Resultados da minha investigação
sobre Vénus
Primeira Parte, por Dana Gerhardt  

Felicity estava sentada na cerca do rancho da sua família no Wyoming, os seus olhos a perscrutar milhas de vastos campos abertos e de terra plana. "Estou tão aborrecida", queixou-se ela, atirando a sua espessa crina de cabelo preto com reflexos azuis por cima dos ombros. Com um profundo suspiro, perguntou-se se alguma vez sairia daquele inferno de cidade cheia de zés-ninguém. Ela queria explorar o mundo. Talvez então finalmente encontrasse o seu lugar.

Se uma Vénus de 9ª casa em Caranguejo fosse uma heroína de novela romântica, a sua história poderia começar precisamente desta maneira. Escarranchada na cerca de família, a observar um mundo mais vasto, rende-se ao seu anseio mais profundo, ao paradoxo central da sua natureza: o desejo de liberdade da sua nona casa e a sua necessidade canceriana de pertença. A fábula de Felicity foi de facto escrita por uma Vénus de 9ª casa em Caranguejo. A sua autora foi uma entre as centenas que responderam a uma breve nota que apareceu no final do meu último artigo sobre Vénus (que lançou a série de artigos sobre este planeta há dois anos atrás): Estou atualmente a trabalhar num livro sobre Vénus. Se gostaria de participar na minha investigação, tenho um questionário sumarento que o ajudará a explorar o seu posicionamento de Vénus e que me ajudará a verificar o que a deusa pretende que nós astrólogos saibamos. Envie-me um e-mail se estiver interessado.

Vénus Eu esperava que uma dúzia, quiçá vinte ou trinta almas destemidas respondesse. Esse número seguramente diminuiria assim que vissem o meu questionário com 32 perguntas abertas a explorar todas as facetas da vivência de Vénus, amor, relacionamentos, gostos estéticos, criatividade, finanças, sexo, mágoas e felicidade. Tendo trabalhado durante anos em estudos de mercado, eu estava bem consciente das probabilidades de conseguir que os inquiridos completassem um extenso inquérito, especialmente um tão íntimo. Não planeava ingressar nas fileiras do Michel Gauquelin com um vasto projeto estatístico. (1) A minha investigação seria qualitativa ao invés de quantitativa.

O quantitativo fala em percentagens. Exige uma amostra cuidadosamente monitorizada e perguntas sem ambiguidade, direcionadas para corroborar ou refutar novas hipóteses. O qualitativo é utilizado quando o investigador não está seguro quanto àquilo que poderá encontrar. É exploratório e subjetivo, como quando se reúne uma dúzia de pessoas num grupo de reflexão para discutir batatas fritas ou fluido de isqueiro. Os padrões e o modelo do estudo só se tornam evidentes depois do início dos debates. O instrumento de recolha de informação não é o computador, mas a mente do investigador, que tem de se tornar semelhante a uma esponja num balde, totalmente imersa no que quer que emerja.  

Rapidamente fiquei mais do que imersa. Eu estava a afogar-me. Durante meses fui inundada de estudos. Quando o mesmo artigo apareceu um ano mais tarde no sítio do Astrodienst (e eu esqueci-me de apagar a minha nota de autor), mais venusianos se voluntariaram. Após algumas desistências e algumas recusas da minha parte, contabilizei 426 estudos completos. Isto por si só foi um achado. Confirmava que o interesse no arquétipo venusiano era atraente o suficiente para arrastar tanta gente, de outro modo ocupada, ao longo de um extenso questionário autorrevelador. Afortunadamente, vários inquiridos revelaram que responder ao estudo os aproximara de Vénus. Este era de facto o meu desejo: que as perguntas premiassem quer os inquiridos quer o investigador com uma nova perceção da sua presença.  

Deliciada como eu estava, durante vários dias tive receio de entrar no meu escritório. A intimidade, profundidade e multitude do número de respostas era assombrosa. Como muitos astrólogos em exercício, estava esquecida dos meus próprios trânsitos. Eventualmente apercebi-me que em trânsito, Neptuno estava a fazer quadratura à minha Vénus. Poderia ter alimentado a esperança de que este aspeto levantasse os véus da inspiração criativa, trazendo um sentimento de absorção intemporal por ter passado dias a ler questionários e noites a receber mensagens oníricas oriundas da própria deusa. Infelizmente nem sempre vivemos o trânsito como queremos; vivemo-lo como ele se nos revela. Eu vivi o trânsito do Neptuno desorientado. A imaginação congelou e eu fiquei em branco. Todo o entendimento que eu julgava ter de Vénus desapareceu. Alternei entre a leitura de questionários e o fugir deles, sentindo-me como um barco eternamente sem rumo em relação ao projeto. Assim que o meu trânsito de Neptuno terminou, praticamente no dia em que terminou, como uma tempestade, chegou a visão de como organizar e apresentar os resultados. Tal como frequentemente acontece com os trânsitos de Neptuno, uma parte de mim, envolta em inconsciência, estivera a trabalhar desde o início. O resultado é "Your Venus Unleashed", que não é um livro, mas um relatório computadorizado concebido para fornecer ao leitor o melhor que eu vivenciara, uma profunda imersão no arquétipo de Vénus. Contém aquilo que eu aprendi na minha viagem pessoal a Vénus ao longo dos últimos cinco anos, mas mais importante, está repleto das vozes dos generosos participantes do meu estudo, que me autorizaram a citar (sob anonimato) as suas perceções e experiências.

Muitas histórias trouxeram-me lágrimas aos olhos, como esta de uma Vénus em Gémeos em conjunção com Úrano. Gémeos é o mensageiro e Úrano pode trazer clarões de conhecimento sobrenatural; combine-se isto com uma conjunção Lua/Neptuno muito psíquica na 12ª casa e não é de estranhar que esta mulher funcione como um canal. A sua Vénus em Gémeos tornou-se literalmente uma mensageira do Amor no seguinte relato de uma recordação feliz:

Rosa branca "Desde há muito sei que a vida continua após a morte. Nunca precisei de provas; sempre estive ciente disso. Horas após o amado da minha filha ter sido morto por um condutor com as suas capacidades físicas diminuídas, comecei a ouvir - como se fossem colocadas na minha mente - as palavras e a música 'I will always love you' e vi a imagem de uma dúzia de rosas vermelho-escuro com uma rosa branca. Por favor entenda, eu raramente recebo mensagens por clarividência. Eu 'sei' as coisas. Eu não as 'vejo'. Ao princípio ignorei as palavras mas elas continuavam a repetir-se - não a canção inteira, apenas 'I will always love you', com a imagem das rosas uma e outra vez. Finalmente decidi seguir a minha intuição. A caminho da casa da minha filha, providenciei o envio das rosas vermelhas com a rosa branca e escrevi no cartão, 'I will always love you'. Sem assinatura. No momento em que acabei de escrever, ouvi no profundo do meu ser, na voz do Artur, 'obrigado, Mãe'. Fui inundada por um tal sentimento de amor e gratidão que mal o pude conter. Pode parecer estranho que uma ocasião tão infeliz tenha sido também uma ocasião de felicidade, mas nunca esquecerei como fiquei contente com este sinal de amor ininterrupto e como fiquei grata por ter sido capaz de ajudar."

Nas três recordações felizes partilhadas por inquiridos, apareceram frequentemente temas relacionados com o signo, casa ou aspetos à sua Vénus. O mesmo foi verdadeiro quando inquiri sobre três momentos infelizes, porque se Vénus define o que nos traz alegria, também define as nossas mágoas. Vénus pode ser atrevida e sensual mas enquanto princípio de recetividade, é também meiga e sensível, denunciando-se por aquilo que não consegue suportar. A seguinte anedota é oriunda de uma Vénus em Balança. É um acontecimento pequeno, mas provavelmente é recordado porque confronta temas tão centrais neste posicionamento - sintonia com os outros, o desejo de beleza e harmonia e o horror ao grosseiro, rude e feio.  

"Quando eu era adolescente, fui para um colégio interno, deixando o meu doce namorado para trás. Quando vim a casa passar as férias do Natal, apanhei sarampo proveniente de uma epidemia na escola. A minha cara estava toda inchada. Naqueles tempos no campo não tínhamos telefone. O meu doce namorado apareceu sem que eu tivesse a oportunidade de lhe dizer para não vir. Eu escondi-me no meu quarto porque não queria que ele me visse tão feia, mas a minha mãe insistiu que eu aparecesse. Ela insistiu tanto que se tornou mais desconfortável esconder-me que aparecer. Senti-me tão desapoiada por ela, profundamente tão humilhada por aparecer tão rapidamente e por ver a expressão horrorizada na cara dele, que, foi de facto, a última vez que o vi."  

Vénus Se ao menos a mãe desta Vénus em Balança tivesse alguns conhecimentos de astrologia! Quando esbocei o meu questionário não sabia que perguntas seriam mais produtivas. As recordações felizes e infelizes são reveladoras mas os retratos mais imaginativos de cada signo de Vénus vieram de duas perguntas em particular: Pedi às pessoas que descrevessem alguém cuja expressão feminina elas mais admirassem e que descrevessem a sua ideia de uma deusa - real ou imaginária. As respostas frequente e surpreendentemente correspondiam a signos, com mulheres e deusas de independência a serem mencionadas pelas Vénus em Carneiro, com mulheres compassivas e acolhedoras a serem mencionadas pelas Vénus em Caranguejo e com mulheres alegres e autoconfiantes a serem mencionadas pelas Vénus em Leão. Embora o seguinte relato não seja típico das Vénus em Aquário (que se inclinam a admirar a independência, o heterodoxo e a capacidade de amar incondicionalmente), é bastante apropriado para este signo. Quem mais se não Vénus em Aquário descreveria uma deusa extraterrestre!  

"Sim, eu conheci uma deusa. Numa noite chuvosa o nosso grupo de observação do céu vetorizou uma aeronave na Grã-Bretanha e mandaram-me a mim, juntamente com dois outros homens, um da BBC, ir investigar as luzes invulgares acerca de um quarto de milha. Deparámos com a mulher mais perfeita a flutuar sobre a lama no campo. Ela posicionou-se a um metro de mim, devolvendo a minha saudação. Apercebi-me que não conseguia mexer o meu corpo; nem os outros. Petrificados, estávamos calados, calmos e assombrados. Ela prosseguiu. Passado um minuto descobrimos que nos podíamos voltar a mexer. Os três concordámos que víramos uma rainha ou deusa extraterrestre. Era mais baixa que 1,43 m e tinha um rosto e corpo perfeitos. Os seus movimentos eram soberbos, cheios de graça e o seu manto brilhava com radiância. Agiu com soberania mas sem falso ego. Isto ainda me impressiona e aconteceu há mais de dez anos atrás."  


De acordo com as normas de investigação, a minha amostra era saudável mas dificilmente representava a população no seu conjunto. Ouvi mulheres e homens, mas predominantemente mulheres. As idades variavam entre os 17 e os 79, com a maioria a situar-se entre os 40 e os 65. Todos se interessavam por astrologia e muitos estavam envolvidos em profissões criativas regidas por Vénus. O facto da amostra ser autosselecionada limita a minha autoridade para generalizar as vivências de Vénus de todos os inquiridos. Mas que signos se prontificaram a participar é por si só um achado interessante. Para cada signo, a média de inquéritos completamente preenchidos era aproximadamente o mesmo - com quatro notáveis exceções. As amostras de Virgem e Escorpião eram quase o dobro das dos outros signos; os estudos de Touro e Balança eram quase metade da média.  

Porque é que eu ouvi tantas Vénus em Virgem e em Escorpião e tão poucas em Touro e Balança? A minha teoria acerca disto evoluiu ao longo do tempo, até me conduzir à descoberta que eu considero mais importante. Ao princípio a amostra fazia um sentido astrológico simples. Virgem e Escorpião são os signos mais associados a investigação. Virgem tem a paciência e a curiosidade analítica para completar um extenso inquérito. Escorpião gosta de explorar sob a superfície os padrões psicológicos e as causas. Aliás, no artigo que continha o meu convite, eu expressara a minha confusão acerca da minha própria Vénus em Escorpião, o que predispôs muitos outros com Vénus em Escorpião a solidarizar-se.  

Mas porque é que as amostras de Touro e Balança são tão escassas? Enquanto signos regidos por Vénus podiam estar bastante desejosos de explorar as questões de Vénus. Suspeito que o tom do meu artigo possa ter conduzido a amostra na direção oposta. Descontente e perplexa com a minha vivência de Vénus inadvertidamente distorci a representação na direção dos posicionamentos tradicionalmente infelizes. Vénus está em detrimento em Escorpião, em queda em Virgem; em Touro e Balança é soberana. Talvez a minha amostra somente confirmasse o sistema astrológico de regências e detrimentos. Aqueles com uma Vénus bem posicionada estavam ocupados a desfrutar das suas vidas felizes e sentiam pouca necessidade de explorar mais. Aqueles com posicionamentos conturbados eram mais recetivos a relatar e a esperançosamente desvendar as suas dificuldades. (2)

Rosa branca No entanto, assim que li os inquéritos deixei de acreditar nisto. Muitos Virgens e Escorpiões possuíam maravilhosas expressões de Vénus. O seu nível de consciência sensual e de empenho criativo indicava um forte alinhamento com Vénus no seu quotidiano. Estes signos não eram de todo maus para a deusa. De facto, mais tarde descobri que entre os Sumérios, Virgem e Escorpião eram as duas constelações mais associadas a Vénus (enquanto Inanna/Ishtar). (3) Entre as Vénus em Carneiro, um signo também em detrimento, descobri uma sensibilidade apaixonada que era uma reminiscência das descrições históricas primitivas deste arquétipo - quer como deusa do amor quer como deusa da guerra. O grupo com Vénus em Peixes, um signo considerado favorável a Vénus porque ela aqui se encontra exaltada, detinha de facto um sabor pisciniano a criatividade, idealismo e pendores sobrenaturais. Mas as bençãos globais do grupo caiam na mesma curva sinusoidal, com alguns à margem parecendo excessivamente agraciados ou amaldiçoados, e com os restantes a beneficiar de um nível médio de altos e baixos. Estudo após estudo, a dificuldade ou o à - vontade com o arquétipo de Vénus pareciam menos condicionados pelo signo e pela casa que pelas experiências de vida - que frequentemente mostravam uma maior correlação com os aspetos de Vénus. Mas o verdadeiro significado destas experiências foi decidido pelo livre-arbítrio, ou seja, pela atitude individual em relação ao sucedido.  

Então o que provocou a distorção Virgem/Escorpião e Touro/Balança? Agora acredito que foi a própria astrologia. Os meus leitores são pessoas astrologicamente astutas. Suspeito que aqueles com Vénus em Touro e Balança foram menos inclinados a participar porque eram geralmente felizes e inspirados por aquilo que ouviram ou leram acerca da sua Vénus. Aqueles com Vénus em Virgem e em Escorpião foram deixados insatisfeitos ou mistificados pelos especialistas em astrologia. Nos seus questionários, muitos inquiridos estavam declaradamente zangados com estas avaliações; outros concordavam ("sim sou frio e exigente" ou "sim, sou reservado e vingativo. Estou amaldiçoado?"). Muitas vezes, dei por mim a deliciar-me com o retrato único das sensibilidades venusianas de alguém ao longo de um estudo, apenas para descobrir no final, quando pedia uma opinião acerca do seu posicionamento de Vénus, que o indivíduo tristemente alinhava, julgando que ele ou ela estava amaldiçoado.  

Isto conduziu àquilo que eu considero a minha descoberta mais significativa: a astrologia tem de fazer alguma limpeza. Temos de olhar para lá dos estereótipos culturais de Vénus. E temos de abandonar o nosso hábito de classificar os posicionamentos como "bons" ou "maus". O ato de avaliar as fraquezas e a força planetária, tão valioso nas avaliações horárias, (4) é menos relevante na astrologia natal. Nos mapas natais, detrimentos, quedas ou exaltações não são particularmente úteis, exceto para fazer com que as pessoas se sintam abençoadas ou amaldiçoadas. O melhor é determinar porque é que alguém nasceu com a Vénus com uma determinada combinação de signo, casa e aspetos. Tenho vindo a acreditar que seja ela qual for, é a posição ideal para a expressão feminina daquela pessoa. É a sua tarefa, a estrada para a sua felicidade. Ajudar a pessoa a percorrer esta estrada com confiança e alegria é um bom uso da astrologia, embora exija um novo ouvir e um novo aprender. Quanto mais questionários lia, mais convencida ficava de que todo o posicionamento de Vénus é bonito. O meu trabalho era descobrir simplesmente porquê. Isto é de facto uma abordagem venusiana, já que os seus valores essenciais são aceitação e apreciação.

Consideremos Vénus em Virgem. Os livros de astrologia retratam-na tipicamente como uma professora rígida, púdica e afetada, fria no amor, cheia de criticismo. Mas enquanto grupo, as Vénus em Virgem eram mais sensuais que qualquer outro signo - se a sensualidade for medida não por quão rápido se cai na cama com um amante mas por quão desenvolvidos são os sentidos de alguém, quão alguém está em sintonia com os prazeres do paladar, visão, tato e audição. As Vénus em Virgem apreciavam mais a qualidade que o criticismo. Sentiam-se tão à vontade na natureza, que tímidos como de facto eram, apreciavam estar despidos em mais alto grau que qualquer outro signo. Como é que podemos converter isto num livro de receitas? Consideremos a seguinte descrição feita por um dos meus inquiridos com a Vénus em Virgem:  

"A minha Vénus é forte, esbelta e mágica. Amazónica. Muito terra - a - terra mas ainda assim cheia de vitalidade. Pode executar feitos aparentemente impossíveis. É uma solitária. Ligada à natureza. Ao luar conversa com as estrelas. Ela tem aquele tipo de olhos nos quais se cai e dos quais não queremos sair. Ela é abertura e fluidez puras. Não pode ser agarrada ou possuída, apenas se pode desfrutar com ela - se for afortunado o suficiente para a encontrar. Ela é estranhamente poderosa embora tímida, rara como um unicórnio e igualmente tímida."  

O retrato é fantasioso, mas capta a feminilidade virginiana melhor que tudo aquilo que eu alguma vez vi num livro de astrologia. Vénus em Capricórnio é outro signo frequentemente maltratado pelos astrólogos. Esta Vénus é tipicamente descrita como desprovida de afeto e reservada, propensa a casar mais por estatuto que por amor, escolhendo parceiros que lhe tragam vantagens materiais. Entre as Vénus em Capricórnio que examinei, encontrei poucos indícios de que isto correspondesse à verdade. O problema de muitas interpretações de Vénus é que não fazem mais do que envolver um signo solar num vestido. Como o Sol em Capricórnio pode ser pesado e calculista, presume-se que os mesmos traços se aplicam à Vénus em Capricórnio. Tal raciocínio passa completamente ao lado do arquétipo de Vénus, cujas qualidades são universais. Vénus dá a todos acesso ao prazer, paixão, abundância, alegria, criatividade, vigor sexual e amor próprio. O desafio é descobrir como é que os valores dela florescem melhor num signo em particular. As possibilidades são mais vastas do que é habitual conceber. Consideremos o seguinte retrato de uma Vénus em Capricórnio. A pessoa cuja expressão feminina ela mais admirava não era um Donald Trump de vestido, mas alguém terreno, responsável e bonito por ser quer forte quer delicado, que valorizava a tradição e com vontade de trabalhar. Estes também são traços capricornianos.

"Admiro a minha avó - uma formidável senhora de idade. Ela era muito severa e muito forte. Ela teve uma vida difícil tal como a geração dela teve e só não foi viúva e consequentemente solteira durante 6 anos da sua vida adulta. Ela para mim personifica as mulheres porque demonstra tal força de caráter. Tão feroz numas circunstâncias - uma ex-enfermeira, mãe solteira, uma cozinheira e dona de casa exigente - e no entanto tão feminina noutras - sempre bem vestida, usava sempre joias ou chapéus ou broches, usava sempre o casaco certo, sempre digna. Havia tapetes de renda feitos à mão por toda a casa e xailes tricotados à mão para os bebé que ela adorava. A vitrine dela guardava o que restava dos ramos de noiva que a filha e a nora usaram nos seus casamentos."

Quem sabe se a avó descrita não era na verdade uma Vénus em Capricórnio. A beleza reside nos olhos de quem a vê, portanto o retrato revela um tipo de beleza feminina que inspira uma Vénus em Capricórnio. Outro signo de Vénus frequentemente etiquetado como pouco apaixonado é Gémeos. Crê-se que o andrógino Mercúrio, que rege este posicionamento, de alguma forma dilui a sua sensualidade. Descobri que o oposto correspondia à verdade. Inteligente, brincalhão e coquete, o grupo de Vénus em Gémeos era deliciosamente adepto de muitas artes venusianas. Ainda mais que Vénus em Balança, que é frequentemente enaltecida pelo seu encanto social, as Vénus em Gémeos não hesitavam em se dirigir aos outros e em acionar o seu charme (enquanto Vénus em Balança se mostrava mais reticente e suscetível, sentindo-se mais facilmente mortificada em caso de rejeição).  

Rosa branca Contrariamente ao defendido pela astrologia, Mercúrio dá a Vénus uma vantagem especial. Isso deve-se a esta verdade: Amor e Sexo estão intimamente ligados à Mente. De facto, o conhecimento desta verdade foi a arma secreta de Cleópatra. (5) Ela não era nenhuma beleza - tinha o nariz em gancho, os lábios eram finos, o corpo era atarracado. Mas enrolou-se num tapete e fê-lo entregar a Júlio César. Quando ele o desenrolou, a Cleo começou imediatamente a deslumbrá-lo com a sua conversa, falando em Latim e Grego perfeitos, encantando-o com os seus poemas, histórias e riso. Conquistou-o nessa noite. Tal como Cleópatra (que, a propósito, adorava bibliotecas), Vénus em Gémeos detém capacidades diabólicas. Ela é a cortesã das cortesãs.  

Porém toda a Vénus detém capacidades diabólicas. Para descobrir as suas, tem de aprender a abordá-la como um amante. Veja-a como Don Juan deMarco vê as mulheres. (6) "Vejo as mulheres por aquilo que elas realmente são - gloriosas, radiantes espetaculares. Não me limito à minha visão. As mulheres reagem a mim como reagem, porque eu sinto a beleza que reside nelas até que essa beleza se sobrepõe a tudo o mais e então elas não conseguem evitar o seu desejo de libertar essa beleza e de me envolver nela." A sua Vénus somente quer o mesmo de si. 


  1. Michel Gauquelin é um estatístico e astrólogo francês que demonstrou a força dos planetas nos 10 graus de cada lado dos ângulos ao estabelecer uma correlação entre celebridade e carreira com as posições planetárias em milhares de mapas.   >>
  2. Vénus em Carneiro também está em detrimento e Vénus em Peixes está em exaltação. Contudo ambos os signos demonstravam estar representados dentro da média.   >>
  3. Anne Baring e Jules Cashford, The Myth of the Goddess (Arkana, 1993), p. 200. >>
  4. Em astrologia horária, um mapa é calculado para o momento em que o cliente coloca a pergunta ao astrólogo. Os planetas simbolizam certas pessoas ou resultados; os seus pontos fortes e fracos são usados para prever as oportunidades de sucesso.  >>
  5. Estou grata ao livro da Betsy Prioleau, por esta informação acerca de Cleópatra e de muitas outras sedutoras que davam primazia ao cérebro sobre a beleza, Seductress: Women Who Ravished the World and Their Lost Art of Love (Penguin, 2003). >>
  6. Esta citação refere-se ao papel desempenhado por Johnny Depp no filme de 1995, Don Juan deMarco. >>
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YOUR VENUS UNLEASHED
Relatório por Dana Gerhardt  

Soltar Vénus irá mudar a sua vida.  Veja-a como nunca a viu antes. Aceite os seus desejos sussurrados e gritos insistentes. Siga o seu trilho de pistas em direção à felicidade maior.  

Baseado numa investigação exaustiva, o relatório único da Dana Gerhardt proporciona uma análise inspiradora do signo, casa e aspetos da sua Vénus, incluindo trânsitos e progressões e muito mais.  

Mais informações em mooncircles.com

Traduzido do Inglês por Patrícia Vieira Neves (Portugal)

Astro-Databank
Astro-Databank
Astro Wiki
AstroWiki
Posições actuais dos planetas
20-Abr-2014, 20:24 UT/GMT
Sol0Touro40'12"
Lua11Capricórni8' 7"
Mercúrio24Áries45'37"
Vênus16Peixes17'40"
Marte14Libra28'41"r
Júpiter13Câncer33'18"
Saturno21Escorpião27'55"r
Urano13Áries30'57"
Netuno6Peixes56' 5"
Plutão13Capricórni34'18"r
Nodo Lun.true28Libra22'45"r
Quíron16Peixes10'26"
Explanations of the symbols
Mapa do momento
Astrologer watching the sky through a telescope, by Eugene Ivanov
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