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Excerto de "Where in the World?" Astro*Carto*Graphy
and Relocation Charts. Por Erin Sullivan. Vol. 12 da
Série CPA. Centro de Astrologia Psicológica,
Londres. 1999. Disponível online em Midheaven
Books (em inglês).
Mudar de lugar –
para
quê a deslocação?
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Quando nos deslocamos fisicamente, podem
ocorrer alterações radicais no horóscopo.
No entanto, estas alterações podem também
ser subtis. Por exemplo, se nos deslocamos apenas uma
curta distância e, mesmo assim, essa deslocação
altera o nosso sistema de casas, transpondo o Sol ou
a Lua para uma outra casa, essa deslocação é importante.
Normalmente, não nos apercebemos dessa mudança
no minuto em que chegamos, porque é necessário
algum tempo e muita energia para conseguir uma alteração
significativa, sendo pouco provável sentirmos,
de repente, "Oh que bom, o meu Sol acabou de se
mover da minha oitava casa para a sétima, e
por isso as minhas relações vão
melhorar bastante, e já não vou ter que
lidar mais com os mistérios da vida, mas com
amizades, relacionamentos e coisas mais leves".
Seria um absurdo.
No entanto, podemos perceber que, se nos mudámos
para outro local, e passámos a viver lá durante
uns dois anos, - um retorno de Marte é mais
ou menos o tempo necessário para criar raízes
num local – esse tipo de mudança vai ser
notória. Continuaremos a ser a mesma pessoa,
e o Sol manterá o mesmo aspecto, digamos que
faz quadratura com Saturno, portanto seremos o mesmo
indivíduo com fortes desafios interiores.
Continuaremos a ter de lidar com o stress e com trabalho árduo,
mas podemos perceber que, em termos de parcerias e
relacionamentos, somos menos introspectivos e mais
envolvidos – que já não nos isolamos
tanto (Sol na casa oito) e somos mais capazes de lidar
com outras pessoas.
Quanto mais distante da terra natal for o local para
onde nos deslocamos, mais radicais serão as
mudanças que sofremos. Penso que, se considerarmos
a deslocação como uma opção,
em vez de algo circunstancial, então é bom
que sejamos práticos e que consideremos todas
as ramificações e também as cartas
de deslocação (relocação).
Por outras palavras, existem muitas razões
para nos deslocarmos. As duas razões básicas
são ter que mudar, ou então querer mudar.
Muitas pessoas deslocam-se porque se sentem estética
ou pragmaticamente atraídas por um lugar. O
trabalho é melhor, a educação,
as atracções culturais, a estética é mais
apelativa, é melhor para a família, e
por aí afora.
É por isso que acredito que o Astro*Carto*Grafia é uma
ferramenta importante, porque, se emigrarmos de uma
parte do mundo para outra, então é importante
ver o "aspecto" geral da zona.
As pessoas que sentem um desejo urgente de ir para
outro país por razões que não
sejam o tipo de edifício ou o trabalho artístico,
geralmente estão a responder a um apelo da alma – existe
alguma ligação da alma ao local, algum
trabalho de fundo que precisa de ser realizado nesse
lugar. A Astro*Carto*Grafia pode mostrar-lhe as linhas
gerais, mas a carta de deslocação (relocação)
dar-lhe-á o retrato mais específico dessa
zona.
O retrato geral é a Astro*Carto*Grafia, e o
retrato local é a efectiva realização
do horóscopo para a pequena aldeia, vila ou
grande cidade onde queremos viver, digamos dentro de
um raio de proximidade de 600 milhas da zona que nos
atrai. Podemos usar ambas. Uma vez que a Astro*Carto*Grafia
não mostra as casas, mas o poder energético,
vale também a pena olhar para as casas.[*]
Por exemplo, se estamos a considerar a escolha entre
dois lugares diferentes porque gostamos de ambos, e
uma das linhas principais da A*C*G passa entre as duas,
ou está perto de ambas, então a carta
de deslocação (relocação)
vai apurar qual o melhor dos dois locais. Partindo
do princípio de que ambos estão igualmente
bem posicionados nos nossos corações
como possíveis lugares para onde ir, e se a
escolha pode ser feita racionalmente através
do mapa, então nesse caso estes métodos
serão úteis para si ou para os seus clientes.
Mudanças
subtis –
mesma pessoa, perspectiva diferente
Digamos que você quer mudar-se para Sydney
ou para Melbourne, na Austrália. São
lugares suficientemente longínquos para provocar
uma diferença subtil na carta de deslocação
(relocação). Inicialmente, a Astro*Carto*Grafia
pode tê-lo atraído para aquela parte do
mundo por ser melhor para si, por diversas razões,
talvez uma linha Vénus/Descendente cruzando
uma linha Lua/Meio do Céu esteja a acontecer
junto à linha costeira, a meio caminho entre
duas cidades muito diferentes. Neste caso, a zona é óptima
para ser tida em consideração, mas quais
são os detalhes?
Se fizermos uma carta de deslocação
para Sydney e outra para Melbourne ou Adelaide, então
iremos encontrar diferenças subtis entre a forma
como o nosso "eu natal" e o nosso "eu
construído" se relacionam com cada área,
e como cada uma das zonas recebe a nossa energia.
Uma das cidades em questão pode realçar
a ideia de desafio na carreira, com o Sol na casa dez,
por exemplo, enquanto, se formos mais para oeste, de
modo a que a ênfase solar seja colocada na casa
nove, pode acontecer que estejamos mais receptivos à aprendizagem,
ao estudo - sermos estudantes entusiastas em vez de
estarmos tão orientados para a carreira.
A mudança pode ser bastante subtil. Se eu estivesse
a considerar uma deslocação, tomaria
em conta a minha própria natureza, as minhas
circunstâncias, as características do
próprio local em questão e também
os meus planetas, e tentaria então encontrar
o local que mais melhorasse a performance dos meus
planetas.
Onde é que os planetas vão ser mais
felizes? Onde é que vão tornar-se mais
produtivos? Onde é que o processo de individualização
seria mais facilitado, especialmente se queremos desenvolver
um aspecto menos evoluído ou mais obscuro da
nossa personalidade.
Se estamos a pensar numa deslocação,
então devemos baseá-la em aspectos estéticos,
práticos e astrológicos. Por exemplo,
penso que alguns planetas funcionam melhor em locais
mais sossegados, pouco angulares. Eu avaliaria com
especial cuidado a hipótese de me mudar para
um lugar com aspectos angulares difíceis, a
menos que quisesse tirar partido dessa configuração,
em termos sociais ou políticos.
Refiro-me com isto a configurações geracionais
pesadas, como as conjunções Saturno/Urano,
Urano/Plutão, Saturno/Neptuno, ou o alinhamento
em cruz que ocorre quando Júpiter, Urano e Saturno
estão em Libra, como aconteceu na década
de 50, e por aí afora.
Estas são configurações importantes
que denotam uma ligação individual a
um plano ou tema colectivos e, se forem demasiado pesadas
para serem suportados por um indivíduo de forma
angular – consciente - então ocorrerão
acontecimentos extraordinários.
Escolhas –
o
céu na terra
Recordemos a espantosa história de Christopher,
no seminário anterior (secção
de Astro*Carto*Grafia deste livro), que tinha uma conjunção
entre Saturno e Urano na décima casa, tornando-se
angular em África, e que, em vez de se tornar
um porta-voz do colectivo, acabou por se tornar uma
vítima das políticas colectivas externas.
Aventuras com este nível de intensidade não
são bem acolhidas por todos nós.(Números
8 e 8A do anterior seminário sobre Astro*Carto*Grafia).
Quando consideramos uma deslocação,
o melhor local para começar é em casa,
ponderando o nosso próprio "eu". Como é que
preferimos vivenciar o nosso potencial celeste? Onde é que
gostaríamos de ver os aspectos astrais mais
estimulantes, no contexto da nossa vida? Preferimos
tê-los concentrados na casa nove, onde podem
proporcionar uma discussão com os deuses ou
uma demanda filosófica, ou então na quinta
casa, onde podem proporcionar maior interacção
com crianças ou com o ser amado, ou preferimos
correr riscos especulativos que podem ser bastante
perigosos?
Estes são, então, alguns dos aspectos
importantes a ter em mente. Existem pessoas que transferiram
um aspecto natal difícil, incontornável
e inexorável, digamos, da quarta casa, que os
obrigava constantemente a lidar com assuntos de família,
transformações familiares, e a gerir
todos estes aspectos no microcosmos do núcleo
familiar, deslocando-os de forma a poderem usá-los
para transformar a sociedade.
Uma dos minhas clientes, cujo caso é relatado
em "A Astrologia da Dinâmica Familiar",
que tinha uma "doença esgotante",
conhecida como Síndroma da Fadiga Crónica
há quase sete anos, a doença da imunodeficiência,
nasceu com uma conjunção de Urano e Plutão
no Ascendente, oposta a Saturno no Descendente e formando
uma cruz em T com uma conjunção Marte/
Vénus em Sagitário na quarta casa. Ela
vivia continuamente os dilemas familiares, tanto no
mundo psicológico como no físico, até que
esta vivência se tornou somática – ficou
doente e teve de encarar e lidar com o problema.
A boa notícia é que no final, enquanto
eu escrevia a história para o livro, tive de
acrescentar à última da hora um anexo,
dizendo que ela se tinha casado, ido viver para outra
parte do mundo e transformado esse drama familiar num
outro, mais agradável. No local onde agora se
encontra, tem um aspecto Urano/ Plutão/ Meio
do Céu; Saturno/IC com Marte/ Vénus/
Ascendente, e o desafio é bem mais saudável,
viver e trabalhar num local excitante onde lhe oferecem
tarefas diplomáticas, com trabalho de meditação
na "zona bélica" e por aí afora.
Deslocou a cruz em T para uma preponderância
angular diferente!
É, portanto, possível transferir esta
incidência de nós próprios, através
de uma deslocação, mas para Fiona a dinâmica
familiar continua a existir, o trabalho ainda existe,
a cruz em T ainda lá está, mas agora
com uma nova incidência, porque Fiona passou
a usar-se a si própria de uma forma diferente.
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[*] Por que razão é que esta
deslocação tem em conta as casas
e não a Astro*Carto*Grafia?
Os mapas do Horóscopo e da Astro*Carto*Grafia
usam sistemas diferentes, mostram aspectos diferentes,
e traduzem cenários astronómicos
distintos.
A Astro*Carto*Grafia incide apenas na angularidade
dos planetas, tendo em conta a latitude e a longitude
zodiacal, e assim temos uma visão mais
exacta dos planetas no céu, e não
apenas da eclíptica. As casas do Horóscopo
baseiam-se numa visão terrestre e eclíptica
(zodíaco) do céu, enquanto as linhas
angulares de um mapa da Astro*Carto*Grafia se
baseiam numa visão celeste – planetária – da
Terra.
As casas estão lá, em locais específicos,
mas não constituem o aspecto principal
de um mapa da Astro*Carto*Grafia. Filosoficamente,
este baseia-se na energia gerada pela angularidade.
Por outras palavras, se um planeta apresenta
um ângulo, tem mais poder do que teria
se estivesse situado numa casa intermédia.
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Excerto
de
Erin Sullivan:
Where in the World? - Astro*Carto*Graphy and Relocation
Charts.
CPA Press, London.
Disponível
online em (em inglês)
www.midheavenbooks.com
Website do Erin Sullivan
www.erinsullivan.com
Traduzido por
Dora Alexandre
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