar em bloqueio e depressão, destruindo justamente o que mais lhe importa: estar a serviço da fonte interior de criatividade que é sua eterna companheira e também seu inferno. Às vezes amiga; às vezes
inimiga, ela jamais lhe permite algum tipo de contentamento que não seja vital: um mistério que resta inexplicável, mesmo que você lhe dê o nome de alma, inconsciente, Deus, Diabo, arte ou amor.
Outro par de personagens importantes
Os personagens descritos até aqui representam, em seu antagonismo fundamental, o tema principal de seu drama interior. Além desses atores, há um outro par de figurantes representados em seu mapa astral que você provavelmente
reconhecerá em sua vida. Esses figurantes são brevemente descritos nos próximos parágrafos.
Um amor pelo mundo invisível
Embora aparentemente você viva na Terra como as outras pessoas, sua mente habita reinos mais etéreos e elevados. Você é alguém sensível e idealista que não se sente completamente à vontade dentro dos limites e fronteiras da vida
material, pois, como Platão, possui o anseio do Bom, do Verdadeiro e do Belo. Se você não conseguir vislumbrar lampejos de seu sonho em meio às circunstâncias mundanas nas quais se encontra, seja através do amor, do empenho criativo
ou dos estudos, poderá tornar-se deprimido ou até adoecer. "Deve haver Algo Mais", você se diz, porque é absolutamente incapaz de conviver com os aspectos mais duros da realidade ou de aceitá-los. É como se lhe faltasse alguma coisa
que os demais parecem possuir; conseqüentemente, a vida o magoa com mais facilidade que aos outros. Já que você acredita de todo coração numa realidade transcendente, geralmente consegue estabelecer algum tipo de contato com ela, -
não importa quão breve ou indireto - o que é o suficiente para que você renove sua fé e continue na luta.
Na origem de muitas de suas aparentemente imprevisíveis e instáveis experiências encontra-se esse quê de fugidio, etéreo e extraterreno que há dentro de você. É recomendável que você procure um estilo de vida e se dedique a uma
vocação que possam desenvolver e validar, em vez de massacrar, seu idealismo e sua fé. Todos os produtos da imaginação são significativos para você, muito mais que os objetos materiais, tão importantes para os outros. Ideais e valores
espirituais lhe são necessários, mas é preciso que você tenha a coragem de questionar as fórmulas religiosas convencionais e de confiar em suas experiências íntimas. Não se trata de um código moral, nem de uma interpretação dogmática
da divindade: o que você busca é mais uma experiência direta de uma realidade transcendental que possa dar-lhe esperança, consolo e validação de seu sonho de beleza, bondade e verdade na vida. Do contrário, a vida o machucará porque,
sem esses valores para dar-lhe base, você se torna muito vulnerável, faltando-lhe o preparo indispensável para assimilar alguns dos pratos que a vida serve, que podem ser bem indigestos. Desiludido e perdido, você corre o risco de
transformar outras pessoas, principalmente suas parceiras, em semideusas protetoras que detêm o conforto que tão ardentemente deseja. O problema é que, colocadas numa situação impossível, as pessoas inevitavelmente o decepcionarão:
o que busca está, na verdade, dentro de você mesmo. A própria vida, enfim, o desafiará a adaptar-se ao mundo concreto, pois pouco adianta ter uma percepção mais refinada se não for possível pô-la à prova no contexto da vida real.
Sensualidade e materialismo reprimidos
Em contraste com a clara luz de sua aspiração mística, há uma personagem obscura em seu drama psíquico interior. Esta dimensão oculta de sua personalidade contém tudo aquilo que você excluiu de seu comportamento e dos valores que
elegeu a fim de ir em busca de seus ideais mais sublimes: o domínio do corpo, sua natureza sensual e o materialismo recalcado, que você prefere não admitir. Este lado sombra pode tornar-se um inimigo interior: se você não lhe reconhecer
o valor, trabalhará contra você, provocando problemas de saúde, dinheiro ou qualquer outro tipo de impasse de ordem material. Como você lhe vira as costas, esse inimigo interior pode dar a impressão de pertencer a outras pessoas no
mundo lá fora: indivíduos que dificultam sua vida por excesso de demandas físicas, por falta de condições para apreciar valores mais refinados e por sua grosseria e desumanidade, emocionais ou físicas. Quando alguém não consegue lidar
com alguma coisa dentro de si mesmo, acaba atraindo essa mesma coisa no ambiente que o cerca.
Está em perfeito acordo com seus valores espirituais a crença na possibilidade de transcendência dos componentes menos refinados, menos definidos e mais sensuais de sua personalidade, bastando para isso seu esforço pessoal.
Certamente que muitas doutrinas esotéricas sugerem que, com empenho, todos nós podemos alçar-nos para além de nossa natureza mais primária e experimentar um estado mais puro do ser. Também é certo que, não fosse por ideais
como os seus e estaríamos ainda morando em cavernas, matando-nos uns aos outros a pauladas. Não é que você deva desistir de continuar tentando, mas, do ponto de vista da psicologia, sua dissociação - essa personagem de seu drama
interior que se opõe a seu refinamento, seu elevado idealismo e sua aspiração por uma dimensão mais transcendental de vida - é tão valiosa e importante para sua evolução quanto suas crenças conscientes. Se lhe der tratamento criativo,
ela lhe proverá substância, vitalidade e uma capacidade de amar de forma autêntica e nada hipócrita. A tentativa de alijar-se do reino do instinto porque ele é "inferior" só pode resultar num motim do inconsciente contra você.
Na sua carta astrológica aparecem vários temas importantes, existindo dois personagens adicionais que também são parte essencial de sua história. Esses figurantes são descritos brevemente nos parágrafos seguintes.
A necessidade de integração
Por saber que faz parte da grande família humana, você tem a certeza de que ela jamais lhe negará amparo. A seus olhos, todos são dignos e todos têm valor, e por isso você gosta de conhecer gente de qualquer tipo e em qualquer situação:
seja em ônibus ou aviões, em bares ou restaurantes; o lugar não importa se a troca de umas poucas palavrinhas puder transmitir-lhe a sensação de estar vinculado a seus semelhantes. Você sabe instintivamente o que fazer para tornar-se
parte de qualquer grupo, adivinhando como se por telepatia quais as leis que vigoram em determinado meio social, o que "deve" e o que "não deve" ser feito. A impessoalidade das metrópoles, em que as pessoas não se fazem companhia
nem se telefonam, o perturba tanto quanto o isolamento de uma remota cidadezinha do interior, pois você só se sente bem quando há vizinhos para cumprimentar e comerciantes que o reconheçam. Você tende a ter um monte de amizades
- ou pelo menos um monte de conhecidos a quem considera amigos, embora apenas alguns deles tenham uma real afinidade com você. Na verdade, você não abre mão dessas companhias, mesmo que elas sejam circunstanciais ou que não
sejam exatamente suas almas gêmeas. Às vezes fica difícil saber exatamente quem você é e o que de fato sente, tamanha é sua integração ao ambiente e sua adaptação às atitudes e peculiaridades das pessoas de seu círculo.
Não é pouca coisa conseguir que praticamente todo mundo que conhece goste de você. Seu poder de atrair a amizade das pessoas se deve à profunda afinidade que sente haver entre você e os outros, e essa afinidade existe não só no plano
mais superficial dos interesses comuns ou da proximidade física: ela está presente também no plano de uma profunda sensação de fazer parte da grande família humana. Surgirá a ocasião, contudo, em que você terá afinal que definir sua
verdadeira identidade e expressar seus próprios valores e seu próprio potencial criativo, enfrentando o teste da crítica e da desaprovação por parte do grupo a que pertence. A integração com o grupo o faz mais feliz que a tomada de uma
posição solitária, que o exporia a ataques ou julgamentos. Porém isso é de certa forma lamentável, pois suas habilidades merecem mais destaque. Contudo, o reconhecimento individual representa menos para você que a experiência
reconfortante e gratificante de fazer parte da vida de outras pessoas e a certeza de que, não importa aonde vá, sempre haverá quem o receba como amigo.
Uma necessidade oculta de auto-expressão
Sua personalidade possui uma dimensão oculta que contrasta com o aspecto mais amável e gregário que ela representa, a qual você suprimiu ou recalcou de seus valores e de seu comportamento consciente a fim de preservar seu círculo de
amizades e seu sentimento de segurança em meio a ele. Seu lado sombra inconsciente é ferozmente individualista, independente, distante e não tem o mínimo interesse em preservar boas relações com quem quer que seja. É extremamente
difícil para você conciliar a arrogância, a superioridade e o egocentrismo desta figura interior com os valores sociais que tanto o ligam à coletividade. Se continuar inconsciente desse seu aspecto oculto, ele poderá vir à tona sob a forma de
uma rancorosa inquietação, uma sensação súbita de estar só e de ser frustrado e incompreendido pelas pessoas de quem mais necessita. Além disso, poderá ser preciso enfrentar um outro problema: a inveja daqueles que são mais
extrovertidos que você e não têm medo nem vergonha de ostentar em público suas idiossincrasias e sua independência de espírito. Você é o tipo de pessoa que gosta de aglomeração, seja por razão de política ou de festa, tendo inclinação a
filiar-se a associações que desposem uma filosofia social e política própria - e no entanto seu lado sombra é apolítico, anti-social e obstinado: para ele, nada é mais importante que seu desenvolvimento e realização; nada é menos importante
que a aprovação alheia.
As qualidades aparentemente negativas intrínsecas a esse lado oculto - a arrogância, a obstinação, a frieza, a desumanidade e a tirania - são, viradas pelo avesso e vistas sob outro ângulo, autoconfiança, força de vontade, auto-suficiência,
coragem e lealdade a seus próprios princípios. Se for reprimido e relegado às profundezas do inconsciente, este lado sombra vai reaparecer por trás de sua fachada tranqüila, revelando uma personalidade mais arrogante e ditadora do que
você gostaria de ser, além de colocá-lo compulsivamente à mercê de situações confusas. Se, pelo contrário, for resgatado e integrado a sua vida consciente, ele poderá dar-lhe percepção, coragem e a oportunidade de criar algo
verdadeiramente original com seus próprios meios.
IV. A BASE FAMILIAR
Mitos familiares e herança psicológica
Você é um indivíduo, mas é também produto de um dado meio familiar. A família é como um organismo vivo, possuindo certas características hereditárias que são passadas de geração em geração. Ela possui ainda uma dinâmica
psicológica particular, um clima emocional que representa o solo inicial no qual a individualidade cria as primeiras raízes na infância. Assim, dentro de você há certos padrões, mitos e atitudes em relação à vida que foram retirados do
terreno psicológico de seu meio familiar. Em outras palavras, voltando à metáfora do teatro, os personagens de nosso drama interior são únicos, mas carregam consigo uma herança familiar.
A astrologia nada pode dizer quanto à hereditariedade do ponto de vista físico, mas sim do psicológico. Essa hereditariedade psicológica se transmite nas famílias da mesma forma que a cor dos cabelos e dos olhos. A herança psicológica de atitudes
profundamente arraigadas costuma ser transmitida em níveis imperceptíveis e inconscientes, dos quais as pessoas não se dão conta. Os mitos familiares certamente são passados de geração em geração da mesma forma que um traço fisionômico
marcante. Um exemplo do que é um mito familiar: "todos os homens da família se fizeram sozinhos e são bem-sucedidos". Ou: "todas as mulheres da família se decepcionaram com os maridos". Tais mitos não precisam necessariamente ser
confessados, ou mesmo ditos, pois são transmitidos de uma geração a outra através do inconsciente, sendo sua comunicação feita por uma infinidade de meios sutis e não verbais. Assim, o menino nascido na família dos homens "bem-sucedidos" que
citamos acima herdará um conjunto de expectativas, ao qual reagirá de acordo com sua própria natureza e seus personagens interiores. E a menina nascida na família das "mulheres decepcionadas" herdará certas atitudes em relação aos
relacionamentos que a afetarão posteriormente na vida se permanecer inconsciente desse roteiro interior.
Seu ambiente familiar se reflete em sua carta astrológica, já que faz parte de sua história de vida. A astrologia pode ser muito útil na tentativa de compreensão dessa área da vida, pois sua maior ou menor liberdade de escolha está condicionada pelo
seu grau de conscientização da interação entre sua própria natureza e sua herança familiar. Sua carta astrológica reflete um perfil de seus pais, embora eles não se apresentem como pessoas reais e tridimensionais, mas como imagens que personificam
um tema ou um conjunto de atitudes específico. Essas imagens refletem o modo como você, pessoalmente, vê as figuras da mãe e do pai e a forma pela qual elas funcionam como padrões dentro da sua própria psique, como auxiliam ou dificultam o
desenrolar de seu drama interior. Não se deve jamais subestimar a força do meio familiar, pois ela não pertence ao passado; ela é o presente vivo dentro de cada um de nós. Como disse certa vez o poeta alemão Rainer Maria Rilke: "Não pense que o
destino seja mais do que a infância condensada."
A imagem do pai no mapa astral do homem
O pai não é apenas um ser humano em termos concretos. Ele é também o símbolo de uma visão ou padrão interno, através do qual você se relaciona com a vida. A imagem do pai representada em sua carta astrológica descreve, portanto,
três aspectos:
Primeiro, ela é uma descrição subjetiva das características predominantes existentes em seu relacionamento com seu pai - ou com quem quer que tenha desempenhado o papel de pai em sua primeira infância.
Segundo, ela é um símbolo do que o elemento masculino representa para você. Seu pai foi o primeiro homem que você conheceu na vida e, dessa forma, exerce uma poderosa influência inconsciente sobre o modo como você expressa sua própria
masculinidade e se relaciona com outros homens.
Terceiro, ela é uma síntese das qualidades paternas absolutas que você tem em si mesmo: sua forma de organizar e estruturar a vida; definir e perseguir objetivos; pôr em prática os potenciais; expressar e dirigir sua força de vontade; formular seus
ideais e códigos de ética e, finalmente, seu comportamento como pai de seus filhos.
Uma figura atraente porém indecisa
A imagem subjetiva do pai que é representada em sua carta astrológica é, em muitos aspectos, uma imagem positiva e atraente, cheia de bondade, encanto, afeto e requinte. Você achava seu pai charmoso, mesmo que ele não se
enquadrasse nos padrões convencionais de beleza. Muitas de suas atitudes, em termos de gostos e comportamento social, refletem a experiência que teve com ele. Essa imagem paterna pode também conter dons artísticos e intelectuais. Ele
pode ter personificado um tipo de ideal estético, mental ou social que se tornou a base para você formar seus próprios valores. Provavelmente ele era também um pacifista que queria a harmonia a qualquer preço, e é nessa área que reside
a ambivalência de seu relacionamento com ele. Ele ansiava tanto pela paz que pode ter deixado em você uma impressão de fragilidade - especialmente se permitia que sua mãe dominasse a casa e tomasse as decisões mais importantes
relativas aos filhos. Embora compreensível, sua tentativa de evitar o confronto emocional direto poderia ser interpretada como falta de interesse e como uma certa traição. Na realidade, é possível que você esteja identificado demais com a
imagem bonita e idealizada de seu pai e com sua própria necessidade de paz, harmonia e beleza, e tenha prestado pouca atenção às ocasiões de sua infância em que precisou de um pai mais forte.
O equilíbrio entre o idealismo e o realismo
A experiência com seu pai é, portanto, complexa. Dele você herdou esse amor pela beleza, o requinte, a clareza e a aversão pelos relacionamentos emocionais difíceis. Você mesmo é uma pessoa requintada e intelectualizada, com grande
senso estético. Mas, além disso você possui uma certa indecisão e passividade que o fazem evitar o confronto e tentar agradar os outros a custa de seus verdadeiros sentimentos. Talvez, como seu pai, também seja demasiado idealista,
querendo que a vida seja mais bela e harmoniosa do que às vezes é. Você costuma se decepcionar e se desiludir sempre que se requer mais resistência e realismo de sua parte. É importante que deixe de se identificar inconscientemente
com os valores de seu pai e encontre os seus, de forma a contrabalançar sua necessidade de paz e satisfação com o realismo que a vida algumas vezes exige de nós todos.
A imagem da mãe no mapa astral do homem
A mãe, assim como o pai, não é apenas um ser humano. Ela é também o símbolo de um princípio vital indispensável e de uma dinâmica ou visão interna, através das quais nos relacionamos com a vida. A imagem da mãe representada em
sua carta astrológica descreve, portanto, três aspectos:
Primeiro, ela é uma descrição subjetiva das caraterísticas predominantes existentes em seu relacionamento com sua mãe. Muitas delas você já conhece, mas algumas poderão surpreendê-lo, pois refletem não só o comportamento externo, mas
também a vida interior dela - aquele lado de sua mãe que, por não ter sido externado, exerceu sobre você um efeito muito forte.
Segundo, a imagem de mãe que há em sua carta astral é um retrato do que o elemento feminino representa para você - como você convive com as mulheres e como se relaciona com os aspectos emocionais e instintivos de sua personalidade. Em
terceiro lugar, ela é uma síntese de suas próprias qualidades "maternais" (pois os homens também possuem características maternais): sua capacidade de cuidar de si e dos outros; seu senso de segurança e confiança na bondade essencial da vida; sua
habilidade de viver ao sabor do tempo e das circunstâncias e de saber intuitivamente quando esperar e aceitar com sabedoria as situações que a vida lhe apresenta.
A falta de um relacionamento verdadeiro
A imagem subjetiva de sua mãe que é representada em sua carta astrológica é uma imagem de ausência, pois é curiosamente distante e solta, como se você de fato não conhecesse sua mãe como pessoa nem ela a você. Materialmente
falando, você deve ter sido bem cuidado e recebido tudo que convencionalmente qualquer boa mãe dispensa aos filhos. Mas, em um nível mais profundo, havia uma ausência de comunicação real. Isso pode ter ocorrido por força das
circunstâncias - talvez ela estivesse doente ou ausente ou incapacitada de dedicar aos filhos todo o tempo e atenção que precisavam. Ou talvez a personalidade dela fosse tão desinteressada e inibida que ninguém, inclusive você, podia se
aproximar realmente, pois faltava a ela a disposição ou a capacidade de expressar os verdadeiros sentimentos e pensamentos. Assim, parece haver faltado em sua infância o calor do verdadeiro afeto, o que, curiosamente, pode tê-lo feito
reagir na mesma moeda. Você tem dificuldade de reconhecer ou expressar seus próprios sentimentos e necessidades, como se de certa forma eles não existissem, já que, em um nível mais profundo, seu relacionamento com sua mãe
também não existiu, o que hoje lhe dificulta levar a sério sua vida interior.
Negligência na expressão dos sentimentos
Essa experiência aparentemente difícil com sua mãe na primeira infância tem muito de positivo, pois você aprendeu a contar emocionalmente consigo mesmo e sem dúvida desenvolveu muito bem seu lado racional para compensar outras
deficiências. Mas talvez seja importante que observe o que está além da normalidade aparente de sua infância. Você não dá o devido valor a seus instintos e sentimentos e não tem lá muita fé na vida. A ausência de uma relação verdadeira
com sua mãe é sua chave para a compreensão de muita coisa em seu próprio isolamento emocional.
Tente apreciar mais a criança que há em você mesmo e cuide de suas necessidades com o carinho e a delicadeza que não teve na primeira infância. Se conseguir encontrar o potencial positivo da eterna mãe que há em você, nunca cortará
sua ligação com os próprios instintos e poderá, com o tempo, desenvolver raros talentos nas áreas de que foi privado -podendo brindar com sua empatia, aconchego e apoio a todos, sejam crianças ou adultos (inclusive às crianças que
existem só em sua imaginação), através de algum trabalho criativo.
Há ainda outra imagem representada em sua carta astrológica que, sob certos aspectos, entra em conflito com a experiência anteriormente descrita com sua mãe.
O entusiasmo em luta contra o convencionalismo
Pode-se dizer que a primeira impressão que você teve de sua mãe foi a de uma eterna menina. Apesar do comportamento mais convencional e responsável, sua mãe abrigava um espírito irrequieto e aventureiro, cheio de entusiasmo e
ansioso por fantasia e emoções, com tendência a ver a vida e as outras pessoas como personagens de uma peça de teatro ou de contos de fadas. É claro que esse espírito criativo e alegre entrava em conflito com as responsabilidades
tradicionais conjugais e maternas. Se sua mãe fosse no íntimo uma criatura conservadora ou tímida, então não desejaria que a própria vida fosse como um enredo grandioso e sem dúvida não se sentiria insatisfeita nem presa numa
armadilha. Para compensar a realidade, ela pode ter recorrido a várias manobras manipuladoras como adoecer nos momentos mais oportunos, por exemplo, de forma a garantir a atenção que desejava dos entes queridos.
Libertando um espírito romântico
Talvez seja importante que você analise esse espírito teatral e vibrante que a sua mãe possuía, pois ele também está dentro de você. Caso não se conscientize da vida interior dela nem das possíveis distorções que podem ter degenerado em
manipulação, você poderá identificar-se com as frustrações dela e deixar-se conduzir pela necessidade de viver o que ela não pôde, a ponto de permanecer um eterno adolescente que foge da realidade em busca de sonhos românticos
grandiosos sem jamais alcançar nada de concreto na vida. Essa dimensão da sua imagem de mãe é essencialmente alegre, cheia de espírito de aventura e curiosidade diante da vida e o dota de uma capacidade inata de ver potencialidades e
sentidos subjacentes onde outras pessoas só conseguem perceber fatos e objetos. Mas você vai precisar separar a si mesmo da visão que tem de sua mãe como mártir e, a partir daí, da identificação inconsciente tanto com a infelicidade dela
quanto com seu espírito voluntarioso e arrogante; pois só assim poderá viver plenamente - e a seu próprio modo -o que há de melhor na eterna criança existente em você.
V. PADRÕES DE RELACIONAMENTO
Os relacionamentos encontram-se entre as mais misteriosas, gratificantes e frustrantes de todas as experiências que pode ter o ser humano. Tanto a psicologia quanto a astrologia nos ensinam que nada do que ocorre num relacionamento é
fruto do acaso - nem seu começo, suas flutuações e conflitos, nem seu fim. Mas a astrologia não pode dizer que você está "predestinado" a ter um bom ou mau casamento nem que você deve se relacionar com alguém de Câncer ou de
Sagitário. Sua carta astrológica descreve aquilo que você é em seu íntimo e, por conseguinte, que tipo de padrões, necessidades e compulsões você está propenso a introduzir ou esperar de num relacionamento ou a esperar dele. Você não
pode transformar-se em uma pessoa diferente nem encomendar outro mapa astral para tornar-se um novo personagem para si mesmo. Mas pode estar consciente em maior ou menor grau, tendo sempre a liberdade de analisar suas
próprias questões, de lidar com necessidades que são de sua responsabilidade (e não de sua parceira) e de reagir de forma criativa tanto à alegria quanto à tristeza.
Os parágrafos seguintes descrevem suas atitudes, necessidades e padrões típicos de comportamento nos relacionamentos mais íntimos. Esta descrição é feita em termos de seu trato com uma mulher que é (ou foi) importante em sua vida. Contudo, se
estiver envolvido (ou se envolveu) num relacionamento com alguém do mesmo sexo que você, verá que as mesmas atitudes, necessidades e padrões ainda assim se aplicam. Quaisquer que sejam suas preferências sexuais, você é você mesmo - e é sua
natureza íntima que dita, em última análise, o curso de sua vida amorosa.
Os assuntos referentes aos relacionamentos já foram mencionados nos capítulos anteriores, onde foram descritas as figuras arquetípicas básicas que predominam em seu mapa astral. Portanto, a descrição que se segue irá repetir e ampliar
em parte o que já foi dito. Por outro lado, ela poderá de certa forma também contradizer o que foi visto até aqui, indicando um conflito íntimo inerente a sua atitude diante dos relacionamentos.
Os atrativos de uma parceira racional
Você vive sempre tão perto das abissais e fecundas profundezas do inconsciente que pode facilmente tornar-se presunçoso - o que significa que, acostumado aos tesouros da imaginação, pode rapidamente começar a considerar-se ímpar,
especial e talentoso demais para se aborrecer com preocupações de ordem cotidiana. Você aprendeu a levantar vôo junto com suas fantasias e, por isso, não cultivou a habilidade de fazer análises e tomar decisões com exatidão e
objetividade no mundo exterior. Como sua natureza é tão fortemente marcada pela poesia e pelo romance, você é atraído por aquelas mulheres que, com firmeza e tranqüilidade, conseguem impor ordem aos afazeres delas - no fundo, você
espera que uma mulher dessas acabe arrumando a sua vida para você e lhe poupe esse trabalho.
Aprendendo a respeitar os espíritos práticos
O relacionamento com uma pessoa de temperamento mais racional e analítico pode ser muito estimulante para você, contanto que fique de olho na sua tendência de achar-se superior. Do contrário, você pode facilmente pensar que está
isento de todas as trivialidades e, inadvertidamente, passar a tratar sua parceira como uma mistura de empregada doméstica, contadora e agente de relações públicas, que tem a obrigação de manter o sórdido mundo exterior longe de seu
sagrado território. Procure aprender a dar igual valor às habilidades de sua parceira, pois você precisa permitir que ela lhe ensine a ser mais objetivo diante de suas próprias responsabilidades práticas, em vez de esperar que faça tudo por
você. Você não iria sobreviver por muito tempo em nenhum sótão escuro se não tivesse alguém que cuidasse da conta de luz, da escola das crianças e dos amigos que você esqueceu que tinha convidado para jantar. Tanto melhor se você
conseguir contrabalançar sua eterna busca do Santo Graal com uma incursão esporádica a formas de comunicação mais simples. Ambos os mundos são reais, válidos e necessários, e você precisa de alguém com quem possa partilhá-los.
A intimidade conjugal não é tudo
Você tem a virtude de brindar as pessoas que ama com uma verdadeira amizade. No fundo, isso pode representar mais para você e para elas - e também resistir mais à prova do tempo - do que as sentimentais demonstrações de afeto
convencionais. Você sabe como deixar que sua parceira viva a própria vida como um indivíduo à parte, independente da necessidade que você possa ter dela. Isso significa que você é uma pessoa profundamente tolerante, mesmo quando
está com raiva ou se sente magoado. As idiossincrasias de sua parceira não o surpreendem, pois você sabe que o mundo está cheio de gente de todos os tipos. Mesmo que seja casado ou tenha um relacionamento estável, você
provavelmente não restringe sua fonte de contatos humanos a uma pessoa apenas. Se sua parceira for por natureza emocionalmente mais dependente ou voltada para a vida doméstica do que você, poderá ter problemas por causa de suas
características abertas e amigáveis. Você precisa ser muito honesto consigo mesmo e também muito decidido quanto às regras que seu relacionamento precisa ter, pois você não sabe mentir e não ficaria feliz se tivesse que recorrer a esse
expediente. Na verdade, sua motivação não está na promiscuidade sexual. Pelo contrário, o que realmente o interessa são as pessoas, de ambos os sexos e de qualquer camada social. Caso seu trabalho e sua vida particular lhe permitam
contatos interessantes que alimentem sua necessidade de ser um cidadão do mundo, você poderá ser feliz num relacionamento estável e duradouro.
Um coração generoso
Você é uma pessoa verdadeiramente generosa, que tem em si uma espécie de amor tão universal a ponto de conseguir demonstrar solidariedade a quase todo mundo, principalmente àqueles que pareçam vítimas da vida. Isso o torna
acentuadamente receptivo em seus relacionamentos íntimos, predispondo-o a fazer sacrifícios de todo tipo em nome do amor, pois consegue compreender bem demais as necessidades e dificuldades de sua parceira. Seu amor carrega em si
tamanha generosidade que você precisa ter cuidado para não se tornar um capacho da parceira simplesmente por ter um coração tão grande. Sua companheira pode, sem querer, aproveitar-se de você e, por isso, você precisa aprender a
dizer "não" e a ser claro quanto ao que quer de vez em quando, em vez de adaptar-se tanto às necessidades dela. Não só sua parceira como todos os seus amigos devem apreciar muito sua natureza compreensiva. O que talvez não seja tão
apreciável é sua tendência a ser sempre tão compreensivo que acaba se envolvendo em romances e aventuras sexuais por pura pena e por incapacidade de dizer "não", quando então precisa mentir para se afastar. Pode ser que tanto a
empatia quanto o encantamento momentâneos estejam tornando-o demasiado generoso e ansioso para se entregar e obrigando-o a fazer o que mais detesta: magoar alguém.
Uma tendência para o excesso
Seu lema no amor é "quanto mais, melhor". Isso significa mais romantismo, mais luz de velas, mais declarações de amor e talvez mais parceiras também. Você pode justificar esse descomedimento baseando-se na ideologia de que ninguém
deve ser de ninguém, numa visão espiritual que prega que se deve ir em busca da alma gêmea ou num ideal estético que sempre postula que o atual companheira não é perfeita. Ou então você pode ser simplesmente honesto quanto a seu
amor pela variedade. O certo é que enfrentará algumas dificuldades se resolver assumir um compromisso com uma mulher pelo resto da vida. Não é que você não consiga amar, pois se existe algo que você faz é justamente amar
perdidamente e entregar-se por inteiro. Mas você também deseja aventura e é muito idealista no amor, e o tempo e a convivência são inimigos de um espírito tão romântico quanto o seu. Não há relacionamento, por mais apaixonado que
seja, que preserve automaticamente o mistério e o desafio. É preciso que você alimente a imprevisibilidade dele com férias ou viagens freqüentes com sua amada e eventuais escapadas das infindáveis responsabilidades da vida doméstica.
Além disso, é preciso que tenha sempre em mente que sua parceira pode não querer ficar a seu lado para sempre. Do contrário, você poderá ser fiel por uma questão de honra e idealismo, mas não por uma verdadeira vontade. É melhor
ser honesto quanto a sua própria inquietude, pois há muitas formas de viver esse espírito aventureiro - e algumas delas podem ser compatíveis com um relacionamento estável e não envolver mentiras nem infidelidades. De qualquer modo,
o ideal é não reprimir esse lado, senão poderá realmente meter-se em encrencas. Mais do que a grande maioria das pessoas, você está propenso a se apaixonar à primeira vista na hora e no lugar mais impróprios.
VI. CAMINHOS PARA A INTEGRAÇÃO
Como foi visto nas páginas anteriores, sua carta astrológica retrata com nitidez e profundidade muitos aspectos de sua vida. Mas você poderá ir além do mapa astral, valendo-se das prerrogativas de uma visão telescópica em vez de uma
aproximação microscópica, de forma a descortinar todo o panorama de sua peça teatral interior. Nos parágrafos seguintes, você encontrará algumas sugestões para viabilizar, por meio de um esforço consciente, a obtenção de uma maior
harmonia entre os diferentes componentes em ação dentro de você, além do fortalecimento daquela parte nuclear da personalidade que a psicologia chama de ego, o "eu". É provável que o livre-arbítrio não permita que alguém passe a ser
uma pessoa diferente de uma hora para outra. Todavia, esse mesmo livre-arbítrio pode proporcionar-lhe a chance de manter-se firmemente centrado em seu mapa astral e de interagir com os diversos aspectos de sua psique, ao invés de
errar às cegas, sentindo-se impotente e sujeito aos conflitos provocados por impulsos e contra-correntes que vêm de dentro de você mesmo e do mundo exterior. Apesar de certas configurações astrológicas poderem ser as mesmas para
duas pessoas distintas, suas reações podem ser muito diferentes: uma pode ser atormentada por seus demônios interiores como se fosse um pequeno barco sem timão, à mercê das ondas de um mar bravio, ao passo que a outra pode
manter-se íntegra e verdadeira como pessoa, conseguindo assim conduzir o barco com inteligência, por mais adversas que lhe sejam as marés.
Convivendo com os ritmos da vida
Você jamais encontrará a realização tentando ultrapassar os limites do dia-a-dia. Quaisquer que sejam seus dons criativos e a força de sua personalidade, seu caminho para a satisfação interior está em fazer as pazes com os rituais e ritmos
do mundo concreto, incluindo o emprego do tempo e o cuidado com o corpo e a mente. Você precisa aprender o que poderia ser chamado de a "Arte do Pequeno" - saber apreciar cada momento do dia e dar plena atenção aos detalhes que
valorizam cada hora. Seu corpo pode ser seu melhor amigo e guia, pois quanto mais entrar em sintonia com os hábitos e ritmos naturais dele, mais paz encontrará. Ter uma dieta saudável, sono suficiente e leitura atenta dos sinais de alerta
do corpo são preocupações que fazem parte dessa sintonia. Igualmente importantes são o amor e o cuidado que dedica às tarefas diárias, por mais corriqueiras e banais que pareçam. Resumindo, sua realização só virá através de uma
relação harmoniosa com o tempo, a matéria e a natureza cíclica de toda sua vida, tanto nas grandes quanto nas pequenas coisas. Sem essa relação, nada que faça o satisfará completamente. Mais que a maioria das pessoas, você precisa
basear firmemente suas realizações e aspirações pessoais no dia-a-dia de sua vida e na sua conformidade a esses ritmos, que não são menos divinos do que as mais fascinantes visões espirituais da realidade.
Entretanto, tal reconhecimento da importância das coisas simples pode ser difícil para você, pois sua verdadeira fidelidade é prestada a uma visão íntima que busca transcender a vida material. Isso significa que terá que trabalhar bastante
para encontrar o equilíbrio adequado. Embora sua natureza lute para deixar a terra para trás, seu corpo provavelmente o chamará de volta outra vez - talvez de forma um tanto violenta, caso se identifique demais com as figuras míticas de
sua imaginação e espírito. A tentativa de prender-se mais à terra não irá destruir sua visão nem sua fé; só irá enriquecer o veículo através do qual sua visão se transmite -ou seja, você mesmo, uma pessoa real e igual às outras, que sabe lidar
tanto com a beleza e a magia quanto com as limitações e as frustrações.
Enfrentando o medo de ser criticado
Há uma parte de sua vida na qual todo e qualquer esforço para enfrentar e superar suas ansiedades resultará num grande aumento de sua força e amor-próprio. Essa área compreende a esfera da comunicação, expressão e troca de idéias
com os outros, e é justamente onde você se mostra mais desajeitado e sensível à crítica e à rejeição. Além de ser muito reflexivo, você tem profundidade e seriedade de raciocínio, mas talvez tenha tido dificuldade em se fazer entender pelos
outros, principalmente quando era mais jovem e tinha de fazer frente a irmãos, professores e colegas. Para você, a conversa do dia-a-dia é algo que não flui facilmente, pois, embora possa se destacar nos conhecimentos práticos ou na
profunda compreensão de um determinado campo de interesse, se sente pouco à vontade no tocante às sutilezas e delicadezas sociais. O problema é que você não espera que os outros o compreendam ou que gostem de você e teme
parecer-lhes maçante, tolo e mal articulado. Porém, quanto mais se esforçar para enfrentar esse desafio e expressar seu "eu" comum - juntamente com todos aqueles sentimentos, atitudes e observações aparentemente banais que carecem
de profundidade mas são eminentemente humanos -, menos isolado se sentirá e mais confiança terá para expor os valores profundos que mais lhe importam.
Assim, um de seus principais medos - o de ser mal interpretado e parecer aos outros mal articulado e pouco inteligente - pode tornar-se uma base indestrutível na qual organizar e estruturar sua vida cotidiana. Ao aprender a formular e
comunicar suas idéias e sentimentos, estará desenvolvendo confiança em sua própria auto-suficiência e inteligência e poderá se dedicar de forma menos tensa ao aperfeiçoamento das habilidades que refletem seus valores mais profundos -
sem se sentir à mercê da desaprovação e rejeição dos outros.
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