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Série Observação da Lua, Dana Gerhardt

Terceira parte: A lua crescente

nadonoturno Na lua crescente, "Que té-é-é-dio" é uma frase comum lá em casa. O de oito anos a profere referindo-se ao dever de matemática, o de nove anos, ao piano que deveria estar praticando. Privado de seus games e da Internet, o de quatorze cai aborrecido no sofá. Robert boceja quando eu falo de budismo. Eu faço o mesmo quando ele elogia John Wayne. Até a de quatro anos sucumbe, chiando: "Que coisa chata!" quando obrigada a recolher os brinquedos.

Eu achava que o tédio sinalizava uma esmagadora ausência de estímulo, a tortura de um mundo vazio. Entretanto, quanto mais cresce a minha consciência da vivacidade densa do universo, menos precisa essa definição me parece. O mundo é cheio demais de estímulos. Isso é especialmente verdade na lua crescente, uma fase em que a Lua cresce com energia renovada. Por que nos entediamos?

A antropóloga Mary Catherine Bateson argumenta que o tédio é uma atitude aprendida. Ela opina que seria melhor para nós, que nossas vidas poderiam ser profundamente reformuladas, se aprendêssemos outras respostas em vez dessa.[1] [1] Curiosamente, não o fazemos; o tédio parece funcionar bem para nós. Se víssemos com os olhos do outro nossos próprios "eus" entediados, talvez até concluíssemos que esse tédio é um grande amigo e cúmplice. Ele chega no momento em que nos vemos bloqueados, aponta o dedo da culpa para o mundo exterior e envolve-nos em uma inércia cheia de empáfia.


"As coisas acomodaram-se desde a excitação da lua nova. Pode até parecer que pouca coisa acontece. Todavia, as escolhas que fazemos na lua crescente têm efeito profundo. Em última análise, elas incitam o mistério sutil que explica por que nossas vidas não mudam, mesmo que juremos querer o contrário."


No bilhete que deixou antes de suicidar-se, o ator britânico George Sanders declarou-se entediado com tudo. Geralmente, pensamos no tédio como algo que chega assim, no final da experiência, como um fatigado "já sei como é isso", o resultado paralisante de muita repetição e familiaridade. O problema desse ponto de vista é que ele não nos aponta nenhuma saída, o que pode, na verdade, ser uma estratégia de autorrealização do tédio. No entanto, se em vez disso virarmos o tédio de ponta-cabeça e o virmos chegando no início da experiência, descobriremos o que a sua superfície cansativa esconde.

Ele começa com um mundo que não é nem um pouco vazio. Na verdade, esse mundo está transbordando de informações e demandas, embora não do tipo que estamos buscando. Pedem-nos algo que nos amedronta ou nos irrita. Queremos sorvete e servem-nos bolinhos de arroz. Queremos patins e alguém nos dá linha de pipa. Ficamos decepcionados ou surpresos. Até atividades rotineiras demandam que inovemos. Seja como for, ficamos com uma espécie de dor de dente com todos esses estímulos. Então buscamos um anestésico mental para entorpecer a consciência. Ficamos paralisados. E agora nosso mundo está vazio – porque assim o fizemos.

O tédio é a nossa arma secreta contra a mudança. Quando meu filho está exaurido pelos problemas de matemática, ou quando não suporto ouvir falar sobre John Wayne, é porque fechamos as portas para algo indesejado ou novo, preservando nossos velhos "eus" absolutamente familiares. Compreender isso é especialmente importante na lua crescente, quando a energia psíquica pode discretamente avançar ou recuar, sem nossa percepção consciente. As coisas acomodaram-se desde a excitação da lua nova. Pode até parecer que pouca coisa acontece. Todavia, as escolhas que fazemos na lua crescente têm efeito profundo. Em última análise, elas incitam o mistério sutil que explica por que nossas vidas não mudam, mesmo que juremos querer o contrário.

luacrescente A lua crescente aparece aproximadamente três dias e meio depois da nova, quando a Lua está 45º à frente do Sol.[2]  [2] Visível no oeste após o pôr-do-sol, essa esbelta, cintilante lua crescente tem uma belíssima luminescência, como se fosse coberta pelo brilho das asas de um anjo. Sua imagem inspira universalmente otimismo e esperança. Até a palavra "crescente", derivada do latim "crescere", que quer dizer desenvolver ou crescer, parece nos impulsionar a avançar. Nessa fase, podemos ter um sonho tão audacioso que nos inspire a dar um grande salto nas fases seguintes.

Somos como Dorothy na estrada de tijolos amarelos, com a Cidade das Esmeraldas à vista. Nossa aventura começou na lua nova, quando perder-nos em território estranho garantiu um bom começo. Isso significa que nos abrimos para novas experiências. Desconstruímos a certeza de quem somos, para, como Dorothy, organizar internamente uma nova gama de possibilidades. Mas, à medida que a cidade dos nossos sonhos vai surgindo à nossa frente, há sempre uma bruxa má por perto, fazendo o campo de papoulas florescer. Perdemos a consciência antes de alcançar o nosso destino.

Aqui, o mais devotado entusiasta da lua nova muitas vezes se afasta do ciclo de lunação. Precisamos é que uma boa bruxa Glenda jogue neve no campo de papoulas e belisque nossas bochechas para nos acordar. Afinal de contas, a fertilidade foi prometida; precisamos apenas descobrir o que cultivar. Estabelecer o objetivo certo para o ciclo pode nos manter em movimento ao longo do caminho. Se fixarmos nosso objetivo prematuramente na lua nova, talvez apoiemos uma velha meta com pouco poder de nos levar adiante. Mas, na crescente, concentrar-nos é não só correto como também importante.


"Estabelecer o objetivo certo para o ciclo pode nos manter em movimento ao longo do caminho. Se fixarmos nosso objetivo prematuramente na Lua Nova, talvez apoiemos uma velha meta com pouco poder de nos levar adiante. Mas, na crescente, concentrar-nos é não só correto como também importante."


Nossa bruxa boa Glenda oferece um conselho: "Lembrem-se, nem todos os sonhos se sustentam o tempo todo com energia". Ela quer que estejamos despertos para o mundo, que mantenhamos algo daquela abertura da lua nova. Isso quer dizer que nossa meta deve respeitar tanto os sinais do ambiente quanto os desejos do nosso coração. Devemos direcionar esforços e ouvir. Isso é especialmente verdade quando o mundo nos diz algo que não esperamos ouvir, algo que nos faz bocejar ou nos enlouquece.

Como na colaboração entre Sol e Lua, o ciclo de lunação requer que conjuguemos nossa vontade (solar) com nossa receptividade (lunar). Com vontade demais e reflexão de menos, rejeitaremos os sinais de nosso ambiente, considerando-os tolos ou irrelevantes. O contrário nos fará perder a iniciativa. O excesso de receptividade nos induz a esquecer para que serve o tempo e a deixar seu potencial criativo escorrer por entre nossos dedos. Na melhor das hipóteses, a fase crescente deve trazer um foco gradual, um aguçamento constante da nossa intenção.

Analisar a casa e o signo do início da lua nova pode ajudar. A casa energizada em nosso mapa sugere onde o desenvolvimento é favorecido. O signo em que está a lua nova sugere nossa abordagem energética ideal. Mas apegar-nos demais mesmo a esses conceitos pode enfraquecer nossa percepção do estimulante presente. Melhor talvez, por fim, deixarmos nossos conceitos em segundo plano e praticarmos a vitalidade que está em toda parte.

bruxaboa Se fizéssemos apenas isso, nunca ficaríamos entediados novamente. E, como sugere Bates, remodelaríamos nossas vidas com essa atitude. No mínimo, poderíamos ter isso em mente durante os dias da lua crescente a cada mês. Levando em conta os nossos desejos, o germe indicado no mapa e a dinâmica dos acontecimentos, poderíamos selecionar o alvo e o objetivo certos. Se adotássemos essa prática durante os três a quatro anos de nossa crescente progredida, talvez nos surpreendêssemos com nossas conquistas na lua cheia progredida. E se tivermos nascido na fase crescente, isto deveria se tornar o trabalho de nossas vidas: tomar o sonho que está falando dentro de nós e à nossa volta e não parar enquanto ele não se realizar.

Para os nascidos na lua nova, quando as possibilidades são tão vastas, definir uma meta específica é frequentemente difícil. Mas os nascidos na lua crescente geralmente sabem o que querem alcançar. São inspirados a melhorar, a ultrapassar qualquer limite étnico, cultural, socioeconômico ou físico sob o qual tenham nascido. Eles querem ir além de suas origens, tornando-se os primeiros da família a ter nível superior, mudar-se para uma parte privilegiada da cidade, ter sucesso em uma carreira de prestígio, entrar para um clube que antes os barrava. Conheço uma série de pessoas nascidas na lua crescente cujos pais imigrantes foram bem assimilados pela cultura dominante; agora elas estão decididas a recuperar suas raízes étnicas, de certo modo, melhorando a si mesmas por meio de assimilação cultural reversa.

Nas nossas instituições políticas, judiciais, de saúde e educacionais, as pessoas nascidas na lua crescente estão muitas vezes lutando por mudanças sociais. Embora reformistas natas, sentem-se muito à vontade para atuar dentro dos sistemas existentes. Elas são promovidas, sobem degraus corporativos. Têm o dom de inovar sem alienar nem destruir. E têm algo a acrescentar à cultura predominante. Através delas, o establishment evolui.

Embora tenham fortes aspirações, quando pressionados, muitos dos nascidos na lua crescente reagem com uma desaceleração cética: como a raposa que se afasta do cacho de uvas que não pode alcançar, admitem que talvez seus sonhos não se tornem realidade, afinal. Suas histórias frequentemente revelam curiosos revezes da sorte, oportunidades que se dissolvem, grandes negócios que escapam. Penso numa empreendedora que conheço, nascida na lua crescente. Embora talentosa e ambiciosa, ao longo dos anos, Carrie se vê sempre nas mesmas lutas. Apesar da abordagem inteligente e diligente com que trabalha, seu negócio não cresce. Ano após ano, sua vida permanece a mesma.


"A semiquadratura é considerada por alguns como um aspecto menor ou 'incômodo'. No entanto, rotulá-la dessa maneira confunde as sutilezas dos inícios, quando pequenos movimentos podem ter grandes efeitos. Tantas coisas são possíveis na lua crescente, tão pouco está em seu lugar. Pequenas alterações podem mudar o mundo."


O que a impede de crescer? Dane Rudhyar, o grande filósofo do ciclo de lunação, argumentaria que são os fantasmas de seu passado: os medos, as inseguranças, a resistência, as agressões, a inércia, todos os hábitos emocionais cristalizados de suas encarnações anteriores; também é a influência poderosa de seus antepassados, ainda no comando a partir do conjunto de atitudes e tradições culturais e familiares. Esses fantasmas são trazidos pelos próprios sonhos que a impulsionam. Ela quer uma vida diferente da de seus pais, quer romper padrões de infância. Os fantasmas não têm tanta certeza. Sua vida se torna o campo de batalha onde o passado luta contra o futuro, trazendo muita atividade, mas muitas vezes pouco progresso real. Há em Carrie uma doçura e uma ingenuidade que vejo muitas vezes em pessoas nascidas na lua crescente. Embora tenha quase quarenta anos, ela ainda tem o frescor e a sensibilidade emocional da juventude, o que é adequado para uma fase da Lua caracterizada pelo crescimento precoce. O modo crescente é muitas vezes representado como uma muda frágil lançando-se para cima, contra o solo, e para baixo, com suas raízes em busca de apoio. A vulnerabilidade de Carrie é tão grande quanto seu idealismo. Ela aguentou maus parceiros porque queria que eles gostassem dela e porque tinha medo de seguir sozinha. E assumiu riscos quando o entusiasmo coletivo era forte, mas perdeu a coragem quando outros começaram a cair fora.

Os nascidos na lua crescente não são tão diferentes do restante de nós. Eles nos mostram como é estar no início das coisas. Grandes sonhos muitas vezes trazem grandes hesitações. Quer estejamos na lua crescente do mês, ou em nossa fase crescente progredida, muitas vezes a segurança é um problema. Ter uma estrutura familiar acolhedora pode ser reconfortante, mesmo que isso vá em direção oposta à dos nossos sonhos. Nascidos na lua crescente ou não, todos nós temos fantasmas que nos impedem de seguir adiante. E o maior problema dos fantasmas é sua invisibilidade. Tão familiares e onipresentes, eles são como a água para o peixe dourado que nada no aquário. Como confrontar o que não podemos ver?

Bem-vindo à dúbia bênção da semiquadratura crescente, o ângulo de quarenta e cinco graus entre Sol e Lua que inicia a fase crescente. A semiquadratura é considerada por alguns como um aspecto menor ou "incômodo". No entanto, rotulá-la dessa maneira confunde as sutilezas dos inícios, quando pequenos movimentos podem ter grandes efeitos. Tantas coisas são possíveis na lua crescente, tão pouco está em seu lugar. Pequenas alterações podem mudar o mundo. Estamos no reino das aspirações, intenções e marcas mentais. Nossos pensamentos são potentes, escrevendo o roteiro que irá revelar-se mais tarde. No entanto, poderíamos deixar de perceber o crescente não fosse pelas irritações que a semiquadratura traz.

bruxamá As irritações colocam-nos cara a cara com nossos fantasmas. Os fantasmas rondam sempre que nos chateamos, desanimamos ou contrariamos porque as coisas não dão certo de primeira. Bobagens nos incomodam desproporcionalmente. Ficamos exigentes, impacientes, críticos, incomodados. Nossos amigos podem se espantar com as fortes reações que nos provocam pequenos contratempos, mas essa colisão inicial entre a realidade e nossos desejos tem uma enorme importância psicológica. Esses retrocessos reiniciam uma velha discussão que temos com o mundo. Como o chato que sabe exatamente onde cutucar-nos, o que nos deteve antes aparece novamente.

Como afirma o astrólogo Bil Tierney, "[A semiquadratura] pode revelar atitudes inflexíveis que tendem a nos manter presos à rotina, inadaptáveis e intransigentemente resistentes às mudanças necessárias que ocorrem no ambiente".[3] [3] Seja por trânsito ou aspecto natal, o que não vai bem na semiquadratura é feedback de vital importância. Estamos vendo onde nossas opiniões são fracas e nossas expectativas, inadequadas. É uma oportunidade de ajustar nossos esforços. Obviamente, precisamos nos ver com clareza e ler o mundo de forma correta para realizar nossos sonhos. Mas se simplesmente projetarmos nossa culpa no mundo, provavelmente abandonaremos nosso objetivo depois de tropeçar em uma ou duas pedras no meio do caminho.

Ser inflexível e preso à rotina não é apenas um problema moderno. É a questão central em muitos contos antigos sobre sonhadores, entre os quais uma história indígena norte-americana sobre um jabuti e sua noiva.[4] [4] O jabuti é uma criatura boa, mas um pouco solitária. Ele constrói uma tenda confortável, cheia de peles. Certa noite, quando está lá sozinho, começa a sonhar o tipo de sonho mirabolante que se poderia ter na lua crescente (ou conforme os planetas em semiquadratura do seu mapa natal). O jabuti quer fazer algo que nenhum outro tenha feito: quer ficar noivo de uma bela jovem.


"Seja por trânsito ou aspecto natal, o que não vai bem na semiquadratura é feedback de vital importância. Estamos vendo onde nossas opiniões são fracas e nossas expectativas, inadequadas. É uma oportunidade de ajustar nossos esforços. Obviamente, precisamos nos ver com clareza e ler o mundo de forma correta para realizar nossos sonhos."


Ele observa a tribo humana ao seu redor e aproxima-se da garota mais bonita e mais trabalhadora. "Casar com você?!!" Ela solta a sapatilha que está bordando e tenta esconder o riso. O jabuti está magoado, mas persiste. E implora com tanto fervor que ela concorda, apesar da relutância. "OK, mas você vai ter que esperar até a primavera; tenho que fazer muitos calçados e vestidos." O jabuti não gosta da resposta. Ergue-se com toda a altivez e todo o orgulho que pode ter um jabuti e diz: "Então irei para a guerra e trarei alguns cativos. Quando eu voltar, você vai se casar comigo".

Sensibilidade e bravata muitas vezes andam juntas no início de grandes aspirações. É assim que o ego se mistura ao nosso objetivo. Especialmente quando desafiado, o ego traz à tona os fantasmas, que nos fazem girar; quando terminamos, nosso objetivo mudou. Estamos nos protegendo e nos justificando, nosso amor-próprio passa a ser mais importante do que nossa visão. O jabuti reúne os seus e declara guerra a uma aldeia vizinha. Enquanto os jabutis marcham lentamente para fora do acampamento, diante de sua tenda, a jovem ri. "Em quatro dias", diz ele, "em vez de rir, você estará chorando, pois haverá centenas de quilômetros entre nós". "Em quatro dias, você mal estará fora de meu campo de visão!", responde ela. "Bem, quatro dias não... Quero dizer quatro anos", resmunga ele.

jabutiguerreiro Aquilo que sonhamos na lua crescente não se concretiza imediatamente. Como aguentamos o tempo? O exército de jabutis marcha, ao que parece, para sempre. A sensação é de que eles já deram meia volta ao redor da terra, embora tenham sido apenas quatro quilômetros. Os jabutis chegam a uma grande árvore caída na estrada. "Levaremos anos para escalar isso!" Eles ponderam sobre como podem ficar presos nos galhos, se tentarem escalá-la, ou nas raízes, se cavarem por baixo. Decidem queimar um buraco no tronco para atravessar. Mas o fogo não queima muito antes de apagar-se.

Para que um sonho se torne realidade, os dois precisam se fundir. Isso não acontece facilmente: um é ar, o outro, pedra dura. Inspiração e atividade têm que uni-los. Mas quando a árvore não queima (inspiração demasiado fraca), o exército desiste (falta de ação). O jabuti leva suas tropas para casa, imaginando que ninguém precisa saber o que realmente aconteceu. De repente, pode inventar uma história sobre uma grande aventura. O guerreiro quelônio viajou muito tempo, mas nunca deixou o reino dos sonhos. Sua carapaça autoprotetora não só o desacelerou, mas o manteve fora do mundo real. Não podemos deixar de perguntar: como é que esse jabuti conseguiria dar conta do casamento com uma jovem tão cheia de vida se não conseguia dar conta sequer de uma árvore?

A melhor maneira de abordar as dificuldades inerentes à lua crescente, do tipo que traz uma semiquadratura, é vê-las como uma espécie de campo de treinamento. Elas se destinam a nos condicionar para os desafios maiores que certamente encontraremos. No caminho para a iluminação da lua cheia, as fases do primeiro quarto e gibosa vão exigir ainda mais ação e resistência. É por isso que a lua crescente chega como um curso de obstáculos muito pessoal que, se navegado com sucesso, pode aumentar a nossa competência e confiança. Como recrutas no treinamento básico, talvez gritem conosco, nos humilhem, nos despojem de nossas defesas. Mas, como em todos os filmes militares, no final vamos amar o nosso sargento pelo que ele nos ajudou a ser.

O aspirante a guerreiro retorna ao acampamento, onde sua noiva relutante se oferece para dar-lhe um banho. E o faz pular em seu caldeirão de água fervente até afundar. Um a um, os quelônios seguem seu líder, exceto um jovem jabuti. Percebendo que nenhum de seus amigos sai do caldeirão, ele vai o mais rápido que pode para o rio. Como quer escapar daquela horrível tenda, deixa que o rio o leve o mais longe possível, até finalmente chegar ao mar cálido.

O jovem jabuti, observador e adaptável, apresenta-nos o próximo aspecto da fase crescente: o sextil crescente, que ocorre quando a Lua em trânsito se coloca sessenta graus à frente do Sol. Como a semiquadratura, o sextil é um aspecto predominantemente mental, mas carrega uma maior percepção do mundo exterior. Como afirma Tierney, é um "aspecto exploratório, ávido de novas experiências de aprendizagem. Sua influência nos estimula a alcançar o ambiente social maior em muitas direções que nos permitam captar benefícios externos".[5] [5]


"Se quisermos mesmo que nossas vidas mudem, provavelmente haverá certas coisas que precisamos aprender. O sextil é um aspecto fluido que nos atrai para oportunidades de aprendizagem. Mas ele age em silêncio. Como não traz nenhuma das irritações da semiquadratura, podemos nos contentar em permanecer no reino das ideias e deixar escapar oportunidades tangíveis."


Somos libertados de nossas rotinas e resistência. Somos estimulados a observar o mundo e a pensar em como fazer o nosso sonho acontecer. No sextil, estamos prontos para coletar informações e aliados. Seguimos em frente. É bom lembrar que também dispomos dessa janela de energia durante a fase crescente. Como a semiquadratura, ele combina perfeitamente com nosso crescimento ainda incipiente. Se na semiquadratura somos uma muda frágil que luta contra o solo que a abafa, no sextil estamos criando apoio através de raízes jovens, manifestando a inteligência de buscar alimento adequado.

Se quisermos mesmo que nossas vidas mudem, provavelmente haverá certas coisas que precisamos aprender. O sextil é um aspecto fluido que nos atrai para oportunidades de aprendizagem. Mas ele age em silêncio. Como não traz nenhuma das irritações da semiquadratura, podemos nos contentar em permanecer no reino das ideias e deixar escapar oportunidades tangíveis. Ou podemos ser tão estimulados pelo mundo exterior que acabamos saltando de uma atividade para outra, perdendo o fio da meada do nosso sonho. O ideal é que a semiquadratura crescente e o sextil crescente sejam bons complementos. O sextil nos liberta de nosso passado assombrado. E se formos atormentados pela semiquadratura e mantivermos nosso espírito de desenvolvimento, poderemos levar maior foco e resistência para as oportunidades do sextil.

Quanto ao jovem jabuti que escapou dos companheiros ignorantes, não sei o que aconteceu com ele. Posso apenas esperar que tenha feito algum sonho maravilhoso se tornar realidade – e que, no próximo ciclo lunar, o mesmo ocorra com você!


  1. Mary Catherine Bateson, Peripheral Visions, (NY: HarperCollins, 1994),
    p. 111

  2. O ciclo de lunação é um ciclo de relações dinâmicas entre o Sol em trânsito e a Lua em trânsito. Quando ensinei esse ciclo a iniciantes, algumas vezes esse ponto provocou confusão. A lua nova ocorre quando o Sol e a Lua estão em conjunção no mesmo grau, 15 graus de Áries ou 8 graus de Gêmeos, por exemplo. Mas os dois astros não ficam parados; ambos continuam avançando pelo zodíaco, sendo que a Lua vai mais rápido do que o Sol. Quando ela está 45 graus à frente do Sol em trânsito, aí é que a fase crescente começa. Quando ela está 90 graus à frente do Sol em trânsito, aí é que a fase crescente termina e começa o primeiro quarto. Em vez de calcular as fases a partir do ponto fixo da lua nova (como poderia ser feito em um ciclo sideral), calculamos os aspectos em termos da evolução de sua relação (algo chamado de ciclo "sinódico").

  3. Bil Tierney, Dynamics of Aspect Analysis, (Reno: CRC Publications, 1983),
    p. 15

  4. The Brown Fairy Book, Andrew Lang, ed. (New York: Dover Publications, 1965) pp. 106-110

  5. Tierney, ibid, p. 18

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Oficina das 12 Luas Como aliada celeste mais próxima da Terra, a Lua tem uma influência poderosa no dia-a-dia, mas poucos estão sintonizados com ela. Se quiser aumentar a sua sensibilidade ao ritmo lunar, esta oficina é para você. Todo mês antes da lua nova, você receberá um caderno de atividades de 26 páginas, personalizado de acordo com o seu mapa natal e localização atual. Você aprenderá sobre as particularidades da astrologia: a lua nova e o ingresso do Sol, como estes influenciam o seu mapa, assim como as fases da lua, Luas fora de curso, signos lunares e trânsitos da Lua nas casas. Ao longo do ciclo, você será guiado em direção a uma apreciação ainda mais íntima das funcionalidades da Lua em sua vida.
Oficina das Doze Luas em mooncircles.com

Traduzido do inglês por Rômulo Craveiro de Sousa Tartaruga (Brasil)

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