Observação da Lua por Dana Gerhardt

Segunda parte: A Lua Nova

Há anos que realizo rituais de Lua Nova. Há sempre uma voz cá dentro que pergunta: "Mas afinal para que é que isto serve?" Outra voz normalmente responde, "Cala-te, isto é magia". "Queres magia, não queres?". A voz cética persiste: "E daí? Ou fazes um ritual ou esqueces-o. Isso não muda o mundo". A voz amante de magia grita: "Salta a Lua Nova e os deuses ficam zangados. É melhor fazê-lo". Quando tudo o mais falha, a culpa vence. Eu faço-o. E porque mantive o compromisso, tenho recebido um ensinamento ao longo dos anos que vai para lá da inteligência quer do cético quer do amante de magia. Este conhecimento é profundamente lunar. E o ter vindo gradualmente, ao longo de muitos rituais de Lua Nova, é precisamente o cerne da questão.

Os rituais podem ser uma forma de união com a ordem natural. Nas tradições antigas, as cerimónias programadas de acordo com o Sol, a Lua e as estações eram genuinamente colaborativas, uma forma de garantir que os ritmos naturais eram preservados. Falhava-se a preservação dos ritmos e o mundo adoecia. Hoje em dia somos coartados pelo conhecimento de que o Sol e a Lua nascerão sem a nossa ajuda. Contudo, não podemos estar tão convencidos, de que o mundo não adoeceu sem as nossas atenções rituais.

Não é por esta razão que mantenho as cerimónias de Lua Nova. É mais pessoal. Trata-se do valor de desenvolvimento da repetição, regressando sempre ao mesmo momento, com um propósito similar, ao longo do tempo. Isto é aquilo que a Lua faz, trazendo sempre a Lua Cheia para o horizonte oriental ao pôr-do-sol, sem falha a devolver o Quarto Crescente ao céu ocidental duas semanas mais tarde. Eu também regresso. Às vezes, simplesmente murmurarei palavras ou gesticularei sem grande sentimento ou ligação, até que numa Lua Nova, senti um "aha" tão profundo; ressoou para trás e para a frente, carregando quer as cerimónias passadas quer as futuras. Ao longo da Lua Nova seguinte algo mais entrou em construção. Alimentadas pela teia subtil da mudança, reflexão e retorno, vieram as transformações.


"A princesa aventurou-se um dia a entrar na floresta fresca para brincar com a sua bola dourada (simbolicamente, para encontrar completude). Acidentalmente, deixa cair a bola dentro de uma nascente. Ai de mim! Então aparece um sapo (na verdade, é um príncipe encantado). Ele recupera a bola para ela, e depois de uma coisa e outra, a princesa casa com ele (completude adquirida). Quem poderia prever onde aquele passeio inocente iria levar?"


Obtemos aquilo a que a antropóloga Mary Catherine Bateson chama "epifanias longitudinais", descobertas que apenas podem ser feitas percorrendo o mesmo caminho uma e outra vez. [1] É uma forma natural de aprender apropriada ao ritual. Bates está preocupada com o facto de estarmos a perder a nossa capacidade de aprender desta forma. A nossa ânsia de liberdade, novidade, entretenimento e velocidade chamam mais forte. Detestamos ser encaixotados. Repetir palavras e fórmulas tradicionais parece artificial. Preocupamo-nos que à nossa experiência espiritual ritualizada falte sinceridade. Aborrecemo-nos. Sobretudo se o ritual não trouxer resultados instantâneos, poderemos sentir que fomos burlados.

Talvez possamos aprender com as crianças, que conseguem ver, espantosamente com pouca inquietação, o mesmo vídeo, jogar o mesmo jogo, ouvir a mesma história, uma e outra vez. Não só conseguem fazê-lo, adoram fazê-lo. Para o progenitor que observa, aquilo que a criança obtém de tal repetição é frequentemente um mistério. Mas poderá ser uma variante do mesmo segredo tranquilizador que a Lua conta todos os meses: "Estás de volta! Fica mais um pouco. Vamos mais fundo. Quem és tu agora? O que é que vês?"; A cada regresso da Lua Nova, os detalhes das nossas vidas poderão ter-se alterado mas existe quer continuidade quer oportunidade no atingir das mesmas encruzilhadas temporais outra vez.

Uma criança a ver "Em Busca do Vale Encantado" uma e outra vez poderá parecer possuída, como se o vídeo a tivesse capturado, e não o inverso. Então e se nenhuma forma ritual nos capturar? Podemos apropriarmo-nos de um ritual de uma qualquer tradição estranha? Sem a sua herança ou formação, terá significado para nós? Ou se decidirmos inventar o nosso próprio ritual, será que lhe faltará o ingrediente secreto e o poder das fórmulas criadas pelos espiritualmente mais sábios? Mas então e se nos apresentarmos regularmente na Lua Nova mas improvisarmos sempre as nossas cerimónias? Isso também conta?

Quem me dera saber as respostas. Vivemos tempos caóticos. Sinto que nos anos vindouros, especialmente à medida que Plutão percorre Capricórnio, o nosso desejo de encontrar fórmulas estáveis e de construir estruturas sólidas irá aumentar. (Nota do Editor: Plutão entrou em Capricórnio em 2008 e irá permanecer aí até 2024.) No meio tempo, penso num dos meus filmes B preferidos, "Mad Max, Além da Cúpula do Trovão"; No filme, um grupo de crianças pós-apocalipse está preso depois da queda de um avião. Aprendem a sobreviver na paisagem desértica. Mas também desenvolvem rituais que honram o seu presumível mundo passado, baseando-se em objetos que encontram nos destroços do avião - uma videocassete partida, uma fotografia de menina, um postal do horizonte de Nova Iorque. Os seus pressupostos acerca do passado são estrondosamente inexatos, mas os seus rituais são criativos e inspirados. O recitar das suas histórias e o regresso ao seu contentor ritual é aquilo que vincula o espirito daqueles inocentes encalhados.

Podemos tirar partido da sua inteligência, apesar da sua fonte fictícia No final, o ritual que escolhemos poderá importar menos que escolher um ritual de facto. Também poderá não fazer qualquer diferença a altura em que realizamos os rituais. Na Lua Cheia. No dia 15 de cada mês. Quando a flor preferida desabrochar. Eu por acaso gosto da Lua Nova. Um momento de renovação inspirado pela natureza, devolve-nos, uma e outra vez à energia do começo. A verdade é que, começamos muitas vezes, astrologicamente e de maneiras diferentes. Toda a conjunção em progressão ou trânsito ou todo o movimento ou mudança de emprego representa outro começo novo, tal como a Lua Nova. Quando se mantém uma prática de Lua Nova, fica-se cada vez mais sábio acerca do significado de "começo".

Uma boa forma de entrar na qualidade sensível da Lua Nova é relembrar uma "primeira vez" na infância. Os começos da infância são mais puros, e estão menos sob o jugo das expectativas trazidas pela experiência. Lembro-me da primeira vez que dei de comer aos patos. Tinha três anos e ninguém se deu ao trabalho de me dizer o que estávamos a fazer. Estávamos num carro, depois num parque de estacionamento, depois alguém me deu para as mãos um saco cheio de pedaços de pão partido. Sem compreender para que era aquilo, comecei a comê-los Os adultos desataram-se a rir, o saco foi-me tirado das mãos, chorei.


"A verdade é que começamos muitas vezes em termos astrológicos e noutros. Toda a conjunção em progressão ou trânsito ou todo o movimento e mudança de emprego representa outro começo novo, tal como a Lua Nova. Quando se mantém um ritual de Lua Nova, ficamos cada vez mais sábios acerca do que significa um novo começo."


Um começo não muito auspicioso; E não muito diferente de muitas Luas Novas. Ainda não sabemos acerca do lago cheio de patos para lá do parque de estacionamento; O céu está escuro então, a Lua tendo mergulhado abaixo do horizonte com o Sol poente. O anúncio visual do começo de um novo ciclo só surge um ou dois dias depois, quando um crescente delgado aparece a oeste.

No início a subtileza disto iludia-me. Devido aos meus primeiros anos de estudo metera de alguma maneira na cabeça que a Lua Nova funciona como o ribombar do címbalo no início de uma parada, um momento barulhento e frenético em que todos corremos à toa, cheios de energia, começando novos projetos com entusiasmo. Durante as Luas Novas via os noticiários e observava as pessoas à minha volta, à espera de observar grandes acontecimentos e atividades. Por vezes ocorriam, mas muito frequentemente não. Perguntei-me, estaria a astrologia errada?

O Sol e a Lua formam uma conjunção na Lua Nova. Isto de facto assinala uma tremenda concentração de energia, mas ela ocorre longe da nossa vista; Isto sugere energia mas pouca consciência, uma característica comum a todos os começos. Gostamos de pensar que nos orientamos a nós mesmos no sentido das novas direções que desejamos, mas o mais frequente é começarmos os nossos novos ciclos como a Lua Nova, no escuro. Isto assemelha-se ao momento da conceção, outra conjunção divina que ocorre longe da nossa vista. Só descobrimos aquilo que iniciámos muito depois de o termos iniciado.

Ao agirmos no escuro, estamos a sentir o nosso caminho, mas não sabemos ao certo onde ele nos irá levar. Isto adequa-se à energia especial das conjunções- quer se trate de uma Lua Nova, ou de um planeta que em progressão ou trânsito forme uma conjunção com um planeta natal, mesmo quando existem conjunções no mapa natal. Há uma fusão de energia, um esborratar de forças que traz uma nova oportunidade e alguma confusão. Uma ânsia é espicaçada mas em que direção? Qual é o planeta que assume o comando? As energias lutam umas contra as outras ou misturam-se para criar algo novo?

Apesar de não haver certezas quanto ao destino final, temos de prosseguir em frente. Dirigimo-nos para o nosso teste de Lua Nova. Espicaçados pela energia sem propósito consciente, podemos criar algo novo ou retroceder para o instinto. A maior parte das vezes fazemos aquilo que já conhecemos, desviando-nos da apelativa mudança. Comi o pão, porque com três anos de idade, era o que eu fazia com o pão. Como é que eu iria saber que era suposto alimentar os patos? Como é que eu iria saber sequer que havia patos?

O que eu aprendi ao manter um ritual regular de Lua Nova é que sem um calendário lunar, é fácil perder este momento. Uma semana de trabalho ocupada atrás de outra, somos empurrados para a frente ao compasso maquinal da vida moderna. Inconscientemente, fazemos a nossa Lua Nova percorrer velhos caminhos. Apesar de existirem 12 a 13 Luas Novas todos os anos, cada uma delas uma oportunidade celestial de construir de novo, as pessoas comummente aterram nas mesmas situações mês após mês.

A astrologia pode ajudar, mas também pode tornar-nos pretensiosos. Sabemos quando é Lua Nova. Ainda por cima, temos mapas da Lua Nova que nos podem dizer o que está para vir. Podemos energizar novos objetivos coordenando-os com a casa nos nossos mapas onde a Lua Nova irá ocorrer. Eu costumava favorecer especialmente a abordagem dos objetivos. Então num ciclo de Aquário tive a minha paga e o meu paradigma mudou.

O grau daquela Lua Nova caiu na minha 6ª casa. Eu considerava assuntos da 6ª casa , o meu trabalho, a minha saúde, as minhas rotinas diárias e tomei a brilhante decisão de me reorganizar em todas estas áreas. Á medida que o mês avançava fui apanhada desprevenida. O meu trabalho de astrologia de repente duplicou, os caprichosos computadores do escritório iam-se abaixo constantemente, tempestades estrangulavam o trânsito e os horários mudavam abruptamente. Ao invés de fazer progressos relativamente aos meus objetivos eu estava extremamente ansiosa. Então, num relâmpago aquariano, percebi tudo. A questão do ciclo era aprender algo novo - desenvolver mais a ingenuidade aquariana.

Aquário sempre foi a minha 6ª casa e eu abordei-a tal como qualquer pessoa com o ascendente em Virgem o faria. Estou sempre a tentar organizar o meu trabalho, a minha saúde e as minhas rotinas diárias. E eram esses os meus objetivos, ano após ano por altura da Lua Nova em Aquário. Pensava que isto fosse trazer a mudança! Nesse ciclo finalmente sintonizei-me com o primoroso jogo do caos e invenção na minha 6ª casa aquariana. Aprendi a abrir mão de alguma da minha rigidez virginiana, a abraçar o inesperado e a refinar a minha técnica astrológica para incluir maior espontaneidade e intuição. Estes dons não resultaram de um plantio consciente de sementes. Eles resultaram da recetividade à energia da época.


"O Sol e a Lua formam uma conjunção na Lua Nova. Isto de facto assinala uma tremenda concentração de energia, mas ela ocorre longe da nossa vista; Isto sugere energia mas pouca consciência, uma característica comum a todos os começos. Gostamos de pensar que nos orientamos a nós mesmos no sentido das novas direções que desejamos, mas o mais frequente é começarmos os nossos novos ciclos como a Lua Nova, no escuro."


Agora tudo adquirira um novo sentido para mim. Porque a Lua Nova é uma conjunção Sol/Lua, podíamos ser quer solares (conscientes) quer lunares (recetivos). Podíamos estabelecer objetivos. Podíamos arremeter em direção a alguma nova aventura. Mas também deveríamos permanecer atentos aos sinais de uma aventura diferente eventualmente planeada pelos deuses. Alguns dirão que isto é exatamente aquilo que os mapas de Lua Nova podem revelar.

Ontem recebi um correio eletrónico da minha amiga Gloria que tem andado a estudar previsão e mapas de Lua Nova. O texto que ela tem andado a ler diz que quando uma Lua Nova na 6ª casa faz uma quadratura a um planeta natal na 3ª casa, daí podem resultar acontecimentos funestos. A Lua Nova em Virgem estava a fazer uma quadratura à Vénus na 3ª.casa a partir da 6ª casa. Ela iria apresentar o seu segundo romance ao seu editor naquela semana. Ela estava preocupada: “Será que alguma coisa terrível irá acontecer ao meu livro?”

Embora seja possível ver o futuro nos mapas de Lua Nova, esta possibilidade é tão contrária às exigências do tempo, que eu cada vez gosto menos dela. Tal como um astrólogo amigo disse recentemente, " as previsões raramente nos inspiram". Neste caso, a previsão havia forçado a Gloria a focar-se num ponto de preocupação, que dificilmente era o melhor quadro mental para a submissão do seu projeto, já para não falar no lançamento de um novo ciclo.

Se ela retirasse o livro porque o mapa dizia que era a altura errada, ela iria cercear a dança do desenrolar do livro e todo e qualquer aprendizado que a aguardasse. Ela poderia também plantar sementes de insegurança para a sua próxima submissão. Qualquer pessoa que trabalhe com previsões sabe que um aspeto difícil vindouro encerra muitas possibilidades. Poderia muito bem acontecer que a quadratura não atingisse sequer o livro da Gloria, acarretando no entanto qualquer outro acontecimento.
Seja lá o que for que um mapa de Lua Nova prometa, parece que o ideal é avançar para ele com uma prontidão desprovida de preconceitos. Agora leio os mapas de Lua Nova de uma forma mais ligeira, preferindo "descobrir" as suas manifestações há medida quer o ciclo se desenrola. Até o estabelecimento de objetivos começou a soar demasiado agressivo, demasiado orientado para a dificuldade, demasiado prematuro para a natureza do momento. Esta atividade cai melhor na próxima fase, o Quarto Crescente. Eu agora encho-me com uma suave aspiração orientada para a casa energizada no meu mapa durante as Luas Novas. Quando desenho os símbolos nessa casa já não estou tão aberta a eles. A Lua Nova é um apelo à atenção para com essa parte da minha vida.

Isto inclui uma prontidão quer para arrasar aquilo que é velho quer para construir algo novo. Existe algo de ligeiramente apocalíptico em cada Lua Nova, que exige que o nosso velho mundo, o nosso velho eu, morra. {} A divindade mais adequada para esta fase poderá ser o deus hindu Shiva, a dançar num espantoso fogo que constrói ao mesmo tempo que destrói. Shiva diria "Perde esse olhar tenso e estudado". As Luas Novas exigem uma abertura de corpo e mente. Ergue os teus braços para o céu. Assenta os teus pés na terra. Esvazia-te! Maravilha-te! Dança!"

Cada mês a fase da Lua Nova dura três, quatro dias. Vai da conjunção entre o Sol e a Lua, passa pelo seu semi-sextil (afastamento de 30 graus), pela sua semi-quadratura, quando a Lua está 45 graus à frente do Sol. Sempre que posso, gosto de dar um breve passeio, durante este período, saindo a pé ou de carro, sem qualquer outro objetivo que não seja ir a um lado qualquer e ver o que acontece. Entro no espirito da princesa em "O Príncipe Sapo".

A princesa personifica a Lua virgem. Ela é tão jovem e bonita que até o Sol, que já viu muita coisa, se enche de assombro quando brilha no seu rosto. A princesa aventurou-se um dia a entrar na floresta fresca para brincar com a sua bola dourada (simbolicamente, para encontrar completude). Acidentalmente, deixa cair a bola dentro de uma nascente. Ai de mim! Então aparece um sapo (na verdade, é um príncipe encantado). Ele recuperou a bola para ela , e depois de uma coisa e outra, a princesa casou com ele (completude adquirida). Quem poderia prever onde aquele passeio inocente iria levar?


"A princesa que brinca a atirar e a apanhar a sua bola dourada invoca o sentimento de uma conjunção de Lua Nova. Recorda-se de como era jogar ao atirar e apanhar apenas consigo mesmo? Elevar-se com a bola conforme a atira a ela e ao seu espírito em direção ao céu? De como perdeu toda a noção de tempo e do mundo exterior enquanto se posicionava por baixo da bola, observando-a a cair na sua direção? Ficamos infundidos de energia e naturalmente absortos."


Raramente as minhas deambulações de Lua Nova são tão dramáticas. (Embora eu tenha de admitir que há três lunações encontrei de facto um príncipe!). A maior parte das vezes saio em cada Lua Nova apenas para quebrar a minha rotina. Por vezes surgem novas inspirações. Por vezes, tal como no caso da princesa, uma irritação ou aparente infortúnio conduz a algo novo. A questão é que não planeio. Tal como o príncipe sapo sugere, durante os inícios de Lua Nova, até mesmo os encontros com poucas coisas em comum, como sapos de floresta, podem ser auspiciosos.

A princesa que brinca a atirar e a apanhar a sua bola dourada invoca o sentimento de uma conjunção de Lua Nova. Recorda-se de como era jogar ao atirar e apanhar apenas consigo mesmo? Elevar-se com a bola conforme a atira a ela e ao seu espírito em direção ao céu? De como perdeu toda a noção de tempo e do mundo exterior enquanto se posicionava por baixo da bola, observando-a a cair na sua direção? Ficamos infundidos de energia e naturalmente absortos." Encontramo-nos mais dentro de nós mesmos e menos conscientes do ambiente exterior. As oposições e as quadraturas lembram-nos que o mundo está cheio de outros, mas durante as conjunções, não somos tão provocados. É como se nós fossemos o mundo inteiro.

Esta forte subjetividade transita para os nascidos na Lua Nova, agraciando-os com desejos que o resto de nós não se atreveria a perseguir. Afortunadamente desconhecedores dos nossos pontos de vista, desconhecem que aquilo que procuram é tão inaudito ou impossível.Os indivíduos de Lua Nova são pioneiros, os grandes iniciadores e dissidentes da nossa cultura. Estão aqui para dizer "sim", ao seu próprio pacote especial de interesses e habilidades, levando esse pacote o mais longe que puderem.

Encontrem alguns indivíduos de Lua Nova e interroguem-nos acerca das suas vidas. São pessoas interessantes e ecléticas, como um bem-sucedido empresário que eu conheço que é presidente de uma corporação de investigação no valor de vários milhões de dólares e escreve poesia, partilhando frequentemente com as suas secretárias e clientes, CDs com as músicas que compôs e tocou.

Por vezes esta coleção única de talentos é mais uma maldição que uma bênção. Com tantas possibilidades de escolha, os indivíduos de Lua Nova podem dar por si paralisados no início uma e outra vez. São estes os fundadores que ainda não descobriram o que irão fundar. Não existem modelos prontos a usar - eles têm de forjar o seu próprio trilho. Mas afirmar um modelo e manter-se fiel a ele é difícil. Fiéis à natureza desta fase, estes bebés de Lua Nova tendem a agir instintivamente sem uma ideia clara de onde isso os irá levar.


"Tal como as personagens dos nossos livros e filmes preferidos, o que descobrimos no final é habitualmente diferente daquilo que nós originalmente procurávamos. O mais importante é continuar a andar. A seguir o mais importante é estar alerta para o momento em que, como a princesa, a nossa bola dourada cai no lago. Este é o semi-sextil, um aspeto que é metade de um sextil ou metade de uma oportunidade. É um daqueles aspetos "óleo de rícino". No final é bom para nós, mas na altura fazemos uma careta."


A astrologia pode ajudar. Olhem para os outros planetas nos mapas deles de forma a que o seu potencial também frutifique; Procurem sobretudo posicionamentos em signos fixos. Com um mapa muito disperso ou muitos planetas em signos mutáveis ou cardeais ou muitos posicionamentos a zero graus, pode ser particularmente difícil focarem-se nos seus objetivos. No caso destas pessoas, Saturno ou Plutão podem ajudar, quer no seu posicionamento natal ou por trânsito. Orientem-nos no sentido de transformarem a sua obsessão plutoniana em capacidade de comprometimento. Encorajem-nos a converter as limitações e medos de Saturno em diligência.

Recordo-me de uma leitura com uma mulher de Lua Nova brilhante e talentosa prestes a chegar ao seu 40º.aniversário. Uma metáfora dolorosa da sua persistente confusão de Lua Nova era o facto de ter passado por vários abortos ao longo dos anos, sem ter tido um filho. Ela também tivera quase uma dúzia de carreiras e meia-dúzia de relacionamentos. Ela trabalhara numa plataforma petrolífera, treinara cavalos, fora carpinteiro, adestrara lamas, vendera vitaminas, fora contabilista, trabalhara num escritório de advogados, numa quinta e desenhara vitrais. À sua frente estavam trânsitos pelos quais poucos anseiam: Plutão estava em quadratura com Plutão natal, Saturno estava a atravessar o seu Nodo Norte. Mas com ela resultaram bem. O que aconteceu foi que ela engravidou e finalmente levou a gravidez até ao fim. Agora ela é uma mamã única e feliz.

Todos nos convertemos em bebés de Lua Nova de quando em vez. Quando o nosso Sol e a nossa Lua progredidos entram em conjunção, numa média de duas ou três vezes numa vida, entramos num período de Lua Nova que dura três ou quatro anos. As conjunções formadas pelos planetas exteriores em trânsito e o retorno dos planetas interiores também poderão assumir este caráter; compreender a sua qualidade de Lua Nova pode ser uma maneira importante de os ler. Se abraçarmos novas possibilidades, poderemos com certeza ser perdoados pelo nosso alheamento nestes momentos. O nosso eu subjetivo será alterado pelos eventos futuros. O momento presente é a caixa de Petri onde começa a crescer a nossa busca.

Tal como as personagens dos nossos livros e filmes preferidos, o que descobrimos no final é habitualmente diferente daquilo que nós originalmente procurávamos. O mais importante é continuar a andar. A seguir o mais importante é estar alerta para o momento em que, como a princesa, a nossa bola dourada cai no lago. Este é o semi-sextil, um aspeto que é metade de um sextil ou metade de uma oportunidade. É um daqueles aspetos "óleo de rícino". No final é bom para nós, mas na altura fazemos uma careta.

Algo acontece que interrompe o nosso devaneio. Não gostamos disso, embora sejam os momentos desconfortáveis aqueles que nos conduzem ao negócio da mudança. Invejamos o sucesso dos nossos amigos. O nosso cônjuge é mau para nós. A nossa casa é demasiado pequena. Seja lá o que for, estamos prontos para lidar com o sapo, que diz que se concordarmos com as suas condições, nos iremos sentir melhor. O sapo diz que se ele apanhar a bola da princesa, ela terá de o levar para a cama dela e partilhar as refeições dela com ele para sempre. Sem pensar ela diz que sim.
Nalgum momento durante esta fase, fazemos uma promessa de Lua Nova. Talvez tenhamos algum encontro de tal maneira insuportável com o nosso chefe que nos rebelamos com uma determinação renovada; "Chega, vou arranjar uma nova carreira!" Sentimo-nos bem de novo e reavemos a nossa integridade. Dirigimo-nos de volta ao castelo do nosso sonho feliz, como a princesa, e de repente descobrimos este sapo coberto de verrugas a saltar ao nosso lado. "Mas tu prometeste!", grita ele.

"O quê?! Eu não estava a falar a sério." Fazemos cara feia. O sapo fica chateado. É a semi-quadratura. O que acontece agora? Terão de esperar pelo próximo artigo onde iremos falar sobre o Quarto Crescente!


  1. Mary Catherine Bateson, “Peripheral Visions”, (HarperCollins, 1994), p. 113

Oficina "Twelve Moons"

Aliada celestial da Terra, a Lua exerce uma influência poderosa na vida diária, mas poucos estão sintonizados com ela. Se quer aumentar a sua sensibilidade ao ritmo lunar, esta oficina é para si. Todos os meses antes da Lua Nova, receberá um caderno de exercícios com 26 páginas, personalizado de acordo com o seu mapa natal e a sua localização atual. Aprenderá sobre os detalhes astrológicos, o ingresso solar e da Lua Nova, como é que eles influenciam o seu mapa, bem como sobre as fases da Lua, a Lua fora de curso, os signos lunares e o trânsito nas casas. Ao longo do ciclo, será guiado numa ainda maior apreciação íntima do funcionamento da Lua na sua vida.
Oficina "Twelve Moons" em mooncircles.com

Traduzido do Inglês por Patrícia Vieira Neves (Portugal)

Posições actuais dos planetas
25-Out-2014, 01:27 UT/GMT
Sol1Escorpião33'24"
Lua15Escorpião7'50"
Mercúrio16Libra48'43"r
Vênus1Escorpião29'31"
Marte28Sagitário58'41"
Júpiter19Leão34'56"
Saturno23Escorpião4'30"
Urano13Áries49'54"r
Netuno4Peixes56' 6"r
Plutão11Capricórni15'27"
Nodo Lun.true19Libra16'54"r
Quíron13Peixes30'48"r
Explanations of the symbols
Mapa do momento
Astrologer watching the sky through a telescope, by Eugene Ivanov
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