Vénus
por Dana Gerhardt

Vénus foi sempre o meu segredo inconfessável. Tenho Vénus em Escorpião. Quando era astróloga principiante aprendi que isto significava que eu era detentora de uma feminilidade intensa, sedutora que arde lentamente. Eu não me importaria nada de assumir esta energia. Eu até lidaria bem com a sua reputação sombria de feiticeira vingativa. No entanto, as costumeiras interpretações de Vénus em Escorpião nunca me soaram verdadeiras. Este é o meu planeta vivido de forma inconsciente. Há uns anos atrás, o meu marido deixou-me por uma mulher que provavelmente tinha Vénus em Escorpião. Ela era sombria, misteriosa e apaixonadamente sexual, "tudo", disse ele, "aquilo que tu não és".

O meu mapa conta a história do despojar do meu planeta. Vénus está na 3ª casa dos irmãos. À minha irmã coube a Vénus na família. Ela era a favorita do meu pai. Com cabelo escuro comprido e olhos amendoados, ela sabia andar de bicicleta, de skate e galopar a cavalo facilmente. Eu era desajeitada, usava óculos e cabelo castanho claro curto e não havia nada de sedutor a meu respeito. Sempre me senti invisivelmente inibida no que aos assuntos de Vénus dizia respeito. Isso é Plutão em quadratura a Vénus a partir da minha casa XII. Estivesse Plutão noutra casa e eu seria mais intensa, fervorosa e talvez obsessiva, tal como por vezes esta quadratura de Plutão é descrita. Mas eu tenho experimentado este aspecto sobretudo como uma profunda desadequação e até mesmo medo relativamente ao sexo masculino. A minha Vénus é ainda alvo de uma quadratura com a Lua,um sinal de rivalidade feminina. Este aspecto descreve tipicamente uma rivalidade mãe-filha,com a mãe a minar subtilmente a feminilidade da filha rival. Talvez seja devido a esse outro triângulo na nossa família que a minha mãe minou a minha meninice convertendo-me na sua favorita, com uma mensagem de género ambígua. Ela elogiava-me frequentemente pela minha inteligência e força de caráter, mas nunca pela minha beleza.

Desde muito cedo, aos quatro ou talvez cinco anos, eu desisti de ser menina. Com Vénus em conjunção ao inteligente Mercúrio, eu sempre adotei um estilo andrógino e intelectual. Fossem quais fossem as paixões emanadas pela vibração do Escorpião, eu sublimei-as em interesses da 3ª casa, tais como um amor ardente pela beleza da linguagem, um empenho na aprendizagem, um desejo de sondar as profundezas do pensamento. Durante a minha gravidez fiquei bastante aliviada ao saber que iria ter um filho. Tão impotente em torno de laços e rendas cor-de-rosa, a ideia de ter uma filha aterrorizava-me. Como é que eu a vestiria? Como é que eu a pentearia? O que é que eu possivelmente lhe poderia ensinar?

Tão absorvida pelo meu próprio desconforto relativamente a Vénus, demorei algum tempo a levantar a cabeça e a descobrir que muitos de vós também não têm um bom relacionamento com ela. Possuímos diferentes histórias que indicam diferentes despojamentos. Mas se nós avaliarmos a saúde da nossa Vénus cultural pelas perguntas que as pessoas colocam aos astrólogos, facilmente concluímos que ela é escassamente assumida. A seguir às questões sobre o propósito ("Quem sou eu realmente?" e "O que devo fazer com a minha vida", a maioria das pessoas quer saber como obter mais coisas relacionadas como Vénus. Querem mais amor, mais dinheiro, mais felicidade, querem ser mais atraentes e apreciados por quem amam. A epidemia cultural de baixa autoestima,os casamentos sem paixão e o trabalho sem alegria são tantas outras provas do quanto sentimos a sua falta e ansiamos por ela.

Escultura Então, quem é de facto Vénus? Ela é mais do que absoluta feminilidade. Ela preside a muitas das coisas boas da vida. É claro que ela é a rapariga feliz e perfeita do anúncio de cerveja. Mas ela é também a gota sensual de chocolate, o riso saudável e despreocupado. Ela é um colar de diamantes, uma tarde deliciosamente preguiçosa. Se quiser cultivar a sua Vénus interna, ponha os seus dedos a dançar ao longo de um lençol de seda ou cheire o couro de boa qualidade de um carro de luxo. Vénus também é perversa, orgástico, divertida. Também é graciosa e artística. Ela é Marilyn Monroe e Jackie Onassis. Ela é a sensualidade e a fertilidade da terra na sua emanação taurina. Ela é a doce harmonia e o equilíbrio judicioso na sua natureza libriana estética e vaporosa. Poderá localizá-la numa elegante equação matemática. Poderá ouvi-la cantar através de um espanta-espírito ou de um coro matinal de pássaros. Faça escorregar um cubo de gelo pelas suas costas abaixo e ela gemerá de prazer. Ela tanto é compostura como erotismo, entrega selvagem e bom gosto. Enquanto deusa do amor e da abundância, é ela que torna esta terra tão aprazível. Então porque diabo haveremos de ter seja que problema for com ela?

A Vénus dos nossos dias está irremediavelmente frustrada. O nosso mais duradouro ícone pop venusiano, Marylin Monroe, é conhecida de uma vez por duas qualidades: a sua sedução e a sua infelicidade. Não é caso único. Tenhamos em conta Elizabeth Taylor, Jacqueline Kennedy e Lady Di, outros ícones venusianos do final do século XX. Cada uma possui tanto apesar de se sentir dolorosamente insatisfeita. O que possuíam em termos de dinheiro, status e beleza parecia faltar-lhes em termos de amor verdadeiro e felicidade pessoal. Ou pelo menos é o que nos contam os nossos mitos sobre elas. As suas histórias confirmam as nossas expectativas modernas de esperanças frustradas e de grande beleza subjugada pela tragédia pessoal. As nossas fantasias românticas glorificam frequentemente a infelicidade, a dor do anseio, a doce mágoa do adeus. É verdade. A ausência de algo faz emergir as suas melhores qualidades. Porém quantas vezes, quando os nossos desejos são satisfeitos, nos tornamos nós complacentes ou críticos, negligenciando por completo a nossa alegria? Podemos ansiar pelos nossos companheiros românticos e endeusá-los, para que possam (suspiro)compensar-nos por tudo aquilo de que carece a nossa vida. Quando eles caem na terra com pés de barro, partimos no encalço de outra fantasia. A pobreza essencial desta abordagem é o vazio contínuo que a inspira. Quando precisamos de alguém ou de algo que nos complete, ordenamos à nossa Vénus que mendigue pelas ruas com uma tigela de pedinte.

Não é de espantar, que tantas pessoas se desloquem aos astrólogos na esperança de obter algumas felizes novidades de Vénus. Os astrólogos estudam Vénus nos mapas à procura de pistas sobre os relacionamentos e finanças dos consulentes. Amor e dinheiro representam os nossos conceitos de felicidade. Mas será que são dádivas dela? Então e se o posicionamento de Vénus sugerir na verdade onde é que nós estaremos destinados a servir os seus interesses, ao invés de ser ao contrário? Em tempos idos, quando a vida de alguém corria mal, o trabalho do oráculo era identificar que deus ou deusa fora ofendido e que oferenda restabeleceria a normalidade. A maior parte dos livros de astrologia dir-me-á que Vénus em Escorpião significa que sou ciumenta e cheia de luxúria. Mas não seria mais interessante se me revelassem o que Vénus em Escorpião pretende de mim? Se não me dissessem como é que eu sou mas antes o que é que tenho de fazer? Até lá o meu potencial para o prazer poderá permanecer uma bela adormecida numa floresta de espinhos. Poderá a astrologia ser a portadora do beijo mágico que acordará a minha Vénus? Quem é de facto Vénus? O que é que é importante para ela?

Os Gregos conheciam-na como Afrodite. A sua deusa não é uma estratega brilhante como Atena, nem uma hábil caçadora como Ártemis. Ela viaja com os homens mas não enquanto adversária. De beleza radiante e requintadamente graciosa, ela é uma femme irresistible, versada nas inúmeras artes da sedução. Ela sabe como agradar e gosta de ser agradada. O deus ferreiro Hefesto casou com ela, mas ela é associada romanticamente a muitos outros, incluindo os deuses Ares, Dionísio e Hermes assim como os mortais Adónis e Anquises. Existem mesmo rumores incestuosos acerca de Zeus, o seu pai de aparência terrena. Entre os seus muitos filhos encontram-se o herói Eneias, Príapo com seu grande falo e Hermafrodito com genitália feminina e masculina. Está rodeada de uma sexualidade despudorada. É claro que o filho mais famoso dela é Eros, aquele querubim do desejo com flechas devastadoras. Há muitas histórias acerca do seu nascimento, mas a mais famosa conta que ela se ergueu totalmente formada, da espuma do mar formada pelos genitais castrados de Úrano. Construíram-se templos em sua honra e sacerdotisas honravam-na com artes sexuais. É frequentemente retratada nua de pé em cima de uma concha do mar gigante (símbolo da vulva).

A ligação de Afrodite quer aos genitais masculinos quer aos genitais femininos é tão acentuada, que temos de considerá-la essencial à compreensão dos seus valores. Porém como transpô-la para os nossos mapas astrológicos? E como é que reconciliamos a sua sexualidade despudorada com os nossos valores feministas do século XXI? Lutámos muito para que as mulheres fossem consideradas mais do que objetos sexuais. Temos ainda de reconhecer a mancha que dois mil anos de Cristianismo lançaram sobre o despudorado salve-se quem puder erótico. Muitos de nós descobrimos os nossos sentimentos eróticos na juventude, sozinhos e em segredo. O não sermos capazes de os partilhar com ninguém para sempre mancha a nossa sexualidade com uma certa inquietação e vergonha. Estamos constantemente a ser ensinados acerca dos métodos e virtudes do trabalho mas pouco se tem falado das técnicas e da importância do prazer. De pouco nos serve também o legado medieval do amor cortês. Apesar de ser tormento de uns poucos cavaleiros e trovadores privilegiados, este estilo idealista e casto de amar moldou profundamente e distorceu as nossas noções contemporâneas de romance. Passemos a sensual Afrodite por todos estes filtros e ela sairá bastante deturpada, e talvez seja por isso que nós ao contrário dos Gregos, nunca lhe tenhamos construído um templo honesto. É claro que tal negligência é de enfurecer qualquer deusa.

De facto, o psicólogo James Hillman pensa que a Afrodite está bastante zangada. Esta deusa da sexualidade espera que nós reconheçamos que o sexo é uma força sagrada e expressiva da nossa alma. Ela quer que nos incendiemos com a sua centelha divina,que nos tornemos instrumentos do prazer. Quer que eliminemos o tédio e o cansaço com alegria celestial, para saborear, tocar e cheirar o nosso rico e belo mundo. Quer que saibamos que a comunhão arrebatada com a força da vida durante o sexo sagrado far-nos-á sentir curados e inteiros. Então as nossas vidas e tudo o que encontremos será abençoado com o riso, o brilho e o encanto de Afrodite. Mas quando minimizamos a dádiva dela, quando a secularizamos, falsificamos, evitamos e nos sentimos culpados acerca dela, desonramos profundamente os seus poderes. Uma deusa desdenhada é uma deusa à procura de vingança, e Vénus fá-lo, diz Hillman através de uma loucura cor-de-rosa. Diz Vénus, invadirei todos os recantos do mundo contemporâneo que durante tanto tempo me negou com uma loucura cor-de-rosa. Pornografarei os vossos carros e comida, os vossos anúncios e férias, os vossos livros e filmes, as vossas escolas e famílias. Far-me-ei presente nas vossas t-shirts e roupa interior, até mesmo nas vossas fraldas, entre os vossos adolescentes, nos seus slogans e canções e entre as senhoras de idade e cavalheiros nas casas de repouso, entre os transeuntes em San Diego e em Miami Beach. Mostrar-lhes-ei mostrando, até as vossas mentes estarem envoltas numa névoa rosa com desejos românticos, desejos de fuga; encontros amorosos, ninhos, doces. Ou seja a civilização será enfeitiçada, para entrar no meu domínio, no meu jardim secreto. Eu excitarei toda a vossa cultura de tal modo que até aqueles que estão a tentar curar as suas neuroses, bem como os seus sóbrios psicanalistas, não terão outro assunto de conversa que não seja desejo, fruição, sedução, incesto, assédio e vaidade.[1]

Com os seus inúmeros relacionamentos sexuais, Vénus invoca a nossa capacidade de sermos promíscuos com todas as formas de vida, de desfrutar delas, de nos rendermos a elas, de brincar com elas e de criar a partir delas. Quando o Sol é criativo, quer exprimir-se e ser reconhecido. Vénus, no entanto, cria apenas pela emoção de criar. Quando Vénus se empenha, a nossa criatividade é erótica. A sua ausência poderá portanto ser a razão pela qual alguns projectos criativos fracassam, sobrecarregados por objectivos e expetativas. Vénus recorda-nos que a diversão é arte do mais alto nível. E é um profundo atributo do cosmos. Sem o Sol não existiria vida, mas sem o desejo de Afrodite, representado pelo abraço da gravidade e pelo corpo receptivo e fértil da terra, não existiria qualquer jardim, criação ou beleza. O facto do nosso paraíso terrestre existir já é extraordinário. Nada disto é necessário. De certo modo, é tudo um luxo. Mas que luxo! Se não retirarmos prazer destes luxos quotidianos da nossa existência, então passaremos de facto ao lado do significado de Vénus/Afrodite.

Dana Gerhardt

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Acerca de Dana Gerhardt
Possuir Vénus num mapa, implica, portanto, certas obrigações. Quer esteja na sua 4ª casa da família e do lar, na sua 11ª casa dos amigos, na sua 9ª casa da filosofia, onde quer que ela surja, é necessário responder às suas questões. Você embeleza esta área da sua vida? Você oferece-se tempo para experiências sensuais aqui? Permite-se abrir e render-se? Ri, aprecia, brinca de forma a inspirar todos à sua volta com a sua alegria? O signo onde se encontra Vénus sugere como decorar o seu templo, recheando-o com aquilo que mais lhe agrada, conforta e honra. Interprete os aspectos feitos por ela aos outros planetas como histórias das suas escapadelas, de onde ela se sentia mais extasiada ou talvez desafiada e até mesmo excedida. Deixe que a aprendizagem acerca da sua Vénus seja um ato de prazer, e não um trabalho enfadonho. Comece com qualquer sentimento de felicidade que sinta na casa e signo dela e comece a construir sobre isso. Toda a gente sente alguma alegria por mais sombria que seja a sua paisagem. Recordo-me de uma história que um professor uma vez me contou. Ele estava na fila do refeitório com um colega de tendências suicidas, quando este homem interrompeu a sua narrativa deprimente e repleta de miséria, para instruir o empregado acerca de uma batata assada. Cuidadosamente, escolheu a pretendida e todas as coberturas extra a pôr-lhe em cima. Foi um momento, não importa o quão insignificante, em que Vénus esteve viva, em que o desejo se sobrepôs à morte.

Vénus pede que abracemos o nosso próprio deleite. Mas devido à supressão cultural de Vénus, isto nem sempre é fácil. A famosa estátua sem braços da Vénus de Milo no Louvre invoca a nossa condição psíquica com uma precisão sagaz. A uma Vénus sem braços falta a capacidade para o compromisso sensual com o mundo. Ela é incapaz do próprio abraço que a define, desejando com os olhos, a mente e o coração mas incapaz de possuir e agarrar. Mais instrutivo é A Primavera de Botticelli. Neste quadro Vénus levanta uma mão em aprovação da cena em torno dela. Ela é Vénus a admiradora, a esteta. Com a outra mão ela segura a sua túnica, um gesto de autodomínio. O Nascimento de Vénus é igualmente inspirador. Ao contrário dos amantes na urna de Keats, sempre à procura externamente de algo futuro, aqui Vénus surge de pé nua na sua concha gigante, completamente centrada no momento, abraçando o seu corpo-prazer, majestosa na sua alegria.

Aqueles que não vivenciam naturalmente esta forma de estar precisam de bons exemplos de Vénus. Tenho a sorte de ter três amigas com Vénus nos setores de Gauquelin [2] dos seus mapas. Uma tem Vénus conjunta ao Ascendente. O caso dela é um eco surpreendente da história de Afrodite: ela tem um marido artesão semelhante ao Hefesto que a adorna com jóias feitas à mão e existe outro homem com quem ela tem um caso. Jill é uma namoradeira incurável. Quando ela acaba de levar a melhor sobre uma rival, ela faz o gesto venusiano muito convincente de uma gata orgulhosa e satisfeita a lamber a pata. Um vez interroguei-a acerca do seu namoriscar, uma actividade que sempre me confundiu. Ela sentia que o seu segredo era o riso. "Os homens", disse ela, sabem exactamente o que eu pretendo quando rio." Entre os Gregos, Afrodite era conhecida como "a deusa amante do riso". O riso é a forma que Afrodite tem de nos pôr à vontade. E pode indicar que nos sabemos divertir.

A minha segunda amiga tem Vénus conjunta ao Meio-do-Céu. Carol tem desfrutado de um bom sucesso profissional, tendo ascendido a um cargo de autoridade com um bom salário apesar de possuir apenas o ensino secundário e de ser bastante mais nova que os seus pares. No escritório ela é frequentemente o centro das atenções. E ela é bonita, sabe exactamente como desenhar o contorno dos olhos e pôr sombra, e num mundo que glorifica a mulher anorética, não sente vergonha das suas curvas voluptuosas dentro das suas calças de ganga justas. Ela tanto pode ser libidinosa como pudica. Em ocasiões formais (Meio-do-Céu) ela é bastante sagaz no respeito das convenções sociais correctas. Na sua despedida de solteira, observei o encanto notável e a habilidade com que ela transformou a reunião na modesta sala de estar no evento mais importante e elegante do mundo (era-o para ela). Com a Carol aprendi como a confiança de Afrodite na beleza e o seu compromisso com ela faz que nós outros também disfrutemos dela.

A minha terceira amiga tem Vénus conjunta ao Descendente, na sua própria casa, um lugar de honra. Andrea é alta e elegante. Ela usa as pérolas de uma forma tão natural que estas até para uma ida à lavandaria parecem apropriadas. Ela nutre uma paixão quase obsessiva por bons lençóis. Desde muito cedo ela quis ser artista, mas contentou-se com o seu casamento com um. Uma vez perguntei-lhe como é que ela lidava com as atenções dos homens que não lhe interessavam, algo que sempre me tornou pesarosamente co-dependente. Suspeitava que esse tipo de situação lhe acontecera amiúde. Ela por um momento ficou pensativa, depois foi instintivamente à procura da resposta na sua 7ª casa. "tento pôr-me sempre no lugar deles e depois digo-lhes do mesmo modo que eu gostava que mo dissessem"; "Então e se eles não perceberem?", perguntei eu. "Então a forma mais simpática é dize-lo gentilmente mas de forma muito direta." Era a voz de Afrodite doce mas com autodomínio.

Tenho assistido a momentos, em que cada uma destas mulheres vai além da simples habilidade de mulher mortal. No entanto, se eu tivesse de apontar o traço que as une, eu diria que é este: fiquei incrivelmente desapontada quando finalmente conheci os seus companheiros. Não havia nada de errado neles. É apenas, pelo modo como cada uma falava sempre do seu amante, eu imaginava que fossem deuses sem tirar nem pôr. Apesar de cada uma delas estar com o seu companheiro há já algum tempo, ainda falam do seu homem com suspiros celestiais e olhos translúcidos, de uma forma efusiva que nós outros reservamos para os nossos parceiros durante os três primeiros meses. Mas a adoração delas não é nem a fantasia do início do romance, nem a subserviência de uma mulher. As três, são mulheres fortes e claramente conscientes da humanidade dos seus amantes. Ainda assim, elas conseguem ver alguém que as encanta. E este é o segredo mais profundo de Afrodite: ela sabe como manter o encantamento do amor.

Podemos contudo interrogarmo-nos acerca da lendária promiscuidade de Afrodite. O que é que a promiscuidade implica? Quem é promíscuo nunca se fixa num relacionamento; todavia, cada ligação é detentora da excitação e da curiosidade de algo novo. Nalgum momento da nossa parceria, a maior parte de nós troca Vénus pela presença mais exigente da nossa Lua. Queremos segurança, temos necessidades, temos uma noção do passado. Ao perdermos espontaneidade, atribuímos significados profundos a cada ação. Se a Lua do parceiro esquece um pedido, a Lua tem a certeza de que ele ou ela não se importa. Deslizando para os velhos padrões, a Lua interroga-se se alguma vez o seu parceiro a fará feliz. Mas a autocontrolada Vénus encara o desapontamento de uma outra forma, não como o reflexo da sua falta de valor, mas como a oportunidade de descobrir o seu outro eu. Ela até se pode divertir; deliciada com a intensidade que distrai o seu amante, encantada com o jornal que ele transporta para todo o lado, carregado de anotações, porque o seu amante, entusiástico como uma criança, não se consegue lembrar de nada, a menos que esteja escrito. Até poderá ser isto que torna o seu companheiro ainda mais querido.

Vénus enquanto cortesã encanta-se ao ser encantada. Ela gosta de gostar de tudo o que vê. Há algo de excitante nesta forma de promiscuidade. É uma disponibilidade para ser surpreendida. E é uma disponibilidade para se sentir insegura, desconhecendo aonde tudo isto a levará. Esta forma de Eros é algo que podemos levar para qualquer parte. Para os nossos casamentos, para as nossas carreiras até mesmo para os nossos relacionamentos com as nossas crianças e amigos, para qualquer encontro com o nosso mundo. Este compromisso erótico foi bem descrito pela monja budista, Pema Chodron[3], que sugere que nos devemos movimentar pela vida com um assombro expetante, interrogando-nos, por exemplo, quando puxamos o autoclismo, se a água vai rodopiar para baixo ou para cima e como é prazeroso quando ela rodopia para baixo. Consegue imaginar como será interessante saborear o jantar desta noite quando não sabe o que esperar da sua massa? Consegue imaginar como será prazerosa a presença do seu filho quando se sente constantemente insegura quanto àquilo em que ele ou ela se irá tornar? Quando captado com olhos frescos e coração aberto tudo pode ser bonito ou fascinante, tudo poderá inspirar o seu amor.

Nem todas as histórias de Vénus são felizes. Afinal de contas foi ela que começou a guerra de Tróia. E houve uma vez em que Hefesto o seu marido ao suspeitar da sua infidelidade, a encurralou numa rede quando dormia nua com Ares para que todo o Monte Olimpo olhasse com cobiça e fizesse troça. A lição aqui é óbvia: Quando se age com base na nossa natureza venusiana, pode-se ser exposto. Com Vénus invocam-se os valores, que revelam e encurralam. Ela é a deusa das escolhas. E as escolhas acarretam consequências. Por isso há sempre um preço a pagar por ela. Pode-se encará-la de ânimo leve mas então a paixão desaparecerá. Vénus diz: incendeia-te. Podemos meter-nos em sarilhos. Talvez comecemos uma guerra. A vida não será tão segura. Mas então, sem Vénus, será que a vida continuaria a ser vida?


  1. James Hillman, Pink Madness, Primavera de 57, Connecticut: Primavera 1995, p. 41.
  2. Michel Gauquelin é um estatístico e astrólogo francês que demonstrou a força dos planetas nos 10 graus de cada lado dos ângulos.
  3. Pema Chodron, Awakening Compassion, (Sounds True Audio, 1995)

Moonprints por Dana Gerhardt

Ir para Moonprints Popular entre os leitores da "The Mountain Astrologer" há quase duas décadas, esta bonita análise lança um olhar profundo sobre os seus alicerces emocionais. Ganhará uma nova perspectiva em relação à sua Lua natal – a sua fase, signo,aspectos e casa. Descubra a sua missão, talentos escondidos e zonas perigosas através dos nodos lunares. Use a Lua para se posicionar no tempo – através dos trânsitos à Lua, do signo e casa ocupados pela Lua progredida, das datas para dois ciclos lunares progredidos e ainda de um ano de Luas Novas e Cheias em torno do seu mapa. Quererá ler cada página desta análise, concebida para agradar tanto aos iniciantes como aos estudantes de astrologia mais adiantados.
Moonprints em mooncircles.com

Traduzido do Inglês por Patrícia Vieira Neves (Portugal)

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Astro Wiki
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Posições actuais dos planetas
19-Set-2014, 08:08 UT/GMT
Sol26Virgem19' 8"
Lua2Leão27'33"
Mercúrio22Libra28'35"
Vênus16Virgem53'21"
Marte3Sagitário38'47"
Júpiter13Leão48'36"
Saturno19Escorpião26'16"
Urano15Áries14'47"r
Netuno5Peixes37'52"r
Plutão10Capricórni59'58"r
Nodo Lun.true19Libra29' 8"r
Quíron14Peixes52'13"r
Explanations of the symbols
Mapa do momento
Astrologer watching the sky through a telescope, by Eugene Ivanov
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