Observação da Lua por Dana Gerhardt

Primeira parte: Intimidade lunar

O beijo da Lua   
As pessoas perguntam-me frequentemente porque dediquei tanto estudo às fases da Lua. Inicialmente foi um acto de insegurança. Eu imaginava que as fases da Lua fossem um assunto conhecido de todos os astrólogos, excepto eu. Quando era criança diziam-me que se visse a Lua em Quarto Crescente era sensato pedir um desejo. Uma vizinha dedicada à jardinagem disse-me que a Lua lhe guiava o cultivo e a poda. A televisão ensinou-me que quando a Lua estava Cheia as pessoas enlouqueciam. Mas as minhas aulas de astrologia pouco mais me ensinaram para lá disso.

Revi a minha colecção de textos astrológicos. Não consegui encontrar mais de uma dúzia de páginas acerca das fases da Lua, ao longo de seis prateleiras. Visitei a minha livraria metafísica preferida. Havia um corredor inteiro de livros de astrologia, mas nenhum era dedicado à Lua. Após quatro visitas a outras livrarias, finalmente descobri "The Lunation Cycle" da autoria de Dane Rudhyar. Mais tarde aprendi que este livro é a bíblia moderna das fases lunares. Praticamente qualquer astrólogo que trabalhe hoje em dia com as fases lunares se inspira neste livro.

Mas naquele tempo, achei-o uma leitura difícil. Passados três capítulos, lá estava eu a limitar-me a virar páginas, sem digerir uma única palavra. Rudhyar era detentor de uma compreensão elegante e conceptual da Lua mas as suas ideias pareciam estar tão afastadas da minha experiência pessoal quanto o próprio longínquo corpo celeste. Entra serendipidade. Uma amiga convidou-me para uma cerimónia de Lua Cheia com um grupo de mulheres místicas. Finalmente seria iniciada nos mistérios lunares!

Na noite da Lua Cheia, conduzimos até um pequeno apartamento atrás de uma bomba de gasolina e por cima de uma velha loja de tapetes. Entrámos e encontrámos uma roda medicinal feita de pedras e cristais no chão de uma sala sem janelas. Lá se foi a minha fantasia de dançar nua numa nesga de Luar! Ao invés disso, defumámo-nos com salva e erva-doce (Hierochloe odorata) e posicionámo-nos em torno do círculo. Cantámos, meditámos, embarcámos em viagens mentais pessoais e partilhámos. Foi uma noite aprazível. Mas mais tarde durante essa noite, ao olhar para cima para a Lua redonda e brilhante acima da minha cabeça, não me senti mais próxima dela que anteriormente.


Aprendi que as minhocas, as ostras, as cenouras, as salamandras e outros organismos se movem ao ritmo da Lua. Mas então e as pessoas?


Talvez demorasse tempo. Estava ansiosa pela próxima cerimónia da Lua até que soube que não haveria mais nenhuma. O que eu tomara por um ritual mensal não passara de um acontecimento novelesco. Ao longo do ano transacto, as mulheres do círculo tentavam acompanhar a Lua mas a vida atravessava-se no seu caminho. Os miúdos adoeceram, alguém tinha uma aula, era altura de férias, os carros avariaram, os parentes chegaram de fora. A Lua Cheia emergia como uma prioridade cada vez menos importante.

Foi mais um beco sem saída na minha busca pelo conhecimento relativo à Lua. Desapontada, comecei a perguntar a mim mesma se a minha meta tinha algum valor real. Dada a escassez de material escrito e a dificuldade de compromisso em tempo real com os ritmos lunares, talvez as fases da Lua não significassem absolutamente nada.

Chegara a vez da ciência, para a qual finalmente nos viramos para verificar se algo é real ou não. Vasculhei o livro de Gauquelin, "The Cosmic Clocks" e outros livros, à procura de provas estatísticas da influência exercida pelas fases da Lua. Aprendi que as minhocas, as ostras, as cenouras, as salamandras e outros organismos se movem ao ritmo da Lua. Mas então e as pessoas? O folclore afirma que o número de nascimentos, de suicídios, de homicídios, de incêndios premeditados e as ocorrências de violência doméstica aumentam em certas fases da Lua. No entanto é notavelmente difícil de encontrar provas científicas disto. Dada a popularidade persistente das crenças acerca da Lua, poder-se-ia pensar que os empíricos teriam resolvido esta questão há muito tempo atrás. Mas as investigações científicas formais são poucas. E para cada estudo que reivindica que o comportamento humano está ligado à Lua, há outro que jura que não.

As estatísticas são complicadas (ou se preferirmos, a ciência nem sempre é cientifica). Um exemplo disso é um estudo que parecia provar que os acidentes de viação aumentam durante as Luas Nova e Cheia. Foi mais tarde constatado que no decorrer deste estudo os acontecimentos lunares ocorriam em fins-de-semana, uma altura também associada ao maior número de acidentes. Quando os investigadores acrescentaram controlos estatísticos para as férias e fins-de-semana, a relação entre a fase lunar e os acidentes de carro desapareceu. Outro estudo mostrou que o número de homicídios é desproporcionalmente alto nas 24h antes e depois das Luas Cheias. Contudo, para chegar a esta descoberta passaram-se os dados por uma miríade de testes estatísticos, descartando todos os resultados negativos até alcançar o resultado positivo desejado, ou seja até se constatar que a conclusão não fazia virtualmente sentido. [1]


Este facto nunca pára de me espantar. As pessoas acreditam no poder da Lua o suficiente para o afirmar mas não o suficiente para de facto o investigar e rastrear.


A maior parte dos amantes da Lua acreditam nos estudos que comprovam a sua crença e a maior parte dos cientistas acreditam nos estudos que a refutam. Para lá disto, não estou segura quanto àquilo que aprendi a partir das investigações empíricas. Na verdade, um dos meus estudos favoritos é um estudo informal que eu própria tenho vindo a conduzir ao longo dos anos. Eu pergunto às pessoas, individualmente ou em grupo se acreditam que as fases da Lua exercem influência. Habitualmente a maior parte delas responde que sim. Porém quando pergunto às mesmas pessoas se me conseguem dizer em que fase está a Lua agora, é notório como muito poucos sabem responder.

Este facto nunca pára de me espantar. As pessoas acreditam no poder da Lua o suficiente para o afirmar mas não o suficiente para de facto o investigar e rastrear. Por agora era o fascínio sentido por toda a problemática da Lua que me mantinha colada a ela mais do que qualquer outra coisa. Eu era uma eterna provocadora no respeitante à Lua, tentando estreitar o fosso entre o folclore e a realidade, entre as lendas lunares e a minha própria experiência, entre o meu desejo de palpar os segredos da Lua e o meu receio de que talvez não existissem nenhuns.

rudhyar   
Por esta altura, o Dane Rudhyar começou a parecer-me muito bem. E então parti no encalço do conhecimento das fases da Lua dentro do seu enquadramento conceptual. Eu fui tão recompensada pela sua perspectiva quanto tenho sido por qualquer outra boa técnica astrológica. Rudhyar compara oito fases do ciclo da Lua a um processo orgânico que se desenrola. No modelo de Rudhyar, há uma gestação na Lua Nova, um crescimento gradual e uma fixação das raízes na Lua Crescente, uma crise de compromisso no Quarto Crescente e ajustamentos e luta pela sobrevivência na fase Gibosa. Uma ideia luminosa ou o florescimento surgem na Lua Cheia; a polinização ou dispersão do conhecimento é facilitada pela fase Disseminadora. Durante a Lua Minguante, há uma crise de fé à medida que o fruto ou cápsula de semente para o próximo ciclo, é preparado. A Lua Balsâmica traz decadência e desapego, libertando a semente para a próxima volta da roda.

O enquadramento de Rudhyar é sólido e notavelmente versátil. Funciona para compreender a lunação mensal (de uma Lua Nova à outra). Funciona para descrever o propósito de vida e os tipos de personalidade baseados na fase lunar sob a influência da qual se nasceu. Funciona espantosamente bem com técnicas mais avançadas como as progressões secundárias: De facto, mapear as fases da Lua progredida ao longo de um período de 30 anos revela um poderoso plano de vida. A aplicação desta técnica, primeiro no meu próprio mapa, provocou-me um dos momentos mais arrepiantes enquanto astróloga. "Meu Deus, isto funciona mesmo".


O mapear as fases da Lua progredida ao longo de um período de 30 anos revela um poderoso modelo de vida. A aplicação desta técnica, primeiro no meu próprio mapa, provocou-me um dos momentos mais arrepiantes enquanto astróloga. "Meu Deus, isto funciona mesmo".


O que Rudhyar ensina acerca da Lua também funciona para os planetas em aspecto. Uma boa compreensão da fase de Quarto Crescente, por exemplo, pode trazer uma nova compreensão de qualquer par natal de planetas numa quadratura em aplicação; ou a partir de um planeta em trânsito em quadratura aberta a um planeta natal. O enquadramento de Rudhyar traz um novo significado não apenas à Lua, abre todo o mapa, dando um novo significado ao sentimento do budista Shunryu Suzuki "Quando compreendemos uma coisa na íntegra conseguimos compreender tudo."

Finalmente sabia mais acerca da Lua que em criança. Como astróloga cresci usando as percepções do Rudhyar. Trouxe-as para as minhas leituras. Dei palestras acerca do ciclo de lunação em conferências. Estava inspirada para começar a delinear o meu relatório "Moonprints" a partir destes alicerces. E eu continuei a explorar o enquadramento de Rudhyar na primeira versão da colecção Observação da Lua, publicada na TMA, há nove anos atrás. Vocês julgariam então, que finalmente encontrara a felicidade na minha busca pelo conhecimento da Lua.

Mas não foi o que aconteceu. Para mim, durante muitas noites, a Lua continuou a assemelhar-se a uma estranha. E os pensamentos de desconforto persistiam, semelhantes ao incómodo provocado pela areia dentro dos sapatos depois de uma caminhada pela praia. Rudhyar era bom, mas porque é que a maior parte dos astrólogos, eu incluída, se inclinavam a simplesmente papaguear as frases de Rudhyar ao invés de construir por cima delas, enfim de as fazer evoluir? E porque é que as expectativas relativas a certas fases da Lua por vezes caíam por Terra? Algumas fases da Lua, por exemplo, eram tal como Rudhyar dizia, tão extraordinariamente assoladas por crises enquanto outras eram calmas.

Às vezes temos de viver durante anos com um questionamento, que foi o que aconteceu com a minha interrogação acerca da Lua. Às vezes não há resposta porque se trata da pergunta errada. Era esse o caso do meu quebra-cabeças lunar. Tal como acontecera com a maior parte dos meus estudos astrológicos, eu andara à procura da informação, do tipo de conhecimento que faria de mim uma perita nos desígnios dos céus. Porém a informação por si só não faz um bom astrólogo. Ao longo do tempo tenho aprendido que há uma grande diferença entre adquirir conceitos acerca de mapas e desenvolver um relacionamento activo com um cosmos vivo.


Em todas as minhas divagações eu regressava sempre ao local de partida, com a Lua como mistério, embora tivesse rasgado um véu significativo. Mas não era o véu da Lua. Era o meu próprio. A minha abordagem fora a errada, enquanto astróloga, adoradora da deusa a dançar num círculo cerimonial, empirista, historiadora, pretensa bruxa à procura das curas e segredos das ervas regidas pela Lua. Eu esquecera o elemento mais crítico da competência lunar: O aspecto dos relacionamentos. Tinha de ser pessoal.


Reflito frequentemente no que Thomas Moore dizia na obra "The Living Planets". Ele sugeria que com a chegada da ciência e da astronomia viera algo menos venturoso: A inabalável perda de intimidade com o céu. A nossa inteligência analítica e matemática resultou num tipo de aniquilação tecnológica da Lua que atingiu o auge a 20/07/1969 quando, diz Moore, "através do olho omnisciente da televisão nós pudemos ver a poeira de Luna, a pegada do pé humano, bem calçado claro, e mais tarde um taco de golfe a dar uma tacada no corpo de quem antes fora um "daimon", um deus, um governante celestial ou "archon" Foi então, argumenta Moore, que " os laços com os planetas tão profundamente sentidos foram arruinados." [2]

Para medir o quanto perdemos do nosso relacionamento com a Lua, podemos imaginar como é que era antes dos registos escritos, quando a Lua era o nosso calendário, tornando possível a agricultura, a migração e por último a civilização. O momento certo era nessa altura um assunto sério. Deixava-se escapar o momento certo para plantar e o fornecimento de alimentos ficava destruído pelo gelo. No entanto, era - se bem-sucedido, contando cinco Luas depois do solstício de Inverno, uma medida mais fácil que os 148 dias. A Lua também ajudava a despistar o bom momento para jogar, fornecia uma medida da distância viajada, indicava o momento certo para uma tribo se pôr a caminho outra vez. Ela era uma parceira, intimamente ligada ao curso da vida.

Mondliebe   
Antes da electricidade, a nossa amiga Lua ajudava a diferenciar as semanas, com certas actividades a emergir como mais apropriadas numa fase do que noutra. Durante o Quarto Crescente, por exemplo, cada noite trazia um aumento da luz nocturna. Não temos de ser místicos para perceber o porquê do Quarto Crescente ser associado com um tempo de construção, com a frutificação de projectos durante a sua maior generosidade de horas úteis. É perfeitamente lógico porque é que a Lua Cheia era associada aos momentos alegres. Sob a sua luz as comunidades podiam reunir-se e festejar após o pôr-do-sol, os amantes podiam escapulir-se para a floresta para encontros ao Luar. As hormonas da mulher podem na verdade sintonizar-se mais com as hormonas de outra mulher mais do que com a Lua, mas faz sentido que numa aldeia de mulheres, estas ovulem juntas quando a Lua é propícia aos amantes.

Mesmo quando a necessidade prática da luz da Lua diminuiu, poetas, músicos e artistas permaneceram fascinados pelo seu mistério. Quando a Águia aterrou e Neil Armstrong deu o salto gigante pela humanidade, a intimidade deste relacionamento poderá ter atingido o seu limite final. A misteriosa Luna foi despida. Esta deliciosa tentação para a imaginação dos amantes, marinheiros e jardineiros e do poeta dentro de todos nós, foi transformada em pedra cinzenta e pó. Tão rudemente exposta como aquele corpo celeste aéreo, aquele satélite silencioso, a Lua caiu da nossa paisagem imaginativa.

O que acontece quando um corpo reverenciado é obrigado a descer à Terra? Talvez a sua divindade se estilhace nas nossas psiques, pairando como uma superstição ou um tipo de fascínio nostálgico. Retratos fantasiosos da Lua aparecem em todo o lado, em anúncios, em postais, colares, brincos, papel de embrulho, lençóis, toalhas de cozinha. Ainda não nos libertámos totalmente dela. No entanto, a nossa reverência e anseio foram reduzidos ao consumismo, a imaginação intimista foi abandonada em prol de uma imaginação emprestada que sabemos não ser exactamente real.

O folclore e superstições lunares também dependem de uma imaginação emprestada. A crença pode perseverar mas a percepção genuína foi perdida. Quando as coisas ficam de pernas para o ar e alguém se interroga se a Lua está cheia, muitos irão assentir mas poucos irão lançar um olhar confirmador em direcção ao céu. O quarto jogo da "World Series" de 1993, por exemplo, foi tão louco e imprevisível, que o comentador televisivo exclamou "deve de ser a Lua Cheia" A Lua estava na sua fase de Quarto Crescente, algo que qualquer pessoa poderia ter visto. É claro que isto não entrou nos anais da história da televisão tanto quanto entraria uma gafe. [3]

Podemos ser perdoados. Ninguém precisa de saber se a Lua está cheia ou não. E a apatia cognitiva é um facto na nossa espécie. Temos tendência para apenas reparar naquilo que confirma as nossas crenças; as evidências refutadoras escapam frequentemente à nossa atenção. Isto, contudo, não é uma boa prática para os astrólogos a braços com os detalhes da sua profissão. Ao observar os acontecimentos da vida em contraponto com as fases da Lua, descobri que muitas crenças lunares e interpretações astrológicas simplesmente não se aguentavam em pé. Será que a informação era um disparate? Ou será que isto significava que a influência lunar não funciona com a regularidade mecânica de um relógio? Ou haveria algo mais implicado?

O meu pensamento retorna ao comentário de Moore acerca de intimidade. E se, tal como muitas tradições místicas afirmam, o cosmos estiver de facto vivo? Se tomarmos isto como verdadeiro, então o nosso caminho é óbvio: Temos de abordar a Lua enquanto ser vivo. Isto é seguramente mais fácil de dizer do que de fazer, dada a tendência moderna de olhar para tudo (nós mesmos incluídos) como uma máquina, composta de peças que ou funcionam, ou precisam de reparação ou são descartadas. A alternativa é interpretar a Luna como uma influência que nem controla nem é controlável, quiçá, previsível e caprichosa, ora falando ora relutando, aproximando-se de nós e virando-nos as costas, dando-se a conhecer mas nunca por completo, um ser capaz, de facto, de mudar. Relacionarmo-nos desta maneira exige vontade de ir para lá da informação astrológica e de adentrar o conjunto de competências constituído pela receptividade e intuição, vazio e imaginação. Isto significa um respeito renovado pelo seu mistério, uma palavra que Moore definiu não como um puzzle impossível de resolver , mas "no sentido religioso: insondável, para lá da manipulação, exibindo o rasto do dedo de Deus a trabalhar". [4]


Observar a Lua significa amar o mistério e ser sensível à vida em redor, na Terra e no céu. À medida que as fases se desenrolam ao longo de cada ciclo lunar, haverá momentos em que poderemos ser de facto o sábio, como Rudhyar e outros, trabalhando a partir do nosso intelecto. Outras vezes poderemos precisar de ser o amante, sentindo o humor do tempo com os nossos corações.


Em todas as minhas deambulações eu acabava por regressar ao ponto de partida, com a Lua como mistério, embora tivesse rasgado um véu significativo. Mas não era o véu da Lua. Era o meu próprio. A minha abordagem fora a errada, enquanto astróloga, adoradora da deusa a dançar num círculo cerimonial, empirista, historiadora, pretensa bruxa à procura das curas e segredos das ervas regidas pela Lua. Eu esquecera o elemento mais crítico da competência lunar: O aspecto dos relacionamentos. Tinha de ser pessoal; E tinha de ser algo muito mais dinâmico que a aquisição de conceitos. Estar num relacionamento com a Lua sugere algo tão desafiador quanto recompensador como qualquer outro relacionamento, cheio de paixão, conhecimento gradual e deleite, conforto e frustrações crescentes, fricção, tédio e surpresa.

Os relacionamentos nunca foram o meu forte. Contudo é apropriado, eu ir agora ao encontro deste aspecto da Lua. Mudei-me recentemente da Califórnia para o Oregon. Pela terceira vez na minha vida, estou a embarcar na aventura de um relacionamento sério. Vendi a casa que adorava, larguei o trabalho que tinha há 16 anos, desenraizei o meu filho, para casar com um homem que conheço e amo há 31 anos. A maior parte dos dias sinto-me abençoada para lá do mensurável. Alguns dias perguntou-me o que foi que eu fiz. Pergunto-me se estou mais preparada para um relacionamento com um homem do que estou preparada para um relacionamento com a Lua.

Mondritt   
A intimidade, quer com uma pessoa quer com o céu, exige a aceitação de muitos mistérios, incluindo, talvez especialmente, os nossos próprios. Exige um estar em alerta para a dança interactiva que nos atrai a todos. No final poderemos ter de reconhecer que a Lua, ou o nosso amante, é menos a causa das coisas mas quiçá cada vez mais o nosso colaborador. Poderemos ter de aceitar uma maior imprevisibilidade nos nossos empreendimentos e que estamos tão envolvidos nos nossos resultados quanto qualquer outro ser humano ou "outro" celestial. Tal perspectiva pode parecer em primeiro lugar fazer-nos sentir menos seguros. Mas também traz uma energia nova para a situação, abre mais espaço. É uma forma de actualizar as nossas crenças ao longo do tempo, uma dádiva que pode manter qualquer relacionamento incluindo os astrológicos, frescos.

Ontem foi a Lua Nova em Caranguejo. Dias antes imprimi e estudei o mapa. Reflecti sobre os temas de Caranguejo, nutrição e maternidade, segurança e apoio, e sobre o elemento base deste signo, a água miraculosa e dispensadora de vida. Interroguei-me acerca das oposições Plutão/Marte e Vénus/Saturno e no dia da Lua Nova mergulhei em todo este mistério. Ao pôr-do-sol saí para o quintal. Comecei a juntar pedras num círculo cerimonial por cima do nosso poço subterrâneo, que juntamente com outros no vale poderá estar a secar. O meu filho apareceu do nada e completámos esta tarefa juntos. Lembrámo-nos do pequeno sapo morto que encontráramos nessa manhã e colocámo-lo na roda. Eu estava profundamente comovida com o nosso ritual "improptu", embora eu fosse menos uma especialista em astrologia ou artista cerimonial que simplesmente a amiga de recreio da Lua Nova. Talvez tudo o que aconteceu foi que esse dia era agora uma tomada de posição contra a qual as semanas que se seguiriam poderiam ser medidas. E talvez algo insondável, para lá da manipulação, cheio de divindade esteja também em jogo.

Observar a Lua significa amar o mistério e ser sensível à vida em redor, na Terra e no céu. À medida que as fases se desenrolam ao longo de cada ciclo lunar, haverá momentos em que poderemos ser de facto o sábio, como Rudhyar e outros, trabalhando a partir do nosso intelecto. Outras vezes poderemos precisar de ser o amante, sentindo o humor do tempo com os nossos corações. E pelo meio poderão existir momentos em que somos o caçador, famintos de alimento, em busca dos segredos lunares.

Estava ansiosa por escrever esta colecção Observação da Lua de novo, ambicionando de forma mais consciente, percorrer os caminhos do caçador, do amante e do sábio, partilhando o conhecimento astrológico e uma certa imaginação romântica. Nos 8 fascículos vindouros, um por cada fase lunar, podemos recolher os velhos conceitos e desmontá-los quando necessário. Vamos ouvir o ritmo do ciclo. Vamos conduzir-nos até à Lua.


  1. Ver I. W. Kelly, James Rotton, e Roger Culver, "The Moon Was Full and Nothing Happened", "The Outer Edge, Classic Investigations of the Paranormal", editado por Joe Nickell, Barry Karr e Tom Genoni, CSICOP (NY: 1996).
  2. Thomas Moore, "The Planets Within", Lindisfarne Press (NY: 1990), p. 17-18.
  3. Ver Kelly, Rotton, Culver, op cit, p. 27-28.
  4. Thomas Moore," Soul Mates", HarperCollins (NY, 1994), p.xi.

Oficina "Twelve Moons"

Workshop Aliada celestial da Terra, a Lua exerce uma influência poderosa na vida diária, mas poucos estão sintonizados com ela. Se quer aumentar a sua sensibilidade ao ritmo lunar, esta oficina é para si. Todos os meses antes da Lua Nova, receberá um caderno de exercícios com 26 páginas, personalizado de acordo com o seu mapa natal e a sua localização actual. Aprenderá sobre os detalhes astrológicos, o ingresso solar e da Lua Nova, como é que eles influenciam o seu mapa, bem como sobre as fases da Lua, a Lua fora de curso, os signos lunares e o trânsito nas casas. Ao longo do ciclo, será guiado numa ainda maior apreciação íntima do funcionamento da Lua na sua vida.
Oficina das 12 Luas em "mooncircles.com"

Traduzido do Inglês por Patrícia Vieira Neves (Portugal)

Astro-Databank
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Astro Wiki
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Posições actuais dos planetas
13-Jul-2014, 03:04 UT/GMT
Sol20Câncer40'22"
Lua29Capricórni58'21"
Mercúrio29Gêmeos55'59"
Vênus23Gêmeos25'46"
Marte23Libra35'32"
Júpiter29Câncer16' 1"
Saturno16Escorpião41'32"r
Urano16Áries28'33"
Netuno7Peixes18'34"r
Plutão12Capricórni4'19"r
Nodo Lun.true24Libra9'11"r
Quíron17Peixes31'44"r
Explanations of the symbols
Mapa do momento
Astrologer watching the sky through a telescope, by Eugene Ivanov
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