Uma abordagem psicológica para trânsitos e progressões

por Liz Greene

Este artigo foi extraído de um seminário que aconteceu em 8 de junho de 1996, no Regents College em Londres, como parte do curso do ultimo semestre letivo do Centre for Psychological Astrology.

A natureza da predição

The Yearly Horoscope
by Liz Greene is based on a combination of Yearly Analysis transits and progressions. She is concerned with the unfolding of an inner path, and with those individual inner situations that are often mysteriously connected with corresponding events in the outer world.


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Como interpretar trânsitos e progressões dentro de uma perspectiva psicológica? Eu gostaria de começar dizendo que, embora a natureza interna da nossa exploração possa ser clara para qualquer estudante de astrologia que conheça a abordagem psicológica, não estou de forma nenhuma negando o valor e a longa tradição do trabalho preditivo na astrologia. Mas as duas noções não são mutuamente excludentes."Psicológico" não significa somente "interno". Já tivemos demandas de prognósticos precisos de um tipo especifico e concreto para fazer de conta que os planetas não estão relacionados tanto com o mundo exterior e interior, ou que é impossível predizer certos tipos de eventos em determinadas ocasiões.

Alguns anos atrás, eu dei um seminário para o Wrekin Trust, que foi transcrito, editado e se transformou num livro chamado "The Outher Planets and Their Cycles". A propósito, enquanto examinava a carta natal da União soviética, eu fiz uma previsão sobre o seu futuro. Foi uma espécie de palpite, eu não tinha nessa época muito conhecimento sobre as sutilezas da astrologia mundial. Minha previsão bastante ingênua era baseada no fato que Plutão se aproximaria lentamente da conjunção do Sol natal da União Soviética em sete anos. Eu havia observado que sempre que um transito poderoso atingia esse Sol em Escorpião, a liderança soviética mudava. Em termos mundiais isto é uma conclusão razoavelmente óbvia e simples, uma vez que o Sol reflete, entre outras coisas, a liderança de uma nação. A razão pela qual eu esperava um colapso em vez de outra típica luta pela liderança é porque a abrangência de Plutão é bastante mais ampla do que a dos outros planetas exteriores. Ele tende e apagar tudo e nada resta da sua forma ou estrutura originais.

Havia outros trânsitos – por exemplo, a conjunção de Urano-Netuno- Saturno no primeiro decanato de Capricórnio – aproximando-se de Vênus da União Soviética na quarta casa – que sugeriam que esse colapso iminente seria como um rompimento matrimonial. Seria ser uma desintegração vinda mais de dentro do que de fora, e os vários países satélites começariam a pedir o divórcio. Isso foi como eu entendi naquele momento, e não havia em 1982 uma indicação dos fatos que estavam por acontecer. Um novo líder surgiria; mas um colapso total era impensável. Portanto, nos sete anos subseqüentes não pensei sobre isso. Então tudo se passou como havia previsto. Existem muitas situações, tanto mundiais quanto pessoais em que os astrólogos podem fazer prognósticos precisos.

Entretanto, focar somente o lado preditivo da astrologia é como o médico que se concentra somente no sintoma físico, sem considerar o indivíduo como um todo e na interação entre corpo e mente. Ao longo dos anos acreditei que uma boa parte do que acreditamos estar predestinado, em termos de trânsitos e progressões, não é, em absoluto, o destino – são os nossos complexos inconscientes atuando.Tanto como indivíduos ou coletivamente, inconscientemente contribuímos para criar ou sermos levados por situações que ativam questões internas – tanto porque nós estivemos evitando-as no passado, ou porque elas estão simplesmente maduras e Kairós, o momento certo, chegou. Seria uma tolice imaginar que todas as situações da vida são uma criação individual, porque muitas não são.

Não se pode dizer que seis milhões de judeus tinham um transito particular ou aspectos progredidos que os levariam aos campos de concentração. É loucura supor tal coisa assim como a recusa da nossa cumplicidade inconsciente quando estes atos de brutalidade acontecem num nível de massa. Existem movimentos coletivos e revoltas, assim como existem desastres naturais tais como inundações e terremotos os quais podem suplantar a escolha, complexos e a vontade individual. Também pode haver outros fatores mais profundos e de ordem espiritual, sobre os quais eu não estou em posição de comentar.

Muitas pessoas do círculo astrológico crêem em Karma. Eu não sou incrédula. Mas eu sinto que tudo é mais complicado do que aquilo que um dia alguém chamou de "a teoria do ding-dong" – alguém foi bom ou mau em sua vida passada e portanto será recompensado ou punido na vida atual. Como moralidade é uma coisa profundamente subjetiva e relativa, eu atribuo pouco valor a essas aproximações simplistas com o reino do espírito. Mas deve haver algo que continua através e além de uma simples encarnação mortal, ao qual a herança recebida acumula substancia de acordo com as escolhas feitas em cada vida, e que atua como um imã para o tipo de experiência que atraímos. Isto pode ser o fator acima e além dos esforços conscientes na vida de uma pessoa. Pode haver fatores na herança familiar sobre os quais não se tem controle. Por mais injustos que eles pareçam, nós somos herdeiros dos conflitos e complexos familiares que se cristalizaram através de muitas gerações e estes freqüentemente agem como um tipo de destino. Se esses conflitos permanecem sem solução por muito tempo, nós podemos perder a mobilidade para escolher ou evitar certos eventos, e sem dúvida, qualquer indivíduo possui maior liberdade de escolha se não há um peso acumulado desta herança psicológica.

Assim, há muitos outros fatores além da consciência individual que determinam como trânsitos e progressões serão expressos. No entanto, uma boa parte daquilo que nós supomos ser previsível pode não o ser totalmente, uma vez que a consciência individual começou a expandir os níveis do que nós experimentamos como realidade. Por essa razão eu acredito que necessitamos tentar viver como se tivéssemos a liberdade de trabalhar com nossos trânsitos e progressões num nível psicológico. Nós podemos assim ter espaço para modificar eventos futuros, ou lidar mais criativamente com qualquer coisa que seja a nossa própria criação de acordo com a atuação dos complexos inconscientes. E quanto às coisas sobre as quais não temos realmente nenhuma escolha, nós as identificaremos cedo o bastante e esperançosamente aprender a aceitá-las e viver com as nossas necessidades com o espírito mais tranqüilo.

Um dos principais objetivos em explorar este tema é sugerir que nós podemos ter mais liberdade do que pensamos, em níveis que não estaríamos inicialmente conscientes. Se aprendermos a trabalhar com os movimentos planetários com mais intuição e com uma abordagem menos literal do tipo "Urano se aproxima de tal ponto e tal e tal acontecerá" , nós poderíamos descobrir o que Pico della Mirandola quis dizer quando afirmou que os seres humanos são co-criadores com Deus. Tomando literalmente, esse conceito não faz justiça a nós astrólogos. Isto também pode ser totalmente destrutivo, porque há claro, algo como uma profecia auto cumprida. Em função de nossas percepções serem invariavelmente distorcidas por nossos complexos individuais, nós estamos inclinados a interpretar os trânsitos e progressões não de acordo com o que eles podem significar, mas de acordo com o que os nossos complexos dizem que vão fazer conosco. Até o astrólogo mais "tradicional" e ortodoxo não é capaz de ser objetivo quando é para prever eventos. Podemos até não estar certos sobre o que um "evento" realmente é, uma vez que muito depende de como e quando uma pessoa percebe o que aconteceu. Nossas suposições sobre o futuro são fortemente coloridas por nossa própria psique tanto quanto nossas suposições o são sobre o presente.

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A abordagem psicológica para trânsitos e progressões é mais desafiadora que a abordagem literal, pois envolve assumir responsabilidade por aquilo que está simbolizado pelas configurações da carta natal. Isto também requer aprender a trabalhar com técnicas preditivas tradicionais em mais de um nível. Não significa que não há valor em tentar compreender como um movimento planetário afeta o plano material. É tolice ignorar esta dimensão da vida assim como é ignorar a psique. Se alguém tem o Sol progredido fazendo quadratura a Netuno na segunda casa, enquanto Saturno em transito faz conjunção à Netuno natal, não é uma boa idéia fazer uma parceria de negócios com alguém cujas credenciais sejam pouco conhecidas. A aplicação concreta dos princípios astrológicos pode ser de grande valor para nós. Mas sem o respaldo do entendimento psicológico precedendo a interpretação literal, eu acho que podemos muitas vezes, criar o nosso próprio destino, manifestar nossas próprias previsões, e gerar um sofrimento considerável, quando nada disso seria necessário.

Níveis de expressão

1. Significado ou teleologia

Gostaria agora de examinar os diferentes níveis nos quais os trânsitos e progressões podem se expressar. Existem três níveis nos quais is movimentos planetários parecem operar. Alguns de vocês podem pensar que são mais de três. Mas como uma visão geral, eu constatei que esta divisão é muito útil. O primeiro nível é aquele que provavelmente interessa ao astrólogo inclinado à espiritualidade – o sentido profundo de um transito ou aspecto progredido particular. Por "sentido", estou me referindo à sua teleologia – seu propósito final em termos da evolução da personalidade, da alma ou de ambos. Alguns de nós que tem uma inclinação religiosa ou espiritual podemos supor que o cosmos tem um tipo de propósito e que há um sentido para as experiências que vão ocorrer na vida um indivíduo. Portanto, os eventos têm um desígnio oculto, uma função educativa, e se nós podemos crescer em função do que acontece conosco, estamos cumprindo algum projeto espiritual ou evolucionário maior.

Ainda que este projeto realmente exista, este é um tema controverso. Entretanto, ainda que possamos estar certos deste objetivo da existência como um padrão mais profundo – que é outro modo de dizer que Deus ou deuses existem – nenhum de nós está na posição de provar isto. De fato, nós podemos projetar uma idéia altamente pessoal de sentido para um universo totalmente arbitrário e desconexo. Mas mesmo se este fosse o caso, em que a experiência da vida de muitas pessoas contém esse sentido ou propósitos inatos, esta convicção, sendo ou não uma projeção, pode ser auto-sustentada. Esta idéia é criativa psicológica e espiritualmente, mesmo que não seja uma "verdade" no sentido científico do termo.

Quando nós observamos trânsitos e progressões nesta perspectiva perguntamos a nós mesmos, " O que eu posso aprender com essa conjunção de Saturno sobre o meu Sol? O que é a progressão de Vênus fazendo uma quadratura sobre o Plutão natal quer me ensinar? O que eu posso descobrir enquanto Urano transita sobre a minha Lua? Qual é o potencial positivo deste Marte progredido fazendo sextil ao Kiron? "Essa abordagem é uma dimensão extremamente importante de um transito ou aspecto progredido. Embora eu tenha usado o termo "espiritual" isto é tão psicológico como uma exploração dos complexos parentais, porque estamos considerando os movimentos planetários em termos de evolução da psique. Nós poderíamos observar este ponto de vista como pertencendo à psicologia transpessoal ou arquetípica, em vez de uma psicologia redutiva. No entanto é uma visão psicológica. Sem esta perspectiva nós estaríamos tratando a astrologia e nós mesmos de forma meramente mecânica.

Alguns astrólogos se concentram somente neste nível e consideram os outros níveis muito negativos ou materialistas.Eles vão examinar um transito de Plutão sobre Kiron natal ou a Vênus progredida quadrando Saturno e eles falarão primeiramente sobre o que eles oferecem em termos de crescimento. Digamos que Saturno em transito vai fazer uma oposição com o Sol natal na quinta casa de alguém. Se nós olhamos esse transito numa perspectiva teleológica, nós podemos falar sobre o desenvolvimento do senso de identidade do indivíduo. Graças a esse transito, alguém poderia obter um senso de identidade mais forte, um sentido de propósito mais claro, e a realização de seus talentos criativos. Os desafios do mundo material podem doer, mas podem finalmente resultar em um compromisso mais profundo com uma particular direção vocacional. Quaisquer eventos que aconteçam, embora difíceis, são significativos para alguém se tornar mais consciente de si mesmo.

A abordagem teleológica em si mesma é geralmente suficiente com bons trânsitos e progressões, como Júpiter em trígono com a Lua, ou o Sol progredido fazendo sextil a Urano. Quando nós experimentamos movimentos planetários harmoniosos, tendemos a nos sentir "conectados" a um sentido de propósito cósmico e bondade, e essas interpretações correspondem a como nos sentimos neste momento. O sentido e a resposta emocional para a época do transito ou progressão parecem estar de acordo. Quando aparecem movimentos planetários menos atrativos pode-se interpretá-los em termos de seu potencial. Geralmente essa abordagem pode ser maravilhosamente curadora em meio ao caos, stress e dor.

Podemos ver um verdadeiro pesadelo planetário se aproximar, e vamos perguntar a nós mesmos qual o potencial de crescimento que poderia estar escondido sob todo o stress. É muito importante ter isto em mente e ser capaz de comunicá-lo. Mas também precisamos nos lembrar que, embora por mais profundo e positivo seja o sentido, o indivíduo que está experimentando esses trânsitos e progressões pode não estar em condições de ouvir suas possibilidades evolutivas. Para algumas pessoas, particularmente aqueles que estão acostumadas a ver a realidade de uma perspectiva meramente material ou extrovertida, o sentido mais profundo e o potencial de trânsitos e progressões difíceis pode não estar acessível por um bom tempo. Enquanto elas estão passando pelo transito, podem estar conscientes e aptos para ouvir, nada, a não ser conflito e dor.

2. Material emocional

Trânsitos e aspectos progredidos também envolvem um nível de expressão emocional. Isto é também psicológico, mas é mais relacionado com as respostas individuais, ambos no nível do sentimento e nos termos dos complexos inconscientes que estão sendo ativados. Tanto o passado quanto o presente estão usualmente envolvidos. Nossas respostas emocionais na época do transito ou aspecto progredido são muito complicados e muito depende do quanto de auto conhecimento nós já adquirimos, o quão forte é o ego, que tipo de controle nós exercemos sobre os sentimentos quando eles estão ativados e quanto nós sabemos sobre os nossos complexos parentais.

As experiências do passado são quase invariavelmente ativadas por algum transito ou progressão, especialmente se um transito similar ou progressão aconteceu no passado e nós precisamos considerar que tipo de memórias e associações nós acumulamos sob sucessivos movimentos planetários sobre um ponto natal particular.Também uma experiência pode ser muito positiva e produtiva em significado, e por sua própria natureza pode exigir sofrimento como parte do processo.Todos esses fatores se situam no nível emocional e por causa disso, a resposta emocional ao transito pode ser imensamente diferente de sua teleologia.

Pode parecer que não há nenhuma relação entre o significado de um transito ou aspecto progredido e a maneira como alguém se sente se comporta nesse período. O astrólogo, sem falar do cliente, pode ficar bastante confuso com isso. Eu tenho visto trânsitos maravilhosos de Júpiter chegando que parecem ser qualquer coisa menos maravilhosos nesse período. Nós tendemos a nos sentar e cheios de esperança ficar pensando: "Que esplendido, algo fantástico estará chegando para mim quando Júpiter fizer conjunção ao meu Sol". Algo maravilhoso pode realmente acontecer dentro da perspectiva teleológica, mas o que acontece na vida real pode ser um pesadelo no plano emocional.

Por exemplo, uma pessoa que tem muito elemento terra, muitos planetas em Touro, e um Saturno forte, com uma forte necessidade de estrutura e estabilidade, que tem sido casada por 23 anos e tem três crianças, dois carros, um emprego seguro e grande casa hipotecada, e quando Vênus progredido chega no Júpiter natal na quinta casa, o resultado disto pode ser qualquer coisa menos maravilhoso no nível emocional e material. Nós astrólogos sabemos que a abertura do coração que essa progressão pode refletir pode ser justamente o que a pessoa precisa. Mas, no entanto, o que ele vai dizer à sua esposa? E ele pode pagar as custas do processo?

Muito depende de como o indivíduo está vivendo a sua vida e se ele está em contato com as diferentes configurações de sua carta natal. É improvável que alguns de nós possa alegar estar totalmente em contato com tudo o que está dentro de nós, portanto é uma questão de grau de inconsciência. Se uma pessoa se casou cedo por razões sociais ou de segurança, e se os talentos potenciais da quinta casa têm sido cruelmente reprimidos, este aspecto progredido pode liberar um grande conflito e sofrimento. A pessoa pode ficar apaixonada por alguém que não é sua ou seu cônjuge, e então terá que encarar as conseqüências. Às vezes é o cônjuge que ativa o Júpiter renegado. Não é incomum ver este tipo de experiência aparentemente delegada nas cartas dos clientes, ou em nossas próprias cartas. Alguém se senta e espera a Princesa ou Príncipe Encantado chegar e ao contrário, quando Urano em transito atinge a Vênus, é o parceiro que dá no pé. Porque somos tão relutantes para entender quão poderosamente a psique inconsciente afeta a maneira pela qual o transito ou a progressão se expressam?

Às vezes pode haver uma experiência de grande depressão com um transito aparentemente feliz. Eu tenho visto isto freqüentemente quando estão envolvidos os chamados planetas Benéficos. Júpiter chega no Sol natal de alguém, ou o Sol progredido faz conjunção à Vênus e o astrólogo presume que se iniciou uma fase de felicidade e plenitude. Em vez disso, a pessoa mergulha num buraco negro. Conflitos podem ser ativados por uma experiência feliz, refletindo profundos e enraizados sentimentos de culpa relacionados aos pais. Ou pode ser que Júpiter nos faça ficar cientes de potenciais não vividos que podem exacerbar sentimentos de fracasso. Se nós estamos cristalizados numa postura rígida na qual temos cortado todas as pontes para possibilidades futuras, nós podemos perguntar a nós mesmos: "Qual o sentido da vida?" Júpiter pode estar conectado com depressão profunda porque o espaço entre nossos potenciais e a nossa situação presente pode ser revelado como uma verdade dolorosa num momento sombrio, e esse espaço pode nos deixar envergonhados por termos desperdiçado nossas vidas.

Assim, a resposta emocional a um transito ou aspecto progredido pode ser muito diferente em seu significado. Nós precisamos ser capazes de nos comunicarmos com o cliente que está num estado emocional doloroso, que guarda pouca semelhança com aquilo que entendemos como a teleologia do transito ou progressão. Podemos estar tão seguros do significado de um movimento planetário particular, que esquecemos que a pessoa pode não sentir desta forma absolutamente. Ele ou ela podem estar muito assustados com o que está acontecendo, ainda que no nível teleológico esteja sendo transformador. Nós podemos saber que o resultado final será positivo, mas o cliente pode não sentir assim. E se nós não podemos nos relacionar com a situação emocional do cliente, e explorar algum tema psicológico pessoal que venha a ajudá-lo a achar um caminho através de um significado mais profundo, então todas as nossas esclarecedoras interpretações acabarão soando de forma confusa e sem sentido.

Um nível sem o outro é incompleto. É muito importante entender como as pessoas se sentem sob trânsitos difíceis. Muitos trânsitos são muito dolorosos e é estúpido e de pouco alcance supor que eles não sejam, ou que alguém deveria sentir-se otimista. Se alguém com a Vênus progredida em quadratura com Kiron natal está sentada e dizendo "eu sou miserável", não deveríamos responder dizendo: " Bobagem, você deveria sentir-se positivo e entusiasmado porque esse é um tempo de cura". Nós podemos certamente falar sobre cura, mas também precisamos empatizar com o sentido de isolamento, inferioridade e o tratamento injusto que a pessoa provavelmente está experimentando, e então nós poderemos fazer comentários inteligentes sobre porque ele ou ela estarem se sentindo daquela maneira. Nós talvez precisássemos falar sobre o passado, especialmente nos períodos em que Kiron foi ativado por trânsitos importantes ou aspectos progredidos. As emoções que acompanham profundas mudanças internas muitas vezes são extremamente desconfortáveis.

De algum modo este é o mais complexo dos três níveis de expressão, porque nós somos confrontados com o mistério da consciência individual. A realidade emocional é a cola que existe entre o nível do significado e o nível da manifestação. E é também a área na qual nós temos alguma oportunidade de exercitar a liberdade da escolha individual. Com o tempo a questão psicológica está tão solidificada que deve ser expressa de forma concreta, nós podemos somente planejar o futuro, mas não podemos desfazer o que foi tricotado na realidade do presente. Este é realmente terreno que foi denominado por Jung e Hillman como alma, e que é a mediadora entre o espírito e a matéria.

Uma pessoa que tenha Saturno em transito fazendo oposição ao sol natal, que tem em termos de teleologia uma oportunidade soberba de aumentar o senso de identidade pessoal, pode estar profundamente deprimida e insegura. Ele ou ela podem sentir-se fracassados e todas as conquistas do passado podem parecer sem valor. Temas parentais podem vir para a superfície, particularmente aqueles relacionados com o pai e o complexo paterno. Os desafios deste transito podem não ser percebidos como desafios, mas como vitimização. Questões sobre as bases da identidade pessoal podem ter que ser suscitadas e algumas atitudes e suposições sobre a vida precisam ser esclarecidas antes que uma visão do mundo mais saudável possa crescer sem seu lugar. A relação com o masculino – dentro de si mesmo e o homem na vida de alguém – podem ter que sofrer uma completa reavaliação. Há muitas coisas que as pessoas podem sentir sob o transito de Saturno em oposição ao Sol que não são prazerosas, e quando as pessoas se sentem mal, elas querem saber se o astrólogo pode reconhecer a sua infelicidade e ajudá-los a entender seus fundamentos. O astrólogo com uma inclinação mais espiritual poderia precisar de experiência em psicoterapia para trabalhar neste nível.

3. Materialização

O terceiro nível dos trânsitos e progressões é o nível da materialização. É nesta esfera que muitas abordagens astrológicas antigas, mas não todas, concentram o seu foco. Trabalhando neste nível, o astrólogo primeiramente se preocupa com o que vai acontecer no mundo material sob um determinado transito ou aspecto progredido. Esta abordagem parece ser simples, mas é realmente bastante complexa. Há muitas questões internas e externas que podem dizer se o movimento planetário vai se materializar no nível concreto, e de que maneira. Outro fator importante são os complexos individuais, os quais têm a tendência de materializar se eles são muito carregados e dissociados da consciência do ego. Se existe algo como karma, isto também pode ser um fator; e a herança familiar, genética e psicológica também são relevantes. E não deveríamos negligenciar a importância do ambiente, especialmente a predominância das atitudes sociais e visões de mundo, porque o individuo está sempre circunscrito, em maior ou menor medida pelo coletivo do qual ele faz parte.

Pode haver também um destino em cada existência – algo que a alma ou o Self pode desejar cumprir no decorrer de uma vida particular. No pensamento da filosofia grega haviam dois tipos de destino afetando o individuo, as erínias e o daimon. O primeiro poderia ser grosseiramente equiparado à herança ancestral, e o último com o destino ou propósito da alma. E pode haver também um destino coletivo – nações e povos inteiros podem ter um destino especifico em termos de evolução humana, e uma herança ancestral especifica. Como indivíduos, nós às vezes somos pegos em movimentos que são muito maiores que nós, porque somos parte de uma humanidade maior, que por sua vez está sintonizada com os ciclos planetários. Portanto, nós compartilhamos as vicissitudes desta humanidade maior, e temos que dar conta da bagagem psicológica que herdamos da nossa origem racial, religiosa, social e nacional.

Há questões filosóficas sobre as quais cada um de vocês tem suas próprias crenças e convicções individuais, Eu estou mencionando-as porque elas podem ser fatores na materialização dos trânsitos e progressões. De todas as áreas que eu tenho mencionado, a única na qual podemos ser realmente eficazes como indivíduos é a esfera dos nossos complexos inconscientes. Nossa habilidade para reconhecer, conter, trabalhar com eles e transformá-los poderia realmente afetar o coletivo do qual fazemos parte. Isto pode até afetar o nosso "karma". Antes da previsão de algum evento está sempre o individuo ou o grupo deles. No final somos forçados a voltar para nossos próprios jardins para contemplar o que está crescendo lá, se desejamos entender porque e que tipo de eventos são prováveis de nos acontecer.

Quando ocorre um evento?

Há uma outra questão importante sobre a materialização dos trânsitos, progressões e previsão de eventos. Ao considerarmos o momento em que algo vai acontecer, entramos numa área de tensão do que constitui em evento, e estamos num terreno muito misterioso. Eu darei um exemplo do quão complicado isto pode ser.

Recentemente eu tive uma segunda sessão com uma cliente que veio me ver a primeira vez há anos atrás. Eu não tinha ouvido nada sobre ela desde então. Eu notei que Plutão em transito estava agora se aproximando de Kiron na sua quarta casa a 5º de Sagitário. Isto revelou que, alguns anos antes, seu pai havia morrido. Minha cliente contou-me que quando ele morreu, não fez nenhum sentido para ela. Era aparentemente um não-evento. Ela não tinha tido um relacionamento íntimo com ele. Ela acreditava que pouco sentia por ele e portanto, quando ele morreu, era como se nada houvesse acontecido, pois ele não tinha sido presente.
Isto foi como ela colocou as coisas. Nós havíamos discutido a relação com seu pai durante a nossa primeira sessão, e suas percepções não haviam mudado desde então. Eu não estou inclinada a ver o lugar de Kiron como uma área da vida onde o individuo não sente nada. Mas minha cliente estava convencida que era este o caso, e foi aí que terminou a discussão sobre seu pai.

A razão pela qual ela veio me ver numa segunda sessão foi que ela estava muito aborrecida com seu cunhado, que estava doente. Ele havia desenvolvido pequenos tumores malignos, e embora os médicos tivessem operado e removido-os, novos tumores estavam crescendo, e ela tinha medo de que ele pudesse morrer. O que ela não podia entender era que, embora ela não fosse próxima de seu cunhado, a idéia da sua morte encheu-a de um terror cego. Contemplar a morte de qualquer outro, inclusive seu marido ( ela havia se casado quando a vi pela ultima vez), não evocava nela uma resposta tão drástica.

Por alguma razão o papel que esse cunhado exerceu em sua vida foi maior do que ela havia pensado. Ela o via raramente. Eles tiveram um relacionamento amigável, mas ela não era muito próxima à irmã casada com ele, e tampouco tinha tido fantasias eróticas com ele. Ela não podia entender porquê estava agora neste estado de extrema ansiedade com a mera idéia que este homem poderia deixar a sua vida. Ela chamou seu estado de "obsessão irracional", o que realmente era. Nós poderíamos observar que junto ao transito de Plutão conjunção ao Kiron, Netuno em transito estava passando e repassando sobre o seu Sol natal.

Gradualmente ficou mais evidente que o evento real que sustentava a sua ansiedade foi a morte de seu pai. Isto poderia soar estranho pois ele já havia morrido, mas no nível interno ele não havia morrido em absoluto. Não houve sofrimento, nem separação emocional, e nenhum sentido de perda no momento da morte real. No entanto, a presença de Kiron na quarta casa combinada com um trígono de Sol e Júpiter, sugeriu a mim que existiam sentimentos muito ambivalentes relativos ao seu pai, extremamente positivos tanto quanto dolorosos, os quais haviam sido totalmente reprimidos. Esta senhora tinha o hábito de reprimir todos os sentimentos. Embora fosse muito inteligente, tinha um curioso vazio, como se tivesse a cabeça oca.

A morte real pareceu estar coincidindo com o transito de Plutão se aproximando de Kiron natal, quatro ou cinco anos depois da morte física de seu pai. O cunhado da minha cliente preencheu o papel de pai para ela. Seu Saturno no 22º de Câncer estava em oposição exata ao Sol natal dela no 22º de Capricórnio. Ele evidentemente sentiu-se profundamente responsável por ela, embora a visse pouco e ela respondia as suas qualidades saturninas como uma filha deveria. Ela podia confiar nele; ele a fazia sentir-se segura. Ele estava sempre na retaguarda. Ele era extremamente estável. Ela sabia que se tivesse algum problema, poderia contar com ele, financeiramente ou emocionalmente. Ela nunca exercitou essa opção, mas sabia que ele estaria lá se ela precisasse dele. Ela projetou nele sentimentos inconscientes de natureza infantil que eram associados ao pai verdadeiro, com o qual ela claramente tinha tido uma relação dolorosa e complicada e que havia negado durante a sua vida adulta.

Se nós tentássemos prever os eventos sugeridos pelo transito de Plutão sobre Kiron na quarta casa poderíamos dizer: " Ela vai mudar de casa ou emigrar. Ou talvez ela vá se divorciar". Ou se fossemos um pouco mais atrevidos, poderíamos dizer "aqui está a morte de um dos seus pais, e isto pode despertar sentimentos muito dolorosos e confusos". A morte de seu pai é certamente uma possível expressão deste transito, especialmente se levarmos em conta a conjunção de Netuno em transito sobre o seu Sol natal. Mas como o pai pode morrer se ele já morreu?

Para minha cliente, o evento da morte do pai está acontecendo agora. Esta é a sua realidade, embora possa não ser a sua ou a minha. Essa morte e os sentimentos dolorosos que a acompanham não têm nada a ver com o pai de carne e osso colocado dentro de seu caixão. Agora, pela primeira vez, minha cliente está encarando o medo, o pânico e a dor que ela negou quando seu pai real se foi. Ela concentrou seus sentimentos num homem que não era realmente a pessoa pela qual ela tinha sentimentos. Seu cunhado é um substituto, um gancho para o seu complexo paterno inconsciente. Saber se o cunhado vai morrer não está claro pelo transito. Em certo sentido isto sequer é relevante. É a possibilidade de sua morte que evocou uma reação tão poderosa. Nós poderíamos dizer que a sua morte está sincronizada com a maturidade do complexo paterno que agora está pronto para se tornar consciente.

Este tipo de deslocamento de eventos internos e externos perturba nossas noções daquilo que definimos como realidade. Um acontecimento no sentido que ele reflete um transito ou aspecto progredido, pode não ser exatamente aquilo que pensamos que é, porque o tempo em que coisas concretas acontecem a uma pessoa, pode não ser o verdadeiro reflexo de quando elas acontecem internamente. Nosso reconhecimento emocional do envolvimento com os acontecimentos em nossa vida são aquilo que fazem o evento ser real. Lembramos do impacto que nos causou, e o impacto pode não acontecer no período do evento físico. Este breve exemplo que dei não é incomum. O tempo em que as coisas ocorrem não é sempre o mesmo quando elas ocorrem fisicamente. É por isso que os eventos materiais podem acontecer com uma inexplicável falta de trânsitos e progressões relevantes, mesmo que estejamos esperando que algo importante aconteça na carta.

Como outro exemplo, vamos considerar o fim de um relacionamento. Quando ele acontece? Quando duas pessoas se separam? Esse não é obviamente o caso, nem mesmo quando a morte é a causa da separação. Para muitas pessoas a relação ainda está viva e cheia de força anos depois de separação física, e um parceiro pode estar bravo e muito infeliz, incapaz de se recuperar da perda, mesmo que o parceiro tenha partido há muito tempo. Isto é particularmente trágico e comovente quando um pai perde seu filho e não pode processar a perda. O quarto da criança pode ser preservado como um museu, nada pode ser trocado ou sair do lugar, e a sua volta é esperada a qualquer momento. Isto também pode acontecer com casais divorciados. A fotografia do ex-parceiro nunca é tirada do aparador, e não é permitido a um novo amor sentar-se na poltrona favorita do velho amor.

É comum as pessoas serem pouco conscientes disso, e ficarem chocadas com suas reações violentas quando alguns anos mais tarde, a ex-mulher ou o ex-marido casam-se novamente. O inferno todo desaba, embora o parceiro desaparecido tivesse sido colocado no gelo num compartimento secreto da alma. Embora ele ou ela tenham ido fisicamente, a amada presença ainda está internamente ali, e quando o ex-parceiro assume um compromisso, toda a dor e medo são experimentados como se a separação tivesse acabado de acontecer. De fato, ela acabou de acontecer, embora no plano concreto isso aconteceu há anos atrás. Isto pode acontecer quando vemos Vênus progredida conjunção à Plutão, ou Saturno transitando sobre Vênus, ou Urano em transito fazendo oposição à Lua na sétima casa.

Quando as relações acabam, o fim pode ser só para um daquele casal. Às vezes os relacionamentos também terminam antes de seu fim real. O casal continua vivendo juntos toda uma vida, mas a vida deixou a relação dois, dez ou trinta anos atrás. Isto pode estar refletido por um transito ou aspecto progredido relevante, mesmo que não haja um evento físico. Movimentos na carta podem descrever o fim de algo, mas não há um final visível, nenhum evento concreto. Ou o transito ou aspecto progredido relevante pode descrever o fim de algo muito tempo depois de alguém dizer "Oh, isso acabou anos atrás". Finais, tanto quanto começos, são questões altamente pessoais. Pessoas diferentes têm diferentes dimensões de tempo para processar os acontecimentos. Alguns eventos que nada significam para uma pessoa, muito significam para outra. A morte em si mesma tem diferentes significados para diferentes pessoas, e alguém pode ficar cheio de raiva e terror e negar sua doença fatal até o final, enquanto a outra está pacificamente resignada à morte como um rito de passagem anos antes de sua passagem real.

A percepção de um evento – seu tempo, seu significado e a interpretação que damos a ele – é descrita por um sincronismo do transito ou progressão, e portanto os "eventos" descritos pelos movimentos planetários são aqueles que ocorrem na psique. Um evento externo em si mesmo pode não ser relevante para um indivíduo. Se alguém tem um poderoso transito ou aspecto progredido, o evento pode ter grande significado e causar uma reviravolta na vida da pessoa; mas se o mesmo evento ocorre em outro momento, quando não há uma concordância tão poderosa dos aspectos, isto é experimentado de forma inteiramente diferente e poderá não ser sentido como "importante".

O acontecimento em si não é tão importante como uma entidade objetiva. Mas aquilo que alguém experimenta internamente acrescenta importância e sentido ao evento, de acordo com o transito ou progressão que coincidem com ele. Sei que isto é uma coisa difícil de captar, porque nossa forma habitual de interpretar a realidade é que qualquer coisa que aconteça "lá fora" seja objetiva. A manifestação física pode ser objetiva ( embora isto seja também questionável) , mas não a maneira como nós a percebemos. É muito perturbador explorar caminhos nos quais nossas percepções podem colorir o que é "lá fora". E nossas percepções são aquilo que o horóscopo descreve, incluindo trânsitos e progressões sobre os pontos da carta natal. Quando Saturno em transito está sobre a Lua, estamos predispostos a perceber e responder às situações de uma certa maneira, o que é muito mais realista e negativo do que o transito de Netuno sobre a Lua. Quando Urano transita sobre Mercúrio nós percebemos a verdade de forma bem diferente do que percebemos no transito de Kiron sobre Mercúrio. Quando Júpiter transita sobre Vênus, experimentamos as pessoas diferentemente do que num transito de Plutão sobre Vênus. São as pessoas que mudaram ou somos nós? E se realmente são as pessoas, podem as nossas mudanças de percepções influenciar no tipo de pessoas que atraímos, assim como as atitudes que elas têm conosco?

Se a separação ocorre durante um transito de Urano trígono Vênus, nós teremos um sentimento bastante diferente daquele que acontece sob um transito de Plutão oposição à Vênus. Aos olhos alheios, o evento parece ser o mesmo. Joe Bloggs deixou a sua mulher e fugiu com a sua secretária de dezoito anos. Mas a mulher de Joe tem Urano trígono Vênus nesse momento, e ela provavelmente lançará um suspiro de alívio por livrar-se dele e sentir-se finalmente livre. Se ela tem uma oposição de Plutão de Vênus, a coisa mais amarga de toda a situação será a traição. Se a Vênus progredida faz oposição à Netuno, ela pode sentir-se vitimizada. Se Saturno em transito faz uma quadratura a Vênus ela pode ficar preocupada com a sobrevivência material e se consumir em sentimentos de inferioridade perante a rejeição humilhante.

Não devemos nunca subestimar a importância da dimensão subjetiva dos eventos. Como o acontecimento é sentido, como ele é entendido e percebido, e quando isto registra a realidade será totalmente diferente de acordo com o "clima" astrológico, assim como a carta natal, porque o individuo está recebendo o evento de uma forma individual. Isto complica nossas definições sobre aquilo que constitui um evento. O nível pode variar muito assim como o momento. E o acontecimento sugerido por um movimento planetário particular pode estar ou não conectado com o acontecimento físico.

As coisas se tornam mais complicadas quando consideramos os planetas lentos. Eles podem permanecer próximos aos aspectos da carta natal por dois ou três anos, e, no caso de Plutão ainda por mais tempo, movendo-se para trás e para frente, mudando a sua direção com seus movimentos direto e retrogrado. Uma série de eventos aparentemente desconectados pode ocorrer durante o transito dos planetas exteriores, e esses acontecimentos poderão ser percebidos através da lente colorida por uma tinta especial relacionada a esse transito. Por isso todos os eventos que acontecem neste período podem ter um sentimento ou significado similar.

Se esses mesmos eventos acontecessem em outra época, eles não seriam experimentados da mesma forma. Eles poderiam ser vistos de forma aleatória. Não poderíamos dizer, "Ah, aqui existe uma conexão entre a morte de meu pai dois anos atrás, a disputa que tive com meu patrão no ano passado, e o novo romance que comecei este mês; tudo faz parte do mesmo pacote". É o transito ou a progressão que reflete o sentido de coincidência, não os eventos em si. Temos especialmente a tendência de lembrar de períodos em nossas vidas, em vez de lembrar um tema especifico após o outro, e o sentido de ter vivido uma época especifica colorida por certos tipos de acontecimentos é profundamente subjetivo e conectado com trânsitos e progressões dominantes naquela época.

Temos que ser muito cuidadosos quando tentamos definir um evento, porque quanto mais de perto nós o olhamos, mais subjetivo ele fica. Uma observação de aspectos da época da morte de um individuo é um vívido exemplo disso. Com isso quero dizer que são importantes não somente os aspectos que aparecem na carta da pessoa que morre, mas também aqueles que ocorrem nas cartas daqueles que são próximos à ela. Nós podemos pensar que a morte é um evento terrivelmente especifico, que ocorre num momento particular, e então temos que levantar a carta para esse momento preciso. Mas nenhum astrólogo pode sustentar com êxito uma típica "assinatura da morte" – isto é diferente em cada carta natal. E se os aspectos vão se formando, às vezes por muitos anos, isto pode ser relevante tanto quanto aqueles que acontecem num momento preciso. É possível que algumas mortes realmente aconteçam num plano interno, bem antes da morte real e estejam refletindo algo interno de um individuo que "entregou os pontos".

Tentar compreender o sentido da materialização dos trânsitos e progressões significa que devemos ter em mente os três níveis de expressão, incluindo os níveis emocional e teleológico. Esses dois últimos têm influencia direta na realidade dos eventos. Não só os três níveis são relevantes, mas é sábio lembrar toda a complexidade dos níveis. Somente quando nós temos um grande quadro do que está acontecendo nós podemos de forma responsável dizer, "há uma possibilidade de tal e tal acontecer". Sem essa visão maior, nós estamos atirando dardos de olhos vendados. Podemos ter o alvo preciso, mas também podemos também ferir alguém nos olhos.

Disponivel como livro (em inglês):
Liz Greene:
"The Horoscope in Manifestation"
CPA Press, London, 1997.

Pode reservar este livro com:
www.midheavenbooks.com

Traduzido por Tereza Kawall

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Posições actuais dos planetas
14-Jul-2014, 03:03 UT/GMT
Sol21Câncer37'32"
Lua15Aquário10'33"
Mercúrio0Câncer55'36"
Vênus24Gêmeos37'50"
Marte24Libra3'30"
Júpiter29Câncer29'17"
Saturno16Escorpião40'50"r
Urano16Áries28'58"
Netuno7Peixes17'34"r
Plutão12Capricórni2'50"r
Nodo Lun.true23Libra59' 6"r
Quíron17Peixes30'31"r
Explanations of the symbols
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